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Em maio, escolhemos um texto de Ruben A., extraído de «O Mundo à Minha Procura», que relata episódios da sua infância no Porto, na quinta do Campo Alegre, nos anos 20 e 30 do séc. XX, para dialogar com uma narrativa de uma autora de língua inglesa, celebrada como uma das figuras definitivas do modernismo literário, que por essa época publicava em Londres este conto.
Ver maisRuben A. (Ruben Alfredo Andresen Leitão, 1920—1975) é um dos mais singulares escritores portugueses da segunda metade do século XX. Tendo-se distinguido no domínio da ficção com diversas obras narrativas e dramáticas, com destaque para o seu romance de referência, «A Torre da Barbela» (1965). No sentido de manter vivo o interesse do público leitor pela obra de um autor cuja infância está intimamente ligada à cidade do Porto – o que está refletido na sua originalíssima escrita autobiográfica – pedimos emprestado o título do colóquio com que, no ano passado, a Fundação Calouste Gulbenkian homenageou o escritor, e convidamos dois estudiosos da sua obra, Dália Dias e Fernando Pinto do Amaral para, a duas vozes, orientarem este curso breve.
Ver maisApós uma primeira exposição, em que se procurou mapear o inicio da carreira de António Carneiro, a sua passagem por Paris, as influências que recebeu e a elaboração de uma poética simbolista, de que se deram exemplos vários, desde a sua obra seminal, o tríptico «A vida – Esperança, Amor, Saudade», até às posteriores, em que essa estética se afirmou e consolidou, esta segunda parte procura perceber um outro eixo fundamental desta obra, encerrando o ciclo expositivo propiciado pela reabertura do Ateliê em 2024, numa iniciativa do Município do Porto e projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo.
Ver maisAo longo do mês de maio, o Museu do Porto assinala o encerramento da exposição “O Voo da Águia II — António Carneiro e a Literatura”, com curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, através de um programa público que reúne apresentações editoriais, uma visita orientada e um momento musical.
Entre 9 e 24 de maio, o Ateliê António Carneiro acolhe um conjunto de sessões que prolongam o universo crítico da exposição, convocando a paisagem, a literatura, a pintura e a criação contemporânea. Este programa acompanha a segunda parte de “O Voo da Águia”, que encerra um ciclo expositivo e aprofunda a relação entre a obra de António Carneiro e o campo literário.
Ver maisAtualmente, quase toda a pesquisa necessária para se completar uma árvore genealógica pode ser feita a partir de casa. Mesmo para se elaborar um texto histórico sobre determinada família, na maioria dos casos a informação que precisamos já está disponível na Internet. Contudo, estas aparentes facilidades trazem também dificuldades: hoje em dia, um dos grandes problemas da pesquisa genealógica, para quem não tem formação histórica e não domina tudo o que se relacione com a internet, é precisamente o desconhecimento sobre onde pode estar a informação que interessa e quais os passos para chegar até ela. É comum que nos fiquemos pela informação mais óbvia, ou por aquela que é sugerida por ferramentas de Inteligência Artificial, desconhecendo que muito mais pode ser encontrado a partir do nosso computador. Esta formação prende-se, pois, com a necessidade de saber como pesquisar, onde pesquisar, como ultrapassar os obstáculos que surgem, que meios usar para facilitar a pesquisa e torná-la mais ampla e eficaz, e como organizar a informação recolhida.
Ver maisNesta nova etapa do Ciclo de Ilustração Científica, propomos um diálogo inédito entre a arqueologia, a botânica e a literatura. Partindo da coleção da Biblioteca de Arqueologia e das obras da literatura camoniana expostas no âmbito da mostra expositiva «O Jardim de Camões», Luísa Jorge irá explorar a técnica do desenho de observação que é, também, uma ferramenta de interpretação histórica e arqueológica. Entre o traço e o verso, a ilustração científica sempre a (ar)riscar.
Ver maisA origem do vinho do Porto surge de uma conjugação geográfica, social, histórica e económica invulgar e complexa, onde realidades urbanas e rurais se intercetaram, e da natureza rica e diversa do Douro, representada nesta exposição pela luz branca que, ao embater no prisma humano, é processada e interpretada, gerando um espectro de cores imenso. Tudo isto desaguou numa cultura de contrastes multifacetada e de infinitas possibilidades. Nesta viagem do Douro ao Porto descreve-se de forma simples os três momentos de feitura do vinho, sob perspetivas micro e macro, e a cultura que cada um deles originou: a Cultura da Terra, do Vinho e do Tempo.
Ver mais«Fragmentos da Cidade em Conta Corrente» é o título da exposição que recorre, de forma metafórica, a uma expressão do universo bancário para apresentar uma seleção de peças deste projeto pioneiro da Câmara Municipal do Porto, criado com o objetivo de salvaguardar o património arquitetónico e artístico integrado na arquitetura da cidade.
Ver maisIniciativa de promoção da leitura, que visa estimular o gosto pela partilha de livros e a interação social. Os textos são criteriosamente selecionados e enviados aos interessados que, posteriormente, se encontram para ler, discutir pontos de vista e partilhar experiências e memórias.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisO Museu do Porto volta a celebrar o Dia Internacional dos Museus (DIM) com um programa conjunto, que integra ao todo 40 espaços museológicos da cidade, numa iniciativa do Município do Porto. Desde 1977, o Dia Internacional dos Museus é promovido pelo ICOM — Conselho Internacional de Museus, como um momento de celebração e sensibilização para o papel fundamental dos museus na sociedade contemporânea. Em 2026, "Museus a unir um mundo dividido" é o tema escolhido, que sublinha o papel insubstituível dos museus enquanto espaços de diálogo, inclusão e cultura de paz, capazes de aproximar gerações, fortalecer comunidades e estender pontes entre culturas num mundo cada vez mais marcado por desigualdades e polarização.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisEm maio, o Museu e Bibliotecas do Porto dá palco à música de compositoras mais desconhecidas e menos interpretadas da viragem do século XX, na sua maioria de nacionalidade portuguesa (Berta Alves de Sousa, Francine Benoît), mas também de outras origens que partilham a língua portuguesa ou estéticas afins (Maria de Lurdes Martins, Mariza Resende, Ângela da Ponte).
Ver maisNos entrepostos dos cais em armazéns, comerciantes trocam por esterlino o vinho que é o sangue dos seus corpos, moeda pobre que são os seus destinos. Joaquim Namorado A palavra não designa apenas uma bebida: é antes um rio antigo que ainda corre e o esforço inteiro de muitas gerações. Não é apenas vinho, mas tempo e sabedoria. O Vinho do Porto é o Douro a descer devagar, são pipas que mastigam os anos no escuro das caves e a doçura lenta em que se transforma a dureza da terra.
Ver maisTudo começa no primeiro ano do «Documento do Mês» da Casa do Infante, um ciclo inovador, criado pelo então diretor Manuel Real com o objetivo de divulgar os recursos documentais do Arquivo Histórico Municipal do Porto (AHMP), aproximar os munícipes da instituição e destacar um tema da vida local.
Este baú pertence a Manuel Araújo, Técnico Superior do AHMP há 33 anos, que inicialmente trabalhou e apresentou temas ligados à sua área de intervenção dentro do Arquivo Histórico, a fotografia. Com o tempo, as apresentações foram-se estendendo a assuntos mais diversos que intervieram na transformação e desenvolvimento da cidade. Nos últimos anos, já sob a designação de «Resgate», as abordagens adquiriram uma tonalidade diferente, marcada pela presença da Igreja e dos seus ritos, dimensão que tanto marcou o quotidiano dos habitantes do Porto.
Dividido em duas partes, este é o seu último Resgate enquanto técnico da casa. Por isso, e como forma simples de agradecimento e de um «Até já!», propõe um olhar retrospetivo, um basculhar, sobre o seu próprio baú.
Ver maisDeambulações que partem do Banco de Materiais em direção ao espaço público. Os elementos da arquitetura tornam-se mote para a criação de narrativas vivas: azulejos que guardam memórias, batentes que anunciam histórias, claraboias que filtram a luz e ferros forjados que desenham sombras no chão. A cada passo, os elementos arquitetónicos emergem como uma linguagem própria — símbolos que traduzem tradições, técnicas e imaginários coletivos.
Ver maisDiversas fábricas prosperaram no vale de Massarelos, no seguimento do Cerco do Porto. Uma das indústrias que serviu de base ao desenvolvimento da arquitetura do ferro no Porto foi a da fundição. Destaca-se aqui a história da fundição de Massarelos, a mais importante indústria deste ramo de atividade no Porto. Os movimentos sociais são aqui aflorados através da explicitação das incidências relacionadas com a greve de 1909, que evidenciou a cumplicidade dos metalúrgicos com o movimento socialista. A fundição de Massarelos dedicava-se ao fabrico de material para máquinas agrícolas e industriais, pontes, coberturas metálicas, elevadores hidráulicos, máquinas a vapor, colunas e gradeamentos, entre outras aplicações.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisIniciativa de promoção da leitura, que visa estimular o gosto pela partilha de livros e a interação social. Os textos são criteriosamente selecionados e enviados aos interessados que, posteriormente, se encontram para ler, discutir pontos de vista e partilhar experiências e memórias.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisNesta oficina, cada participante é convidado a trazer um objeto pessoal e a descobrir a história íntima que ele guarda. A partir de exercícios de escrita sensível e de composição visual, constrói-se uma pequena caixa ou vitrina para guardar a peça. Entre memórias e detalhes, o objeto transforma-se num «pequeno tesouro» – um museu portátil onde se cruzam afetos, narrativa e imaginação. No final, cada pessoa leva consigo uma peça única, um espaço poético de significado e presença.
Ver maisNa rua escura as lojas de oiro e pano São pedras frias, frígidas mas quietas. Ó frios mercadores de oiro e pano Porto! Mercado frio e desumano... E no entanto ali é que há Poetas! Pedro Homem de Mello Palavra dita à pressa, com a rua na boca. No Porto, a palavra cola-se a uma cidade autónoma, de iniciativa e comércio, que aprendeu cedo a decidir por si e a negociar o seu lugar. Mas burguesia é também poder: quem entra, quem manda, quem fica de fora. Que cidade é esta que foi sendo feita? Que papel representa no país que queremos construir?
Ver maisA série «Pontes Ibéricas», integrada na programação dedicada ao órgão ibérico no Centro Histórico do Porto, apresenta o seu segundo concerto, em mais um momento do programa de comemorações dos 30 anos da classificação da cidade como Património da Humanidade pela UNESCO. Neste concerto, dedicado à música ibérica setecentista para órgão e cravo, a sensibilidade estética do barroco tardio e do gosto rococó constitui o pano de fundo de uma nova música de tecla, progressivamente emancipada da escrita coral, que acompanha a assimilação das linguagens italianas da sonata e do estilo concertante. Este repertório traduz uma apropriação criativa desses modelos, reinterpretados à luz dos contextos ibéricos. A clareza formal do novo gosto clássico convive com práticas herdadas, dando origem a um classicismo de feição singular. Órgão e cravo surgem em diálogo histórico, partilhando repertórios e gestos idiomáticos, ainda que explorados em momentos distintos do concerto. Num período de transição, o piano afirma-se progressivamente, reconfigurando o panorama dos instrumentos de tecla e contribuindo para a perda gradual de centralidade dos instrumentos tradicionais. Esta dinâmica reflete a circulação entre espaços litúrgicos e cortesãos ao longo do século XVIII, onde, mesmo na escrita para tecla a solo, o contraste e o diálogo se afirmam como princípios estruturantes. O programa evidencia, assim, a Península Ibérica como espaço de convergência e reinvenção de estilos europeus.
Ver maisUm dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Álvaro de Campos Uma palavra que é prato e metáfora, história e temperamento. As tripas à moda do Porto contam-se como gesto antigo de generosidade e escassez – dar o melhor e ficar com o resto – e, desde então, a cidade aprendeu a reconhecer-se nesse binómio e a fazer das tripas coração.
Ver maisToda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha. Agustina Bessa-Luís A cidade escreve-se com uma linha de pedra: para guardar, para separar, para afirmar. A Fernandina apertou o Porto com portas e postigos, medindo o medo e a ambição, o dentro e o fora. Hoje sobra em fragmentos – uma escada, um pano de muro, um vão discreto para o Douro – e ainda assim cumpre o essencial: lembrar que o Porto cresceu a defender-se, e a marcar o seu lugar.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisAcordes da guitarra que forja o horizonte, que guia o sinuoso voo das gaivotas e acaricia a pele que rasga atalhose atalhos no interior dos sonhos. Estarei vivo enquanto assim me guardar teu coração. Egito Gonçalves O que nos liga a uma cidade? O que nos faz pertencer a um lugar? O que nos leva a identificarmo-nos com as ruas, com as pedras, com as gentes e as paisagens? Porque nos falta a chuva miudinha que continua a cair numa longínqua infância? O corpo vai para onde for preciso, mas o coração bate ao ritmo dos primeiros passos – das primeiras futeboladas, das primeiras saídas à noite – como se a cidade, mesmo longe, nos chamasse ainda pelo nome
Ver maisAli o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos. Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Sophia De Mello Breyner Duas ribeiras que namoram à distância de um mesmo Douro - a partir do Porto e de Gaia, dois autores com fortes ligações ao território e aos seus habitantes vão conversar sobre o que os aproxima e os separa, sobre o rio que passa e o rio que já passou, sobre duas cidades rasgadas pelas águas e unidas por muitas pontes.
Ver maisNão há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade. António José Seguro “Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua”, a cidade do Porto sempre a teve e sempre fez questão de lhe chamar sua. Contra os desmandos do poder, contra o absolutismo, contra o centralismo, contra qualquer ameaça que ponha em causa a sua independência e a sua identidade. O Porto é uma cidade de pensamento, de indústria, de resistência e de criatividade, mais do que um arranjo de pedras e gente, é um atravessar de vozes que gritam liberdade.
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