{"id":7924,"date":"2021-08-30T16:19:17","date_gmt":"2021-08-30T16:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/museudoporto.pt\/?post_type=resource&#038;p=7924"},"modified":"2021-10-01T17:54:26","modified_gmt":"2021-10-01T17:54:26","slug":"nuno-faria-em-entrevista-os-museus-passam-por-fases-de-transformacao-ao-longo-do-tempo","status":"publish","type":"resource","link":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/recurso\/nuno-faria-em-entrevista-os-museus-passam-por-fases-de-transformacao-ao-longo-do-tempo\/","title":{"rendered":"Nuno Faria em entrevista: \u201cOs museus passam por fases de transforma\u00e7\u00e3o ao longo do tempo\u201d"},"content":{"rendered":"","protected":false},"featured_media":7925,"template":"","resource_category":[7],"class_list":["post-7924","resource","type-resource","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","resource_category-noticias"],"acf":{"previous_link":{"label":"Descobertas arqueol\u00f3gicas encontram Reservat\u00f3rio, a primeira esta\u00e7\u00e3o do MdC","link":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/recurso\/descobertas-arqueologicas-encontram-reservatorio-a-primeira-estacao-do-mdc\/"},"next_link":{"label":"Visita orientada, jogos tradicionais e coros de 17 munic\u00edpios este s\u00e1bado no Parque da Pasteleira","link":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/recurso\/visita-orientada-jogos-tradicionais-e-coros-de-17-municipios-este-sabado-no-parque-da-pasteleira\/"},"file":false,"content":[{"acf_fc_layout":"news","number":"18","media":{"type":false,"image":{"ID":7926,"id":7926,"title":"_AAF1582 - co\u0301pia","filename":"AAF1582-co\u0301pia-scaled-e1630340225127.jpg","filesize":216399,"url":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-scaled-e1630340225127.jpg","link":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/_aaf1582-copia-2\/","alt":"","author":"11","description":"","caption":"","name":"_aaf1582-copia-2","status":"inherit","uploaded_to":0,"date":"2021-08-30 16:16:34","modified":"2021-08-30 18:51:29","menu_order":0,"mime_type":"image\/jpeg","type":"image","subtype":"jpeg","icon":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-includes\/images\/media\/default.png","width":2560,"height":1707,"sizes":{"thumbnail":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-150x150.jpg","thumbnail-width":150,"thumbnail-height":150,"medium":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-300x200.jpg","medium-width":300,"medium-height":200,"medium_large":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-768x512.jpg","medium_large-width":640,"medium_large-height":427,"large":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-1024x683.jpg","large-width":640,"large-height":427,"ufg_200_200":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-scaled-e1630340225127.jpg","ufg_200_200-width":200,"ufg_200_200-height":133,"ufg_300_300":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-scaled-e1630340225127.jpg","ufg_300_300-width":300,"ufg_300_300-height":200,"ufg_400_400":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-scaled-e1630340225127.jpg","ufg_400_400-width":400,"ufg_400_400-height":267,"1536x1536":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-1536x1024.jpg","1536x1536-width":1536,"1536x1536-height":1024,"2048x2048":"https:\/\/museudoporto.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/AAF1582-co\u0301pia-2048x1365.jpg","2048x2048-width":2048,"2048x2048-height":1365}},"gallery":false},"content":"<p><strong>Em entrevista ao \u201cPorto.\u201d, o diretor art\u00edstico do Museu da Cidade, Nuno Faria, apresenta a Extens\u00e3o do Romantismo, que abriu na passada sexta-feira, no primeiro dia Feira do Livro do Porto, depois de uma remodela\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o profundas do projeto. Explica os fundamentos da nova conce\u00e7\u00e3o do museu e levanta o v\u00e9u sobre o programa para o projeto, que tem como principais premissas o envolvimento da comunidade e das fam\u00edlias, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu na Galeria da Biodiversidade, museu da Universidade do Porto que repensou todo o conceito para abrir as suas portas \u00e0 cidade, numa agenda program\u00e1tica que estimula o conhecimento e o pensamento cr\u00edtico, mas que tamb\u00e9m oferece um conjunto de atividades a pensar nas fam\u00edlias. O esp\u00f3lio do antigo Museu Rom\u00e2ntico foi recolhido para ser novamente apresentado noutros espa\u00e7os do Museu da Cidade, mas a sua matriz rom\u00e2ntica \u2013 essa \u2013 continua viva por toda a casa, com a vantagem de agora n\u00e3o haver baias a delimitar os espa\u00e7os que, invariavelmente, remetiam para uma encena\u00e7\u00e3o teatral de um quotidiano burgu\u00eas que ali n\u00e3o perdurou muito tempo. Todas as montagens ser\u00e3o sazonais, imprimindo dinamismo \u00e0 sua matriz conceptual. Na primeira montagem, \u201cQuando a Terra voltar a Brilhar Verde para Ti\u201d, que j\u00e1 foi visitada pelo Presidente da Rep\u00fablica, est\u00e3o programadas visitas guiadas. Entre as pe\u00e7as em destaque, Nuno Faria sinaliza o Herb\u00e1rio de J\u00falio Dinis, \u201co mais rom\u00e2ntico dos objectos e o mais portuense dos escritores deste per\u00edodo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O antigo Museu Rom\u00e2ntico da Quinta da Macieirinha deu lugar \u00e0 Extens\u00e3o do Romantismo do Museu da Cidade. Que novo conceito museol\u00f3gico temos para o espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, importa dizer que n\u00e3o queremos apagar a mem\u00f3ria do Museu Rom\u00e2ntico, que existiu durante 50 anos com altera\u00e7\u00f5es mais ou menos not\u00f3rias \u2013 aspeto que, desde logo, se torna vis\u00edvel na op\u00e7\u00e3o de mantermos a designa\u00e7\u00e3o de Extens\u00e3o do Romantismo &#8211; antigo Museu Rom\u00e2ntico, ou de no interior termos mantido alguns dos elementos da anterior montagem que continuavam a remeter para as possibilidades de leitura que s\u00e3o afins do nosso programa, nomeadamente os pain\u00e9is de parede da sala de entrada. O Museu Rom\u00e2ntico cumpriu um papel importante que achamos que j\u00e1 n\u00e3o cumpre.<\/p>\n<p>Esta remodela\u00e7\u00e3o significa um corte com o passado em termos museol\u00f3gicos, sim, mas n\u00e3o significa um menor interesse ou uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Romantismo na cidade, no pa\u00eds ou noutros pontos da Europa. Bem pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que medida?<\/strong><\/p>\n<p>Gostava de recordar que a pe\u00e7a central desta nova montagem, para a qual todas as outras pe\u00e7as concorrem, \u00e9 o Herb\u00e1rio de J\u00falio Dinis: o mais rom\u00e2ntico dos objectos e o mais portuense dos escritores deste per\u00edodo, pelo que a nossa entrega ao estudo ao que do passado ainda se nos apresenta como eterna li\u00e7\u00e3o \u00e9 total.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que vai ser feito ao esp\u00f3lio do antigo Museu Rom\u00e2ntico?<\/strong><\/p>\n<p>Os museus passam por fases de transforma\u00e7\u00e3o ao longo do tempo \u2014 no caso do antigo Museu Rom\u00e2ntico reconstituia uma casa da burguesia portuense, onde viveu, brevemente, um rei oriundo de um pa\u00eds estrangeiro, Carlos Alberto, Rei da Sardenha e Duque de Sab\u00f3ia.<\/p>\n<p>Justamente sobre o esp\u00f3lio que agora foi recolhido importa esclarecer que h\u00e1 duas situa\u00e7\u00f5es em apre\u00e7o. As pe\u00e7as que s\u00e3o propriedade do Munic\u00edpio do Porto est\u00e3o, neste momento, devidamente acondicionadas em espa\u00e7os dedicados \u00e0 Reserva Municipal. Tratam-se de incorpora\u00e7\u00f5es por compra ou doa\u00e7\u00e3o, desde os anos 70 do s\u00e9c. XX at\u00e9 ao s\u00e9c. XXI, que v\u00eam sendo objecto de estudo, conserva\u00e7\u00e3o e inventaria\u00e7\u00e3o. Por outro lado, existem pe\u00e7as de entidades externas, que estavam em dep\u00f3sito e que se encontram em processo de devolu\u00e7\u00e3o (processo esse que j\u00e1 se iniciou h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos).<\/p>\n<p>O Museu da Cidade integra na sua equipa t\u00e9cnicos que t\u00eam um profundo conhecimento material e formal das pe\u00e7as que constituem as colec\u00e7\u00f5es municipais e que cuidam da sua preserva\u00e7\u00e3o, estudo e apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De resto, para mem\u00f3ria futura, foram produzidos documentos sobre o Museu Rom\u00e2ntico, textuais ou visuais, que preservam a mem\u00f3ria desta casa, cujas pe\u00e7as e dispositivos c\u00e9nicos ali apresentados foram estudados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 prevista a exibi\u00e7\u00e3o desse esp\u00f3lio noutros moldes?<\/strong><\/p>\n<p>Pensamos o Museu da Cidade como um conjunto de salas dispostas ao longo de todo o territ\u00f3rio da cidade e, no que se refere ao esp\u00f3lio do antigo Museu Rom\u00e2ntico, apostamos em desloca\u00e7\u00f5es das pe\u00e7as por espa\u00e7os do Museu que est\u00e3o inscritos no Eixo Romantismo, a saber: Casa Marta Ortig\u00e3o Sampaio, Casa Guerra Junqueiro e Ateli\u00ea Ant\u00f3nio Carneiro (atualmente em fase de arranque da interven\u00e7\u00e3o que vai repor a tra\u00e7a original do espa\u00e7o), para al\u00e9m da pr\u00f3pria Extens\u00e3o do Romantismo, naturalmente.<\/p>\n<p>Preservar a mem\u00f3ria das coisas, dos objetos, dos h\u00e1bitos, das tradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o passa necessariamente por encapsul\u00e1-las, preserv\u00e1-los em formol, congel\u00e1-las num tempo j\u00e1 passado, j\u00e1 sem vida, j\u00e1 sem corpos, sem respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resolvida essa quest\u00e3o que Extens\u00e3o do Romantismo temos?<\/strong><\/p>\n<p>Tal como foi concebida, esta nova era do Museu trabalhar\u00e1 em largo espectro sobre o Romantismo, ou os romantismos, no plural, quer art\u00edsticos, quer liter\u00e1rios, quer musicais, no Porto e para al\u00e9m dele. Ainda mais do que um espa\u00e7o expositivo, a Extens\u00e3o do Romantismo ser\u00e1 um espa\u00e7o performativo, em que haver\u00e1 uma constante programa\u00e7\u00e3o musical, que incluir\u00e1 sempre apresenta\u00e7\u00f5es, em forma de conversa ou de palestra, com especial enfoque na produ\u00e7\u00e3o musical do Porto, sobretudo na \u00e9poca rom\u00e2ntica. Iremos, com a ajuda de especialistas, desenvolver uma pedagogia musical integrada, promovendo o contacto com as obras e, em contexto, pensar as condi\u00e7\u00f5es da sua emerg\u00eancia e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O mesmo acontecer\u00e1 com as exposi\u00e7\u00f5es, que ser\u00e3o dedicadas a temas t\u00e3o diversos quanto o hiper-romantismo, que em Portugal teve sobretudo incid\u00eancia no Porto, a apresenta\u00e7\u00e3o de pintura de autores rom\u00e2nticos, pr\u00e9 ou p\u00f3s-rom\u00e2nticos da cole\u00e7\u00e3o do Museu da Cidade, a apresenta\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o de t\u00eaxteis do Museu, nunca antes apresentada como um todo, mas tamb\u00e9m obras de autores vivos que actualizem formas rom\u00e2nticas de viver ou conceber o nosso lugar no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A primeira montagem foca precisamente o Romantismo.<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Nesta montagem, intitulada \u201cQuando a Terra voltar a Brilhar Verde para Ti\u201d, apresentamos obras de autores vivos, tais como Rui Chafes, o mais digno herdeiro da tradi\u00e7\u00e3o do Romantismo Alem\u00e3o na arte portuguesa contempor\u00e2nea, Ilda David\u2019, Manuel Rosa ou Jos\u00e9 Almeida Pereira, amparados por nomes como J\u00falio Dinis ou Teixeira de Pascoaes. Desde o in\u00edcio do projeco que o tema da rela\u00e7\u00e3o do Museu com a natureza se imp\u00f4s mais do que como uma evid\u00eancia, como uma urg\u00eancia: &#8216;como n\u00e3o pensar hoje o Museu como um lugar em extin\u00e7\u00e3o, num mundo que \u00e9 um lugar em extin\u00e7\u00e3o?&#8217;. Nesse sentido, elegemos como mote da primeira montagem justamente o tema privilegiado da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica rom\u00e2ntica, o mundo natural, que se alinha com uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es do mundo atual: a crise ecol\u00f3gica e a rela\u00e7\u00e3o homem-natureza.<\/p>\n<p>Concretamente, mas tamb\u00e9m metaforicamente, abrimos as janelas desta casa de campo ao jardim circundante, trazendo para dentro dela o tempo presente, dos acontecimentos, e n\u00e3o, como acontecia, fechada sobre si pr\u00f3pria, cortinas e estores corridos, como se o museu n\u00e3o devesse ser perme\u00e1vel ao tempo em que se inscreve, o tempo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Est\u00e3o programadas visitas guiadas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, eu pr\u00f3prio farei as visitas guiadas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o todos os dias da semana de ter\u00e7a a sexta-feira, pelas 11:30 horas, durante o per\u00edodo da Feira do Livro. Para al\u00e9m disso, haver\u00e1 visitas conduzidas todos os dias \u00e0s 11:30 e 15:30. Com o hor\u00e1rio prolongado para a Feira do Livro do Porto, as visitas decorrem tamb\u00e9m \u00e0s 20:30 e a entrada \u00e9 gratuita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E depois desta exposi\u00e7\u00e3o, o que se seguir\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Faremos com o Romantismo o que fizemos com o Liberalismo, efetivando convites a especialistas que trabalhar\u00e3o com a equipa do Museu \u2014 dando como exemplo a exposi\u00e7\u00e3o e o livro \u201c1820\u201d, realizados com o Professor Lopes Cordeiro, cujo rigor hist\u00f3rico foi, a par com uma apresenta\u00e7\u00e3o expositiva cuidada, alinhada com par\u00e2metros museol\u00f3gicos contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>O Museu ter\u00e1 uma exist\u00eancia din\u00e2mica, com remontagens sazonais, e um programa musical constante ao ponto de entendermos este espa\u00e7o tamb\u00e9m como um espa\u00e7o performativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O antigo Museu Rom\u00e2ntico n\u00e3o cumpria a sua fun\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o era poss\u00edvel prolongar mais a vis\u00e3o que ali se perpetuava e que teve o seu tempo de exist\u00eancia. O antigo Museu Rom\u00e2ntico \u00e9 a tipologia de museu que n\u00e3o queremos, um lugar que \u00e9 um cen\u00e1rio, um mausol\u00e9u, que nos devolve uma cenografia, toda ela artificial. Um museu n\u00e3o \u00e9 uma pe\u00e7a teatral, n\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio de \u00f3pera. Ora, incomodava-me muito uma caracter\u00edstica da montagem do antigo museu, que era ter-se tornado, sobretudo a partir da \u00faltima remodela\u00e7\u00e3o, um lugar que exercia verdadeiro distanciamento social e induzia a uma experi\u00eancia desanimadora de clivagem social, pela forma como, apresentando uma certa forma de vida de classes sociais da alta burguesia, vincava, pelas op\u00e7\u00f5es de montagem, a sua inacessibilidade aos visitantes, sobretudo jovens alunos em visitas escolares, cuja \u00fanica forma de aceder \u00e0s diferentes divis\u00f5es era espreitar por detr\u00e1s das baias que barravam cada uma das salas do espa\u00e7o que correspondiam a divis\u00f5es hipot\u00e9ticas de uma casa. N\u00e3o queremos isso, achamos que h\u00e1 outras formas de fazer pedagogia no \u00e2mbito dos museus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Afastava em vez de aproximar?<\/strong><\/p>\n<p>De facto, durante o processo de reflex\u00e3o sobre o futuro desta esta\u00e7\u00e3o do Museu da Cidade \u2013 processo longo e muito reflectido, debatido com pessoas da equipa e externas \u00e0 equipa \u2013, fui perguntando a variad\u00edssimas pessoas h\u00e1 quanto tempo n\u00e3o visitavam o Museu Rom\u00e2ntico e as respostas foram surpreendentes: a maior parte dentre elas h\u00e1 10, 20 ou 30 anos, outras indo uma vez e n\u00e3o tendo curiosidade de ali voltarem, outras acusando o anacronismo e a artificialidade do mosaico em que se constitui a decora\u00e7\u00e3o, representando, de alguma forma, um exemplar de casa rom\u00e2ntica portuense cruzada com a evoca\u00e7\u00e3o da breve passagem que ali fez um Rei de um Estado Europeu.<\/p>\n<p>Tudo isto configura, naturalmente, uma vis\u00e3o demasiado estreita e parcial do que ter\u00e1 sido o Romantismo na cidade e, ainda menos, em Portugal. Poder\u00edamos questionar o motivo pelo qual durante cerca de cinquenta anos se resolve dar destaque museol\u00f3gico a uma figura de uma monarquia estrangeira em detrimento de escritores rom\u00e2nticos portugueses que viveram e criaram a cidade desse tempo. Parecia-nos desde o primeiro momento em que tomamos a miss\u00e3o de reinventar a ideia de um museu para a cidade, que aquilo que aqui se estava a ocultar por omiss\u00e3o era muito mais relevante do que aquilo por que se optava mostrar. Em especial por habitarmos a cidade onde se fizeram escritores e outros artistas de esp\u00edrito rom\u00e2ntico como J\u00falio Dinis, Ramalho Ortig\u00e3o, Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Agustina Bessa-Lu\u00eds, Alexandre Herculano, Florbela Espanca, Ant\u00f3nio Carneiro, Aur\u00e9lia de Sousa, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O novo projeto pretende ent\u00e3o contrariar essa vis\u00e3o estreita sobre o Romantismo?<\/strong><\/p>\n<p>Com o repensamento e remodela\u00e7\u00e3o do Museu da Cidade, cujo programa passa por ligar espa\u00e7os t\u00e3o heter\u00f3clitos e t\u00e3o radicalmente diferentes entre si, a Extens\u00e3o do Romantismo ser\u00e1 um lugar em que se repensa a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito rom\u00e2ntico como sendo trans-hist\u00f3rica, atemporal e, por isso mesmo tamb\u00e9m \u2013 e muito \u2013 contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Queremos que esta casa \u2013 que, diga-se, transform\u00e1mos num espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o particularmente qualificado \u2013 seja um lugar de encontro, de discuss\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o da comunidade. Por esse motivo, J\u00falio Dinis apresenta-se aqui como o primeiro dentre os muitos motivos que contemplamos para o encontro, sempre pela m\u00e3o das obras dos autores em que nos apoiamos para ver melhor a cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cQuando a Terra voltar a Brilhar Verde para Ti\u201d fica em exibi\u00e7\u00e3o na Extens\u00e3o do Romantismo at\u00e9 27 de fevereiro de 2022.<\/strong><\/p>\n<h2>HOR\u00c1RIO<\/h2>\n<p><strong>Ter\u00e7a\u2014Domingo\u00a0<\/strong>10H\u201417H30<\/p>\n<p>S\u00e1bado e domingo: 10 \u00e0s 21 horas (hor\u00e1rio alargado durante a Feira do Livro do Porto)<\/p>\n<h2>BILHETES<\/h2>\n<p>Entrada gratuita durante a Feira do Livro do Porto. Ap\u00f3s o evento, a entrada permanece gratuita para os detentores do cart\u00e3o \u201cPorto.\u201d.<\/p>\n"}],"breadcrumb":[{"page":"Guardar"},{"page":"Not\u00edcias"}]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/resource\/7924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/resource"}],"about":[{"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resource"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"resource_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museudoporto.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/resource_category?post=7924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}