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«A IDADE DA TERRA», DE GLAUBER ROCHA

BIBLIOTECA MUNICIPAL ALMEIDA GARRETT

«…[C]om o filme «A Idade da Terra», eu já estava mais ligado aos rituais primitivos, quer dizer, ao teatro do irracional que é o teatro popular, mas já não no sentido de documento histórico, político ou etnográfico, mas no sentido órfico, quer dizer, no sentido de pegar naquela matéria e transformá-la numa matéria audiovisual. (…) «A Idade da Terra» reflete essa luta entre a história e a fantasia solta, deixando ver o que é que a fornalha do inconsciente produz em contacto com aquela matéria cultural, como é que aquilo se pode transformar e como é que o cinema pode captar aquilo. Está mais próximo de um poema solto, um poema em verso livre. (…) Acho que em «A Idade da Terra» coloco um problema de crença porque, de certa forma, o filme investe numa espécie de cristandade, mas uma cristandade descristificada. O meu Cristo não morre, não vai crucificado. (…) Tive prazer a fazer o filme, foi o único filme que não me torturou e que, depois, tive prazer em ver. (…) Porque eu acredito que a obra de arte é um produto da loucura, no sentido em que fala o Fernando Pessoa, que fala o Erasmo, quer dizer, a loucura como a lucidez, a libertação do inconsciente.» (Palavras de Glauber Rocha – excertos de uma entrevista a João Lopes)

 

Glauber Rocha (1939-1981) foi um dos grandes e mais vivos criadores do Cinema Novo brasileiro, na senda de Nelson Pereira dos Santos, com quem começou a trabalhar. Grande polemista e crítico de cinema, desde os finais dos anos 1950, um dos seus ensaios-panfletos mais célebres é «Eztétyka da fome» (1965). Na sua filmografia mais significativa incluem-se «Barravento» (1961), «Deus e o diabo na terra do sol» (1964), «Terra em transe»(1967), «O dragão da maldade ou o santo guerreiro (António das mortes)» (1968), «Cabeças cortadas» (1970), «O leão de sete cabeças» (1970) e «A Idade da Terra» (1980).

 

João Sousa Cardoso é doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Paris-Descartes (Sorbonne), membro associado do Centre de Recherches Interdisciplinaires sur le Monde Lusophone, da Universidade de Paris Nanterre e docente na Universidade Lusófona. Publicou os livros «Teatro Expandido!» (2016), «Sequências Narrativas Completas», que encenou a partir de Álvaro Lapa (TNDM II, 2019), e «A Espanha das Espanhas» (2020). Escreve regularmente ensaio para a revista «Contemporânea» e o jornal «Público».

 

BILHETES

Entrada livre, sujeita à lotação do espaço, com abertura de portas 30 minutos antes da sessão.

ENDEREÇO

Jardins do Palácio de Cristal
Rua de Dom Manuel II
4050-239 Porto

AUTOCARRO

1M, 200, 201, 207, 208, 302, 303, 501, 507, 601, ZM, 12M, 13M
Circular Massarelos – Carmo

ESTACIONAMENTO

Palácio de Cristal