REVOLUÇÃO, JÁ!

Em 2024 assinalam-se os 50 anos da Revolução do 25 de Abril.

Escapando a um cliché evocativo ou a um ritual puramente celebratório, o Museu e Bibliotecas do Porto propõem um programa de pensamento e participação, de criação artística e literária, com carácter público, procurando inscrever a ideia e a experiência de revolução num sentido de emergência e futuro.

“Revolução, Já!” é o mote, em jeito de grito coletivo, desse programa e a assinatura do conjunto das iniciativas a desenvolver, tendo por campo de visão revoluções em curso na contemporaneidade – revoluções que, alimentando-se de imaginários de revoluções passadas, nos poderão conduzir a novas utopias ou distopias, novas ordens ou rebeliões, e reconfigurar profundamente as condições de possibilidade humanas no futuro.

A programação desenvolve-se através de uma iniciativa inédita de “Poesia Pública” (com 50 poetas), tendo por signo a Revolução; um novo “Fórum do Futuro”, constituído por um ciclo de 10 conferências nacionais e internacionais, visando as revoluções nas esferas da Política, Ciência, Arte, Economia, Natureza e História, a que se associa um ciclo de cinema que interroga a sétima arte como revolução e memória de revoltas; e um programa artístico comunitário com três estabelecimentos prisionais da cidade, em torno da ideia ou experiência de liberdade.

Estes 4 eixos são complementados por um conjunto de iniciativas especificamente subordinadas à Revolução de Abril ou a revoluções que mudaram Portugal e o Mundo, entre as quais duas exposições do Museu do Porto, três cursos breves das Bibliotecas Municipais, duas sessões especiais do ciclo de conversas “Um Objeto e seus Discursos” e recitais de música.

O comissariado do programa “Revolução, Já!” é de Jorge Sobrado e José Augusto Bragança de Miranda.

O programa tem entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços. Os bilhetes encontram-se disponíveis nos balcões do Museu e Bibliotecas do Porto, nas 48h que antecedem cada evento. Limite de 2 bilhetes/pessoa.

POESIA PÚBLICA

ABR

50 Autores, 50 Poemas

10

Convidámos 50 poetas portugueses (muitos deles portuenses) para se associarem a esta iniciativa, através da criação de um poema inédito, destinado a um dupla trajetória: o de integrar uma obra original de poemas inspirados no imaginário, experiência, desejo ou pulsão de Revolução – ou de uma revolução, em concreto, em Abril ou aqui e agora; e o de uma pulverização de frases poéticas na cidade, em modo anónimo, ao permitirem que um trecho ou conjunto de versos, escolhidos pelos curadores, circule no espaço comum, nomeadamente através de mupis publicitários da cidade do Porto.

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FÓRUM DO FUTURO

MAR

CHEGÁMOS AO ANTROPOCENO. COMO PENSAR A ROTA DE COLISÃO ENTRE OS TEMPOS DA HISTÓRIA E DA NATUREZA?

28

©José Alex Gandum

No ano 2000, o Prémio Nobel da Química, Paul Crutzen, propôs que a época geológica atual do Holoceno fosse considerada ultrapassada, sendo sucedida por uma novel época, o Antropoceno (ou Antropocénico). A ação humana transformou-se, desde há dois séculos, crescentemente, no mais poderoso fator de alteração do Sistema Terrestre, incluindo o software profundo e complexo dos fluxos de matéria e energia que permitem a singularidade cósmica da vida pujante do Planeta Terra. Pela primeira vez, a veloz temporalidade histórica e a lenta maturação do tempo geológico inverteram a sua relação, numa convergência que aparenta ser uma rota de colisão de dimensões catastróficas, sem paralelo na memória da humanidade. Para impedir esse trágico desfecho existencial será necessário, antes de qualquer medida pragmática ou técnica, aprendermos a pensar o que está em causa. É sobre esse esforço, doloroso e fundamental, que incidirá esta conferência.

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ABR

Revolucionar o nosso Autorretrato. O que é preciso para superar a era da crise

19

© Sabine Vielmo

Na sua palestra, Markus Gabriel argumentará que precisamos de nada menos que um Novo Iluminismo para superar a atual era de crises complexas e interligadas. O conferencista defende que chegamos a um momento em que a esperança por mudanças sociais radicais e positivas parece utópica e impossível de alcançar – tal é a natureza de um momento imediatamente antes de as revoluções acontecerem. A próxima revolução através da qual se pode esperar superar a condição crítica do momento presente não pode ser meramente política de forma direta. Pelo contrário, Gabriel defende que precisamos de uma revolução do nosso autorretrato, como seres humanos animais, uma compreensão inovadora de como encaixamos na natureza e, ainda assim, não pertencemos totalmente a ela. Markus Gabriel apresentará os contornos de uma nova antropologia com o objetivo de abrir a imaginação a práticas concretas de construção de um futuro revolucionário.

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MAI

HAVERÁ ALGUM ANTÍDOTO PARA O "INFERNO DO NOVO"?

02

Maria Filomena Molder ©Nuno Noronha Almendra

Maria Filomena Molder não está certa de que o «inferno do novo», sobre o qual Baudelaire instruiu Benjamin, seja uma versão arcaica da chamada arte revolucionária. Aliás, naquela expressão, a palavra «novo» pede uma palavra oposta e só em relação a ela se pode compreender de que inferno se trata. Essa palavra é «antigo». Portanto, estamos no coração de uma temporalidade histórica. Ora, esse par de opostos já não faz parte do vocabulário existencial de ninguém a não ser como documento de antiquário. Em todo o caso, e tirando as consequências, Molder irá, nesta conferência, persistir na pergunta que lhe dá título, de modo a pôr à prova a sua ideia de que a expressão «arte revolucionária» pode servir vários finalismos sociológicos, políticos e históricos, mas não toca no enxame de obscuridades que as obras de arte costumam engendrar.

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MAI

O novo regime das inclinações políticas da arte

30

©Nuno Ferreira Santos

A politização da arte, isto é, a arte elaborada e difundida de modo a deduzir-se dela uma intenção política clara, respondendo a reivindicações, problemas e preocupações da nossa época – de onde se ausentou o imaginário da revolução e as suas próprias condições de possibilidade – ganhou uma nova forma, batizada com um nome que é um neologismo: «Artivismo». A difícil relação entre arte, política e compromisso encontra aqui matéria abundante para pensar o que na arte é ainda capaz de reativar a abertura ao devir e ao potencial do tempo; e para repensar um conceito fundamental da estética do século XX: o conceito de autonomia.

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JUL

AS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS EXISTEM MESMO? PARADIGMAS, ÉPISTÉMÈ E SEUS CONCORRENTES.

11

Philippe Huneman ©DR

Em The structure of scientific revolutions, Thomas Kuhn desconstruiu a antiga crença no progresso contínuo da ciência, ao argumentar que a ciência procede maioritariamente através do estabelecimento e posterior revolução de «paradigmas», nomeadamente conjuntos de métodos, crenças ontológicas, exemplos-chave e valores de vários tipos. Em consonância com a ideia geral da épistémologie historique francesa, radicalizada quase ao mesmo tempo por Michel Foucault, ao discutir as mudanças descontínuas na épistémè, esta explicação levanta dois grandes desafios. Em primeiro lugar, dado que a ciência, ao contrário de outras produções culturais, parece estar indexada a uma norma de verdade, espera-se uma possibilidade constante de comparar os pontos de vista científicos com referência a essa norma, em oposição à incomparabilidade implicada por relatos que invocam mudanças de paradigmas ou épistémè. Em segundo lugar, embora os «paradigmas» ou épistémé constituam formações de alto nível em comparação com as hipóteses ou teorias, podemos discordar do papel fundamental que Kuhn ou Foucault lhes atribuem no seio das ciências. Depois, se forem consideradas outras unidades de análise da atividade científica, a impressão de uma revolução pode dissipar-se, revelando-se o problema de ter de escolher qual o nível de análise mais relevante para captar a dinâmica científica.

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JUL

Redes sociais: uma ameaça à democracia?

26

Arlindo Oliveira ©DR

As redes sociais, ao competirem ferozmente pela atenção dos consumidores, podem representar uma ameaça à democracia, influenciando a forma como as informações circulam e são percebidas pelo público. Esta busca incessante pela atenção dos consumidores favorece a disseminação de notícias falsas e conteúdos polarizadores, comprometendo o debate público saudável e informado, essencial para o funcionamento democrático. A personalização extrema dos conteúdos pode criar câmaras de eco, onde os utilizadores são expostos apenas a informações que reforçam as suas pré-conceções, dificultando o diálogo entre diferentes perspetivas e, consequentemente, enfraquecendo os pilares da democracia, que se baseiam na pluralidade de ideias e no debate construtivo. Nesta apresentação, discutirei essa dinâmica e a forma como ela afeta a sociedade assim como possíveis soluções que podem ser adotadas para mitigar os seus efeitos negativos.

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SET

TU QUE TRABALHAS, COMO TE CHAMAS?

26

©Alain Deroudhile

Nesta apresentação, Catherine Malabou analisará o desaparecimento gradual das diferentes denominações dos trabalhadores (proletários, massas laboriosas, incluindo os próprios trabalhadores) devido à ênfase neoliberal no trabalho como um valor em si e a uma dissolução dos sujeitos do trabalho. Em vez de defender novos nomes, Malabou insistirá na forma como a ausência de nome pode ser considerada uma força de resistência, o que a levará a explorar o novo potencial revolucionário do anarquismo atualmente.

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OUT

EMANCIPAÇÃO E SUBJUGAÇÃO (AFTER ALL THESE YEARS)

31

Nada garante que uma revolução transforme formas de pensar. A forma como pensamos sobre o que é para um humano ser humano dá forma ao que pensamos ser, ou poder ser, emancipação. Nesta apresentação, Sofia Miguens discute a forma como a filósofa americana Cora Diamond relaciona formas específicas de tomar o conceito de humano com ideias acerca de ‘subjugação natural’ que podem persistir muito para além de transformações legais e políticas.

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NOV

O DESEJO DE UMA REVOLUÇÃO: UMA ALTERNATIVA À ECONOMIA NEOLIBERAL DAS PAIXÕES TRISTES

28

©Daniele Molajoli

A revolução portuguesa de 1974 é a última revolução “moderna” na Europa Ocidental (a queda do Muro de Berlim, na minha opinião, já pertence a uma modalidade diferente). Na verdade, uma revolução política moderna é aquela que conduz a uma mudança radical de regime. A partir daí, a revolução no Ocidente passa a ser apresentada principalmente como “transição” – como desenvolvimento, modernização, inovação no sentido do progresso tecnológico mais do que social ou político – e não como convulsão, um derrube da ordem existente. António Gramsci descreveu este movimento “de cima para baixo” como “revolução passiva”. Não é de todo coincidência que a revolução portuguesa tenha ocorrido na época dos movimentos sociais das décadas de 1960 e 1970 e no final da fase de desenvolvimento económico e, ao mesmo tempo, social, conhecida como os “Gloriosos Anos 30”. Foi precisamente em meados dos anos 70 que se lançaram as bases para a hegemonia do neoliberalismo e do modo de produção pós-fordista, como uma combinação de conservação e progresso. Em suma, a era em que a revolução política era portadora de progresso e a conservação era a reação a esta força motriz da história, chegou ao fim. O desejo de um mundo e de uma sociedade radicalmente diferentes cede lugar ao medo de perder posições adquiridas individualmente. É então a economia, como administração da ordem, que converte permanentemente este desejo em necessidades que só podem ser satisfeitas dentro desta ordem, desde que não sejam dadas alternativas. Se a economia neoliberal das necessidades está a espalhar cada vez mais paixões tristes nos países ocidentais, o desejo de um mundo e de uma vida alternativos assume as características ameaçadoras da catástrofe, do fim iminente – de crise em crise – do mundo em que vivemos. Como é que este medo se pode transformar em entusiasmo, a ansiedade da catástrofe em desejo de revolução?

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DEZ

Para uma crítica da economia generalizada

19

©Ricardo Geraldes

Visa-se revitalizar o conceito de “economia generalizada” proposto por Georges Bataille, desenvolvido por Klossowski e outros autores, que tem como caraterística essencial o reconhecimento de que as leis do Oikos são plurais e tensionais. É sabido que Marx procurou demonstrar, em Das Kapital, que a forma-capital da economia se generalizou de tal modo que é a “essência” da modernidade.
De facto, a forma-capital está em crise permanente, se não é ela própria a crise por excelência, mas não deixa de ser uma economia “limitada”. Algo de essencial está em causa nesta limitação.   
Restringi-la ou limitá-la significa valorizar formas como a economia da dádiva, a economia política, a economia do reconhecimento ou a economia ecológica e, ao mesmo tempo, criar um amplo espaço analítico e político de negociação e conflito entre as várias formas que consubstanciam a “economia generalizada” de maneira concreta e institucional, procurando tornar possíveis outras relações entre economia e vida. 

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OUTRAS REVOLUÇÕES

MAR

«LES AMANTS RÉGULIERS» (Os Amantes Regulares), de Philippe Garrel

21

O filme tem um prólogo e quatro capítulos – as esperanças do fogo; as esperanças fuziladas; os surtos da amargura; o sono dos justos – descrevendo uma espécie de trajeto que vai da esperança à desolação. Entre o gás lacrimogéneo e os vapores de ópio, Philippe Garrel filma, num preto e branco deslumbrante (fotografia de William Lubtchansky), as noites impetuosas de um grupo de jovens de 20 anos em pleno Maio de 68. Sombras alucinadas, olhares embaciados, rostos intensos e cheios de amor nascente, as personagens libertam uma beleza de um outro tempo. No meio disso, um amor louco entre uma rapariga e um rapaz que reparam um no outro durante a insurreição. Todos os atores do grupo têm consciência de que foram filmados por um génio, o equivalente contemporâneo de Murnau, e que este filme é a nossa Aurora (Clothilde Hesme, atriz no filme, numa nota de apresentação da Cinémathèque Française).  

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ABR

«BRANDOS COSTUMES», de Alberto Seixas Santos

11

O ponto de partida de “Brandos Costumes” é simples, linear, objectivo: dizer um nome, evocar uma imagem e pô-los — nome e imagem — em cena: S-A-L-A-Z-A-R. (João Lopes, do seu texto sobre «Brandos Costumes», em Alberto Seixas Santos, Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, 2016) 

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ABR

«DINA E DJANGO», de Solveig Nordlund

23

«Se há filmes em que a Revolução de 1974 é um eco em pano de fundo, este é certamente o mais literal desses exemplos. Na versão remontada por Solveig Nordlund em 1998 essa dimensão – a terceira do filme, para recorrermos a um termo então empregue pela realizadora – é sublinhada com a utilização de imagens documentais do 25 de Abril, intercaladas com a história de Dina e de Django, a partir de determinado momento do filme, logo depois de a patroa dar a notícia do golpe de Estado à Sra. Ana, abraçando-a efusivamente. Na versão publicamente conhecida até 1999, a presença dos acontecimentos da Revolução, a decorrer a par da ficção, era dada exclusivamente através de elementos sonoros em off. Agora, não que o sentido do filme se adense ou adquira outra espessura, mas através da montagem paralela sublinha-se esta perspetiva, acentuando-se, também, a solidão destes heróis dominados pelas frases dos livros de cordel, sem causa que não a sua, capazes de imunidade em relação ao exterior mesmo tratando-se de um momento de exceção.» (Excerto inicial da nota de apresentação de Maria João Madeira, Cinemateca Portuguesa) 

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MAI

«VIDEOGRAMME EINER REVOLUTION» (Videogramas de uma revolução), de H. Farocki e A. Ujica

23

© Harun Farocki/Andrei Ujica

«Entre 21 de Dezembro de 1989, o dia em que Nicolae Ceaucescu realizou o seu último discurso público, bruscamente interrompido por manifestantes, e 26 de Dezembro de 1989, o dia da transmissão do seu julgamento sumário pela televisão pública, as câmaras televisivas acompanharam incessantemente os mais importantes acontecimentos vividos em Bucareste que mudariam o curso da Roménia, pondo termo a uma das mais duras ditaduras europeias do século XX. Construído a partir da montagem dessas imagens televisivas que registaram o despontar da revolução e os dias que imediatamente se seguiram, Videogramme Einer Revolution é um filme extremamente concentrado no tempo que aborda esse momento particular da história. Mas se grande parte das imagens de base de Videogramme Einer Revolution correspondem às imagens filmadas pelos operadores da televisão romena cuja estação foi ocupada pelos revolucionários – e que se encarregaram de uma emissão transmitida em continuidade ao longo de 120 horas –, outras imagens amadoras juntar-se-ão a estas para as complementar, ou para levar mais longe um questionamento sobre um fora-de-campo, as suas falhas ou omissões.» (Excerto da nota de apresentação de Joana Ascensão, Cinemateca Portuguesa) 

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JUN

CATEMBE, NOW! (Já!), LES MAÎTRES FOUS (Os Mestres Loucos)

20

Catembe ©DR

 

«Catembe»

Filme (seria um filme) sobre o quotidiano de Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, que continha sequências de ficção sobre os amores de uma jovem mestiça com um pescador de Catembe, aldeia em frente a Maputo. Censurado em extremo e, por fim, proibido, não é bem um filme, mas é importante vê-lo, por isso.

 

«Now!»

Documentário com montagem visual surpreendente que procura evidenciar os problemas raciais nos Estados Unidos. Foi talvez a propósito deste filme que o próprio Santiago Alvarez disse: «Dêem-me duas fotografias, uma moviola e música, e eu faço um filme».

 

«Les maîtres fous»

Rodado no dia 15 de Agosto de 1954, na periferia de Accra, capital do actual Gana, revela aos nossos olhos um ritual exorcista, o culto de possessão dos espíritos hauka.

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JUL

WALDEN, de Jonas Mekas

18

«Walden» (1968), Jonas Mekas

Há em «Walden» uma espécie de prolongamento do trabalho de Dziga Vertov: há, digamos, uma realidade, um grupo de pessoas que, por exemplo, caminha numa rua; essa realidade tem vários aspetos e esses aspetos, por sua vez, têm vários aspetos, infinitamente. Todos eles, fragmentados, interferem pela montagem constantemente uns com os outros, de várias maneiras, sem antes, durante e depois dos gestos, sem antes, durante e depois do que se esboça, numa espécie de moinho onde tudo se liga a tudo. A interação de tudo é mais visceral em Mekas. E ele, à parte a sua crença, tem a sua maneira – a imagem é o resultado disso. Não há ninguém que surja zangado em «Walden», por exemplo. Só ele escolhe assim. Mekas fala às imagens, e isso é tão comovente! E temos também a presença intensa, bruta, do vento contra o microfone, que é bom de sentir. E a luz “flashada”, recortando a imagem, fazendo aparecer e desaparecer os rostos, os corpos que dançam, que são dançados por ela, envolvendo-os com um êxtase de marionetas. Só Jonas Mekas faz assim. Se alguém quiser saber, daqui a mil anos, o que é (foi) este mundo e o que são (foram) estas pessoas, será a partir de «Walden» que poderá ter alguma relação com isso.

 

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SET

«ZABRISKIE POINT» (DESERTO DE ALMAS), DE MICHELANGELO ANTONIONI

19

«Seja enquanto fantasia alegórica ou como ficção científica sobre o presente, o filme resulta numa meditação poética sobre uma América de sonho em estado de crise. […] Fazendo prodígios com os outdoors de L.A., a arquitetura high-tech, Death Valley e outros cenários áridos, Antonioni cria um retrato de uma América volátil que ele (como estrangeiro) e os hippies (como outsiders) vêem mais claramente do que os outros. Partindo de um avião roubado (o de Mark) e de um Buick emprestado (o de Daria), o realizador orienta a sua misteriosa trama romântica em direção a sonhos de amor universal (com o lírico envolvimento amoroso em grupo) e de destruição em massa (uma apocalíptica explosão-ballet), imaginados pela heroína, em visões espetaculares.» (Jonathan Rosenbaum, excertos de um texto sobre «Zabriskie Point»)

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OUT

«A IDADE DA TERRA», DE GLAUBER ROCHA

24

«…[C]om o filme «A Idade da Terra», eu já estava mais ligado aos rituais primitivos, quer dizer, ao teatro do irracional que é o teatro popular, mas já não no sentido de documento histórico, político ou etnográfico, mas no sentido órfico, quer dizer, no sentido de pegar naquela matéria e transformá-la numa matéria audiovisual. (…) «A Idade da Terra» reflete essa luta entre a história e a fantasia solta, deixando ver o que é que a fornalha do inconsciente produz em contacto com aquela matéria cultural, como é que aquilo se pode transformar e como é que o cinema pode captar aquilo. Está mais próximo de um poema solto, um poema em verso livre. (…) Acho que em «A Idade da Terra» coloco um problema de crença porque, de certa forma, o filme investe numa espécie de cristandade, mas uma cristandade descristificada. O meu Cristo não morre, não vai crucificado. (…) Tive prazer a fazer o filme, foi o único filme que não me torturou e que, depois, tive prazer em ver. (…) Porque eu acredito que a obra de arte é um produto da loucura, no sentido em que fala o Fernando Pessoa, que fala o Erasmo, quer dizer, a loucura como a lucidez, a libertação do inconsciente.» (Palavras de Glauber Rocha – excertos de uma entrevista a João Lopes)

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NOV

«CASA DE LAVA», DE PEDRO COSTA

21

Casa de Lava resulta de um trabalho de pré-concepção mais amadurecido e mais solidificado que o de O Sangue, o primeiro filme de Pedro Costa – e é talvez por isso que é, precisamente, mais boicotado quanto às “boas” intenções estéticas, mesmo que a sombra vincada do cinema permaneça – Stromboli (Roberto Rossellini, 1949) e I Walked With a Zombie (Jacques Tourneur, 1943) sempre perto. Tenha o enredo que tenha por trás – aqui, uma enfermeira acompanha um trabalhador cabo-verdiano que é enviado em coma para a sua terra natal -, a verdade é que Pedro Costa filma em Cabo Verde. Isso é apresentado imediatamente como um dado do filme, o seu aviso de entrada, numa poderosa composição geo-temporal, estratigráfica: as primeiras imagens são das montanhas vulcânicas da Ilha do Fogo e da erupção de um vulcão, com o vermelho da lava que se retorce desde o interior da terra, a que se sucedem, primeiro, os cabelos alourados, revoltos, de uma criança mulata, e depois os rostos imóveis de raparigas e mulheres, com os traços da miscigenação, registo das esculturas vivas do tempo à superfície da terra. Coloca-se a questão do conhecimento: o que é este lugar, o que são estas pessoas? Na série monumental que a obra de Pedro Costa erige, tudo começa aqui.

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DEZ

«CERRAR LOS OJOS» (FECHAR OS OLHOS), DE VICTOR ERICE

19

«A história de um realizador de cinema, Miguel Garay (o sóbrio e lúcido Manolo Solo), que há algum tempo deixou um filme inacabado por causa de um ator, Julio Arenas (o sombrio e destroçado José Coronado), que desapareceu de repente. E para sempre. Tudo isto aconteceu num passado estranho, o da juventude, no espaço quase sagrado em que tudo parecia possível. Décadas depois, o mistério regressa em toda a sua crua vulgaridade quando um programa de televisão decide investigar o que aconteceu, porquê e como. O ator que desapareceu é agora um homem vazio, incapaz de se lembrar e, portanto, de ser. Exploram-se questões como a memória, a identidade e o próprio tempo.» (Luis Martinez, excerto de um texto de crítica, El Mundo)

«Penso nas personagens do ator e do realizador como dois rostos de uma só entidade. O ator não tem memória, não sabe quem é. O realizador, por seu lado, tem memória a mais, não consegue fugir do peso dela. O ator foi tocado pela mão piedosa do destino, que o libertou do fardo da memória.» (Palavras de Victor Erice, entrevista a Luís Miguel Oliveira, Público)

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PROJETO LIBERDADE

JAN

Literatura e Escrita

01

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JAN

Fotografia e Vídeo

01

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JAN

Cerâmica e Pintura

01

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EXPOSIÇÕES

ABR

PARTICIPAÇÃO, JÁ!

20

A exposição Participação, Já! apresenta, pela primeira vez, a coleção de documentos da Secção de Política da Biblioteca Pública Municipal do Porto, no Gabinete do Tempo da Casa do Infante, estando em depósito na Biblioteca de Assuntos Portuenses o remanescente da documentação para consulta local.

 

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MAI

REVOLU(SOM) — 10 ANOS DE KISMIF

25

A exposição REVOLU(SOM) — 10 ANOS KISMIF faz coincidir a celebração dos cinquenta anos de democracia e os dez anos do festival KISMIF — Keep it simple, make it fast.

 

Apresenta, por um lado a celebração da democracia, com realce para as palavras e os sons da liberdade, nomeadamente as canções de protesto. Do lado do KISMIF, os grandes protagonistas são o reflexo das últimas edições da conferência, a par daquele que é o fórum mundial de recorte singular, o próprio evento, – pelo seu carácter intersecional e transdisciplinar, dando palco a culturas alternativas e práticas DIY (Do-it-Yourself). Para o Gabinete Gráfico, propomos uma instalação sonora e visual herdeira de forças e de lutas que hoje merecem uma reflexão, ao mesmo tempo que instigamos sobre os aspetos das cenas alternativas e das culturas DIY, apresentando essa herança através da música e da intensa intertextualidade plasmada no cinema e no vídeo, no grafitti e na arte urbana, no teatro e nas artes performativas, na literatura, na rádio, na programação e na edição, no design gráfico, na ilustração, nos fanzines e na banda desenhada.

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OUT

CINEMA DE REVOLUÇÃO

01

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CURSOS BREVES

MAR

CURSO BREVE #23 — AS REVOLUÇÕES QUE MUDARAM O MUNDO

04

© DR

O cinquentenário da Revolução Portuguesa de 1974 convoca a reflexão sobre o fenómeno revolucionário, o seu significado e evolução. A Revolução Francesa de 1789 impôs as ideias e princípios revolucionários, consagrou-se como «inicial» e «central», influenciando os movimentos revolucionários que se lhe seguiram. Em 1917, a revolução russa assumiu um novo modelo assente na luta de classes, visando a criação de uma sociedade socialista, que marcaria o século XX de forma indelével. No 25 de Abril de 1974, a «revolução dos cravos» teve grande influência na europa e no Mundo, abrindo a «terceira vaga» de revoluções.

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ABR

CURSO BREVE #24 — A POESIA PORTUGUESA NOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL: DE JOSÉ GOMES FERREIRA A MANUEL GUSMÃO

06

©Duarte Belo

Este curso visa relembrar alguns poetas cujas obras marcaram, no tempo do fascismo, a necessária resistência e a urgente renovação do discurso poético português. Teremos em conta treze poetas do cânone nacional: José Gomes Ferreira (1900-1985), Jorge de Sena (1919-1978), Sophia de Mello Breyner (1919-2004), Mário Cesariny (1923-2006), Alexandre O’Neill (1924-1986), António Ramos Rosa (1924-2023), Ruy Belo (1933-1978), Luiza Neto Jorge (1939-1989), Fiama Hasse Pais Brandão (1939-2007), Gastão Cruz (1941-2022), Armando Silva Carvalho (1938-2017), Fernando Assis Pacheco (1937-1995) e Manuel Gusmão (1945-2023). A originalidade da escrita, o modo como nestes poetas a poesia é “promessa sem garantias e arte de inventar possíveis verbais” (Gusmão, 2010), criação da esperança de um dizer que interrompe a fala e se torna proposta – na forma e no conteúdo – duma revelação do homem a si mesmo, eis o que se pretende comentando, analisando poemas destes autores.

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MAI

CURSO BREVE #25 — PORTUENSES ILUSTRES NA MÚSICA DO SÉCULO XX

06

Segundo Rui Vieira Nery, «enquanto Lisboa olhava para Paris como modelo civilizacional, o Porto olhava para Londres, ou mesmo para Hamburgo – as grandes cidades do comércio, da finança e da indústria, e era aí que os filhos dos empresários iam aprender o negócio da família (…), fazer o gran tour de transição para a idade adulta». Foi esse sentido de autonomia e de responsabilidade comunitária para com a Cultura; de orgulho regionalista misturado com uma clara vocação universalista; de pragmatismo na angariação e gestão de meios e de recursos sempre escassos; mas também – e sobretudo – um amor genuíno e constante à Música, que permitiram um percurso de mais de um século de atividade notável de marcantes personalidades artísticas. Bernardo Valentim Moreira de Sá e a renovação da vida musical portuense na viragem do século; Claudio Carneyro e Berta Alves de Sousa, compositores portuenses da primeira metade do século XX; Helena Sá e Costa pianista, pedagoga e divulgadora da música portuguesa; Guilhermina Suggia, uma artista portuense e uma celebridade internacional, são os temas orientadores de quatro sessões.

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JUN

CURSO BREVE #26 — A ficção portuguesa do final da ditadura aos alvores da democracia

03

Maria de Lurdes Sampaio Monsanto, s/d

Neste curso breve, propomos uma ronda pela ficção portuguesa desde 1968 até finais da década de 80, incidindo sobre obras nucleares desse período, em articulação com o contexto da época. Serão contempladas as inovações formais dessas obras, mas a incidência irá para questões de ordem temática e ideológica, decorrentes do fenómeno revolucionário.

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JUL

CURSO BREVE #27 — Revolu(som). Um trajeto da música de protesto em Portugal (1980—2024)

08

O curso captura a canção de protesto, mas nas suas modalidades contemporâneas – após a Revolução de Abril – fazendo estender o caudal e o espectro de influência da canção de protesto até aos nossos dias. A este curso está subjacente uma finalidade assente num princípio heurístico primordial: o de demonstrar de que forma as manifestações artísticas – neste caso, a música popular – constituem matéria e objeto de intervenção social, demarcando um espaço próprio, definido e específico na denúncia e revelação de problemáticas sociais e na contestação, protesto e revolta perante a realidade social. A primeira sessão incidirá sobre as potencialidades de reconstrução identitária da música de protesto na contemporaneidade. As subsequentes sessões incidirão cronologicamente nos anos 1980, 1990 e 2000.

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CONFERÊNCIAS FESTIVAS

MAI

CONFERÊNCIAS FESTIVAS — O PRIMEIRO DE MAIO

09

O primeiro de Maio é um dia importante que é assinalado condignamente em Portugal – O Dia Nacional do Correio Internacional Transatlântico. Foi nesse dia que, em 1500, Pero Vaz de Caminha enviou uma carta a D. Manuel I dando conta do achamento do Brasil. A carta foi trazida para Portugal por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota, não havendo registo da data da sua chegada.

 

Na primeira «Conferência Festiva» será abordada a efeméride do 1º de Maio, Dia Mundial do Trabalhador que, por decisão da Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris no dia 20 de junho de 1889, convocou uma manifestação anual de luta pela jornada de 8 horas de trabalho, numa homenagem às lutas sindicais de Chicago.

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JUN

CONFERÊNCIAS FESTIVAS — SÃO JOÃO, DO ALHO-PORRO AO MARTELO - A EPISTEMOLOGIA DA CACETADA

27

António Cruz Caldas, «Maria Rita», 1933 / Arquivo Histórico Municipal do Porto

A origem dos feriados municipais remonta à proclamação da República. Com apenas sete dias de vida, e por decreto de 12 de outubro, determinou a República quais os feriados nacionais, concedendo aos concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as festas tradicionais e municipais. O Porto celebrou o São João e mais ninguém dormiu nessa noite. Isso e o alho deixou de ser francês.

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OUT

CONFERÊNCIAS FESTIVAS — IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

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Para melhor entender o momento histórico e o significado da implantação da República a 5 de Outubro de 1910, é necessário recuar a 1500 a.C.. Depois da distribuição de um borrego de fogueira, sobrou uma perna do bicho e a decisão de como partilhar a riqueza produzida pelo clã nesse dia. Daí a perceber como chegamos a um feriado português, vai um longo tiro no escuro.

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UM OBJETO E SEUS DISCURSOS

ABR

UM OBJETO E SEUS DISCURSOS — A ESTÁTUA DO «GENERAL SEM MEDO» NO PORTO

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A candidatura antirregime de Humberto Delgado a Presidente da República, em pleno Estado Novo, foi um inesperado rastilho de esperança, resistência e liberdade que produziu poderosos rebentamentos na base da ditadura. Muitos dos movimentos conspirativos ou de resistência intelectual e cultural, no Porto, surgiram a partir desse acontecimento e da receção entusiástica e galvanizadora da cidade ao «General sem Medo», a 14 de maio de 1958.

 

Estima-se que tenham sido mais de 100 mil pessoas que aclamaram, então, o General, desde a estação de São Bento até à Praça Carlos Alberto. No dia seguinte, a 15 de maio, o «Comércio do Porto» dava como manchete que «O Sr. General Humberto Delgado, candidato independente à Presidência da República, foi recebido, apoteoticamente, nesta cidade». De uma janela da sede da candidatura, instalada na Praça Carlos Alberto (por cima do antigo Café Luso), Delgado afirmava: «Povo do Porto! A resposta ao Governo está dada nesta grandiosa manifestação que acaba de me ser prestada por vós. Façam eleições livres e venceremos! Vós sois a Verdade. E a Verdade é que queremos que acabe a tirania. A Verdade é não querermos continuar mais a ser escravos. Viva a República! Viva a Liberdade! Viva a Pátria! Viva o Porto».

 

Esta sessão especial do ciclo «Um Objeto e seus Discursos», integrada na programação das comemorações portuenses dos 50 anos da Revolução de 25 de abril, evoca o papel político pró-democracia, a memória e a atualidade da figura histórica de Humberto Delgado e da sua candidatura presidencial, tendo por ponto de partida a estátua dedicada ao General no Porto, criada por José Rodrigues, e instalada desde 2008 na praça Carlos Alberto, no largo do Palacete dos Viscondes de Balsemão.

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ABR

UM OBJETO E SEUS DISCURSOS — ANTIGA SEDE E PRISÃO PIDE NO PORTO

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Museu militar

Quando a Revolução do 25 de Abril se aproxima dos seus 50 anos, o Museu e as Bibliotecas do Porto trazem à luz do ciclo «Um Objeto e seus Discursos» uma das marcas portuenses mais sombrias do Estado Novo, da sua polícia política e mecanismos de controlo e repressão: a antiga prisão e sede da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), à rua do Heroísmo, hoje casa do Museu Militar do Porto.

 

O «objeto» será o pretexto de uma conversa sobre a memória do lugar e das políticas repressivas e totalitárias do Estado Novo e da PIDE, assim como de histórias de carne e osso e movimentos de resistência e pró-democráticos na cidade do Porto, com a participação de uma das suas protagonistas: Maria José Ribeiro (cofundadora do Movimento Democrático das Mulheres, em 1968, e antes disso presa política da PIDE). Um olhar que levanta o véu sobre um dos lados mais traumáticos sobre o passado de Portugal antes do 25 de Abril e sobre a necessidade de defender as suas conquistas.

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MÚSICA

ABR

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — E LIVRES HABITAMOS A SUBSTÂNCIA DO TEMPO: AS CANÇÕES DA LIBERDADE

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© Harry Pot / Anefo

O ciclo de recitais «Ao Ritmo da Revolução» comemora os 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal. A sessão inaugural será protagonizada por «As Canções da Liberdade» de Rui Vieira Nery. Com a sua competência e brilho, Nery irá estabelecer linhas de contiguidade entre as diferentes realizações musicais de temática revolucionária, surgidas após Abril de 1974, dando a ouvir excertos comentados.

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ABR

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — E LIVRES HABITAMOS A SUBSTÂNCIA DO TEMPO

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Na segunda sessão do ciclo de recitais «Ao Ritmo da Revolução», em comemoração dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, o Museu Romântico acolhe um evento de clarinete solo com acompanhamento áudio de banda sinfónica, no qual se fará ouvir música portuguesa, incluindo alguns temas populares, com destaque para a obra «Langará» de autoria do compositor Alexandre Delgado, neto do “General Sem Medo”, Humberto Delgado.

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ABR

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — E LIVRES HABITAMOS A SUBSTÂNCIA DO TEMPO: Lamento & Revolução

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Benjamin Britten. Fotografia de Hans Wild

No âmbito do ciclo de recitais «Ao Ritmo da Revolução», comemorando os 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, o duo de piano e corne inglês, Roberto Henriques e Bernardo Soares, apresenta-nos arranjos musicais sobre temas de Carlos Paredes e Zeca Afonso, juntando obras de revolta e resistência de autores como F. Schubert, F. Poulenc e Benjamin Britten.

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ABR

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — E LIVRES HABITAMOS A SUBSTÂNCIA DO TEMPO

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O primeiro ciclo dedicado à música portuguesa revolucionária, encerra com a participação do coro juvenil Pró-Música, do Pró-Música EMcanto e da Escola de Música da Póvoa de Varzim, sob direção de Rui Silva. «Canções Heróicas» é o termo habitualmente utilizado para designar uma série de músicas compostas por Fernando Lopes-Graça. Adquiriram este nome pelo seu contributo para a exaltação da liberdade, dando força aos que lutavam contra o Estado Novo. A sua primeira versão, publicada em 1946, foi rapidamente proibida pela Censura. Ao longo de 50 anos, estas canções apenas circularam de forma clandestina, divulgada com grandes precauções, num meio muito restrito de pessoas. No dia 27 de abril, retomamo-las com a força de jovens vozes.

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MAI

A FORÇA (O PODER) DA PALAVRA — UM CANTO A JOSÉ MÁRIO BRANCO

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«Sou português, nascido no Porto, pequeno-burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro». Assim se apresentava José Mário Branco. Foi uma das personalidades marcantes da nossa música e da nossa cultura, como compositor, arranjador, cantautor e produtor musical. Uma história feita de canções, de lutas, de valores. Um homem que, dizendo-se pouco social, era socialmente interveniente, sendo que o seu impacto artístico fez-se sentir no domínio discográfico e em atuações ao vivo, de caráter musical ou teatral. O Canto Nono apresenta um disco de evocação a José Mário Branco, através da recriação da sua obra. Um conjunto de oito vozes irão cantar «à capela», com o qual manteve uma cumplicidade e uma convivência artística de vinte anos.

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JUL

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — A LIBERDADE GUIANDO O POVO: «SÉRÉNADE AUX ÉTOILES»

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«Ao Ritmo da Revolução», ciclo de recitais comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, prossegue em julho com cinco recitais dedicados à Revolução Francesa de 1789. Nesta primeira sessão, apresenta-se o projeto no feminino Sérénade aux étoiles, no qual se interpretam obras de mulheres compositoras, da Idade Média à atualidade, com música de compositoras como Santa Hildegarda de Bingen, Anna Bonn, Cecile Chaminade, Melanie Bonies, Lili Boulanger, Vitezslava Kapralova, Sofia Gubaidulina, entre outras.

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JUL

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — A LIBERDADE GUIANDO O POVO: AS POLONAISES DE CHOPIN

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«Ao Ritmo da Revolução», ciclo de recitais comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, prossegue em julho com cinco recitais dedicados à Revolução Francesa de 1789. Nesta segunda sessão, poderemos usufruir da forma musical Polonaise, a primeira obra que Chopin compôs ao piano, aos 7 anos de idade, evocando a sua Polónia natal, com a sua música heroica para piano solo: as Polonaises e Andante Spianato e Grande Polonaise Brillante op. 22. George Sand, companheira de Chopin, afirmou sobre a obra: A inspiração! A força! O vigor! Doravante esta Polonaise deve ser um símbolo, um símbolo de heroísmo!

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JUL

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — A LIBERDADE GUIANDO O POVO: TOMADA DA BASTILHA

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«Ao Ritmo da Revolução», ciclo de recitais comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, prossegue em julho com cinco recitais dedicados à Revolução Francesa de 1789. Esta terceira sessão vai apresentar duetos e árias de ópera francesa, interpretadas por duo soprano e barítono baixo.

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JUL

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — A LIBERDADE GUIANDO O POVO: O CLARINETE NO TEMPO DA REVOLUÇÃO

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«Ao Ritmo da Revolução», ciclo de recitais comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, prossegue em julho com cinco recitais dedicados à Revolução Francesa de 1789. Nesta quarta sessão, assistiremos à interpretação de temas musicais de autores da época da Revolução francesa e demais geniais músicos gauleses.

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JUL

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — A LIBERDADE GUIANDO O POVO: «AH, ÇA IRA, ÇA IRA, ÇA IRA!»

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Gonçalo Pescada

No quinto e último recital dedicado à Revolução Francesa de 1789, do ciclo de recitais comemorativo dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal – «Ao Ritmo da Revolução – escutaremos as perenes obras de Jacques Brel, Edith Piaf, Tony Murena e Richard Galliano.

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NOV

AO RITMO DA REVOLUÇÃO — UMA TERRA SEM AMOS

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INFANTOJUVENIL

ABR

POESIA EM FORMA DE ABRIL

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A partir de uma seleção de poemas sobre o «dia inicial inteiro e limpo», os alunos da Escola Secundária Aurélia de Sousa e Escola Profissional de Economia Social foram convidados a dizer os seus textos de predileção, numa leitura com a coordenação e encenação de João Pedro Mésseder e Catarina Luís.

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ABR

PÁSSAROS EM LIBERDADE – A NOITE DO PROTESTO

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As palavras de ordem são: «Viva a Lib(ro)dade, na biblioteca!». A convocatória, em jeito de convite, inclui uma noite revolucionária com histórias, livros, teatro, aventura e muito protesto em pijama, precisamente na noite, em que há 50 anos, se dizia adeus à ditadura. O mote perfeito para juntos, celebrarmos o livro e a liberdade; o apelo para que não deixes que ninguém silencie o pássaro livre, criativo e sonhador que vive dentro de ti. Inscreve-te e traz o teu pijama mais rebelde e original!

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MAI

MISSÃO: DEMOCRACIA — FANTASMAS, BANANAS E AVESTRUZES [Lei]

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A missão Democracia nasceu há 50 anos em Portugal. Vem de mãos dadas com a Liberdade e destina-se a pessoas especiais como tu. À tua espera, aguardam autores e ilustradores também especiais para bons momentos de conversa, seguidos de oficina artística, onde, certamente, darás voz a esta missão.

 

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MAI

MISSÃO: DEMOCRACIA — LEVA-ME AO TEU LÍDER [Democracia]

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A missão Democracia nasceu há 50 anos em Portugal. Vem de mãos dadas com a Liberdade e destina-se a pessoas especiais como tu. À tua espera, aguardam autores e ilustradores também especiais para bons momentos de conversa, seguidos de oficina artística, onde, certamente, darás voz a esta missão.

 

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JUN

MISSÃO: DEMOCRACIA — SEMPRE!

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A missão Democracia nasceu há 50 anos em Portugal. Vem de mãos dadas com a Liberdade e destina-se a pessoas especiais como tu. À tua espera, aguardam autores e ilustradores também especiais para bons momentos de conversa, seguidos de oficina artística, onde, certamente, darás voz a esta missão.

 

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JUN

MISSÃO: DEMOCRACIA — DITA DOR

15

A missão Democracia nasceu há 50 anos em Portugal. Vem de mãos dadas com a Liberdade e destina-se a pessoas especiais como tu. À tua espera, aguardam autores e ilustradores também especiais para bons momentos de conversa, seguidos de oficina artística, onde, certamente, darás voz a esta missão.

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