Notice 184
6_Banco de Materiais © Antonio Alves (1)
Instituído em 2017, o Dia Nacional do Azulejo é celebrado a 6 de maio, procurando realçar a importância do património azulejar nacional e sensibilizar e convocar a opinião pública para a urgência da sua proteção e preservação. Além de visita e percursos, entre arte, história e arquitetura, o Banco de Materiais da Câmara do Porto assinala as comemorações com uma ação simbólica que já é regular, ao ceder 85 azulejos que vão integrar uma fachada em reabilitação na Rua do Padre Luís Cabral, no núcleo histórico da Foz Velha.
Neste dia, o Banco de Materiais “sai à rua” à descoberta da azulejaria na cidade, numa deriva conduzida por Paula Lage, que, desde 1999, integra o projeto. “A Passo pela Azulejaria do Porto: Arte, História e Arquitetura” vai deambular por algumas artérias da cidade, observando a arte da azulejaria portuense que conta histórias, aviva memórias e tanto valoriza o património arquitetónico do Porto.
Simultaneamente, no espaço expositivo daquele serviço municipal, aberto ao público de terça-feira a domingo, um grupo de alunos do ensino artístico é conduzido por entre vários elementos de valor patrimonial, dos quais se destaca uma grande diversidade de azulejos antigos.
Estes elementos são a razão de ser do Banco de Materiais, que, quando a preservação dos materiais não é viável, os recolhe nas demolições para os tratar e devolver à cidade. Retomam-se, assim, ciclos de vida interrompidos pela degradação e retomam-se, com eles, as imagens que fazem a identidade do Porto.
A cedência destes elementos, destinados a intervenções com projeto aprovado, é inteiramente gratuita, bastando para o efeito aceder ao Portal do Munícipe.
1.600 peças devolvidas à cidades para reintegração em 22 edifícios reabilitados
Criado há mais de três décadas, o Banco de Materiais é um projeto pioneiro do Município do Porto, que assume a missão de preservar o património cultural arquitetónico da cidade, de que são exemplo os materiais de revestimento exterior mais representativos da arquitetura tradicional do Porto, como é o caso dos internacionalmente conhecidos azulejos.
Da sua atividade faz também parte a preservação de outros materiais que conferem um caráter de valor cultural ao edificado histórico, como elementos cerâmicos (pinhas, telhões e estatuária de integração arquitetónica), materiais de ferro (varandas, batentes de porta e claraboias) e materiais de madeira (portas, janelas e bandeiras).
O Banco de Materiais valoriza, ainda, elementos caraterizadores das artes decorativas na arquitetura de interiores, como os estuques e elementos de sinalética dentro da malha urbana (placas toponímicas e reclamos comerciais).
Em 2024, deram entrada nas reservas municipais cinco mil peças para depósito e foram devolvidas à cidade 1.600 peças para reintegração em 22 edifícios reabilitados.
Dos objetivos do projeto consta, também, a sensibilização para a salvaguarda do património arquitetónico da cidade. Para promover este objetivo, além de várias atividades realizadas ao longo do ano incluídas na programação cultural do Município, o Banco de Materiais tem um espaço visitável, gratuito, onde expõe alguns dos materiais que recolhe e permite ações de sensibilização, como oficinas e visitas orientadas a escolas e outros grupos, para além das visitas livres.
O espaço está aberto ao público desde 2010 na Praça de Carlos Alberto e tem contado com um número médio na ordem dos 2.500 visitantes mensais.