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José Afonso é conhecido como o nosso maior cantor de intervenção. Esta perspetiva é muito redutora porque ofusca a sua real dimensão artística de compositor e de poeta. A canção de intervenção explicitamente política é uma parte minoritária da sua obra. Muitas das suas letras políticas foram escritas numa linguagem de feição surrealista para escaparem às malhas da censura, mas, por isso mesmo, escapavam também às malhas da compreensão e funcionavam acima de tudo como arte literária, entendida por muita gente como nonsense. Depois, há um grande número de canções «não políticas», em que José Afonso se revela como um poeta de um lirismo estonteante, que vai, sempre à sua maneira, do neorrealismo ao surrealismo, passando por algumas incursões camonianas, porque Camões e os trovadores eram manifestamente uma das suas grandes paixões. É este José Afonso completo, para além do cantor de intervenção, que se pretende mostrar neste Curso Breve, que evoca a obra do grande mestre na renovação da música popular portuguesa.
Ver maisApós uma primeira exposição, em que se procurou mapear o inicio da carreira de António Carneiro, a sua passagem por Paris, as influências que recebeu e a elaboração de uma poética simbolista, de que se deram exemplos vários, desde a sua obra seminal, o tríptico «A vida – Esperança, Amor, Saudade», até às posteriores, em que essa estética se afirmou e consolidou, esta segunda parte procura perceber um outro eixo fundamental desta obra, encerrando o ciclo expositivo propiciado pela reabertura do Ateliê em 2024, numa iniciativa do Município do Porto e projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo.
Ver maisNesta nova etapa do Ciclo de Ilustração Científica, propomos um diálogo inédito entre a arqueologia, a botânica e a literatura. Partindo da coleção da Biblioteca de Arqueologia e das obras da literatura camoniana expostas no âmbito da mostra expositiva «O Jardim de Camões», Luísa Jorge irá explorar a técnica do desenho de observação que é, também, uma ferramenta de interpretação histórica e arqueológica. Entre o traço e o verso, a ilustração científica sempre a (ar)riscar.
Ver maisA origem do vinho do Porto surge de uma conjugação geográfica, social, histórica e económica invulgar e complexa, onde realidades urbanas e rurais se intercetaram, e da natureza rica e diversa do Douro, representada nesta exposição pela luz branca que, ao embater no prisma humano, é processada e interpretada, gerando um espectro de cores imenso. Tudo isto desaguou numa cultura de contrastes multifacetada e de infinitas possibilidades. Nesta viagem do Douro ao Porto descreve-se de forma simples os três momentos de feitura do vinho, sob perspetivas micro e macro, e a cultura que cada um deles originou: a Cultura da Terra, do Vinho e do Tempo.
Ver maisVamos pensar na terra e na natureza. Falar sobre elas, do tanto que nos dão, e da extrema importância do respeito que lhes devemos ter. O tanto que nos oferecem e o tanto que nos devolvem em imaginação para podemos construir, inventar e criar! Daremos um passeio pelo mundo das formas, dos cheiros, das cores e das texturas. As nossas mãos serão as protagonistas e ganharão toda a sua expressão. Vamos falar de experiências estéticas, de criatividade e de imaginação – da nossa e das artistas: Rosa Ramalho e Nei Leite Xakriabá! Arriscas sujar as mãos e dar forma à tua imaginação?
Ver maisO Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. João Chagas Não apenas um ser mitológico, mas um símbolo em que os habitantes da cidade se reconhecem. No brasão, o azul sustém um castelo de ouro sobre um mar ondulado; ao centro, a Virgem de Vandoma com o Menino, por cima das pedras, o dragão – corpo de fogo, asas e garras – a memória do cerco e da coragem de quem resistiu. No estádio, nas ruas, nos Paços do Concelho, sempre a mesma promessa, a de não baixar a cabeça.
Ver maisO Festival Internacional Santa Cecília regressa ao Museu do Porto numa sexta edição que reafirma a sua posição de referência no panorama musical. Ao longo de dez concertos, todos os domingos entre 1 de março e 10 de maio de 2026, às 16h00, o festival volta a celebrar o piano enquanto instrumento de convergência artística, reunindo tradição e contemporaneidade num programa de elevada exigência artística e singular elegância.
Ver maisNesta visita, os participantes terão oportunidade de observar os tratamentos de conservação e restauro em curso e conversar com a equipa residente.
Ver maisO Jardim da Cordoaria e o Jardim das Virtudes integram a estrutura verde do Porto e guardam, nas suas alamedas e socalcos, árvores que testemunham a construção paisagística e cultural da cidade. Alguns destes exemplares assumem particular relevância histórica e botânica, sendo oficialmente reconhecidos como árvores classificadas de interesse público.
Ao longo do percurso serão observadas espécies marcantes da paisagem urbana como plátanos, tílias, carvalhos, cedros e araucárias, bem como o notável ginkgo das Virtudes, o maior exemplar de Ginkgo biloba em Portugal. Através destas árvores será explorada a relação entre botânica e transformação urbana, compreendendo o arvoredo como herança viva.
Esta deriva propõe um olhar atento sobre a cidade a partir das suas árvores, entendidas como testemunhas de mudanças sociais e ambientais. Entre a densidade do jardim histórico e os socalcos abertos ao Douro, o percurso convida a ler a paisagem como documento e experiência sensível do Porto contemporâneo.
Ver maisNo Dia Nacional do Azulejo, 6 de maio, o Banco de Materiais do Museu do Porto propõe uma oficina de pintura de azulejos que celebra a riqueza desta marca identitária do Porto e importante elemento do património cultural português. Explorando diferentes técnicas inspiradas na tradição azulejar, cada participante terá a oportunidade de criar o seu próprio azulejo, numa experiência criativa aberta a todas as idades. Participe e celebre connosco este símbolo maior da cultura portuguesa.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisEm maio, escolhemos um texto de Ruben A., extraído de «O Mundo à Minha Procura», que relata episódios da sua infância no Porto, na quinta do Campo Alegre, nos anos 20 e 30 do séc. XX, para dialogar com uma narrativa de uma autora de língua inglesa, celebrada como uma das figuras definitivas do modernismo literário, que por essa época publicava em Londres este conto.
Ver maisO maestro britânico Alpesh Chauhan, diretor musical da Companhia de Ópera de Birmingham, apresenta-se pela primeira vez na Casa da Música, trazendo a «Sinfonia n.º 8» de Chostakovitch, uma das obras sinfónicas mais controversas do compositor russo. Escrita no verão de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o seu pendor sombrio e desesperado foi mal recebido na União Soviética, tendo em conta os então recentes sucessos do Exército Vermelho. Chostakovitch ter-se-á defendido dizendo que a Oitava era «uma obra otimista e um hino à vida», com base no conceito de que «tudo o que é escuro e tenebroso tende a desaparecer e o belo acaba por triunfar». Nos 120 anos do nascimento do compositor, esta é uma oportunidade para ouvir uma das suas obras mais sublimes e misteriosas, raramente apresentada em concerto.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisAtualmente, quase toda a pesquisa necessária para se completar uma árvore genealógica pode ser feita a partir de casa. Mesmo para se elaborar um texto histórico sobre determinada família, na maioria dos casos a informação que precisamos já está disponível na Internet. Contudo, estas aparentes facilidades trazem também dificuldades: hoje em dia, um dos grandes problemas da pesquisa genealógica, para quem não tem formação histórica e não domina tudo o que se relacione com a internet, é precisamente o desconhecimento sobre onde pode estar a informação que interessa e quais os passos para chegar até ela. É comum que nos fiquemos pela informação mais óbvia, ou por aquela que é sugerida por ferramentas de Inteligência Artificial, desconhecendo que muito mais pode ser encontrado a partir do nosso computador. Esta formação prende-se, pois, com a necessidade de saber como pesquisar, onde pesquisar, como ultrapassar os obstáculos que surgem, que meios usar para facilitar a pesquisa e torná-la mais ampla e eficaz, e como organizar a informação recolhida.
Ver maisNa exposição «PRISMA – Do Douro ao Porto», a luz branca simboliza o solo e o clima do Douro, que, ao serem transformados pelo prisma humano, deram origem a um tipo de vinho único: o Vinho do Porto. Tal como a luz se desdobra num amplo espectro de cores ao atravessar um prisma, o produtor de vinho faz escolhas que revelam diferentes tonalidades e expressões do território. Assim, os produtores de vinho são, à semelhança da curadoria e criação artística desta exposição, prismas que filtram, interpretam e transformam o território em expressão sensorial e expositiva. A partir desta conceção, propõe-se um conjunto de provas de Vinho do Porto e conversas entre «prismas», estruturadas com base nos conteúdos desta exposição, que sintetizam o processo de feitura do vinho: a Cultura da Terra, a Cultura do Vinho e a Cultura do Tempo.
Ver maisO Festival Internacional Santa Cecília regressa ao Museu do Porto numa sexta edição que reafirma a sua posição de referência no panorama musical. Ao longo de dez concertos, todos os domingos entre 1 de março e 10 de maio de 2026, às 16h00, o festival volta a celebrar o piano enquanto instrumento de convergência artística, reunindo tradição e contemporaneidade num programa de elevada exigência artística e singular elegância.
Ver maisRuben A. (Ruben Alfredo Andresen Leitão, 1920—1975) é um dos mais singulares escritores portugueses da segunda metade do século XX. Tendo-se distinguido no domínio da ficção com diversas obras narrativas e dramáticas, com destaque para o seu romance de referência, «A Torre da Barbela» (1965). No sentido de manter vivo o interesse do público leitor pela obra de um autor cuja infância está intimamente ligada à cidade do Porto – o que está refletido na sua originalíssima escrita autobiográfica – pedimos emprestado o título do colóquio com que, no ano passado, a Fundação Calouste Gulbenkian homenageou o escritor, e convidamos dois estudiosos da sua obra, Dália Dias e Fernando Pinto do Amaral para, a duas vozes, orientarem este curso breve.
Ver maisA sessão do mês de maio convida à reflexão sobre a utilização das tecnologias de forma segura, equilibrada e consciente. Através de atividades dinâmicas e de uma discussão participada, serão explorados os benefícios e os riscos das tecnologias, com o objetivo de promover a literacia digital, o pensamento crítico e a capacidade de realizar escolhas informadas no mundo digital. Pretende-se, ainda, reforçar estratégias para um uso mais saudável e responsável dos ecrãs no quotidiano.
Ver maisIniciativa de promoção da leitura, que visa estimular o gosto pela partilha de livros e a interação social. Os textos são criteriosamente selecionados e enviados aos interessados que, posteriormente, se encontram para ler, discutir pontos de vista e partilhar experiências e memórias.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisNos entrepostos dos cais em armazéns, comerciantes trocam por esterlino o vinho que é o sangue dos seus corpos, moeda pobre que são os seus destinos. Joaquim Namorado A palavra não designa apenas uma bebida: é antes um rio antigo que ainda corre e o esforço inteiro de muitas gerações. Não é apenas vinho, mas tempo e sabedoria. O Vinho do Porto é o Douro a descer devagar, são pipas que mastigam os anos no escuro das caves e a doçura lenta em que se transforma a dureza da terra.
Ver maisTudo começa no primeiro ano do «Documento do Mês» da Casa do Infante, um ciclo inovador, criado pelo então diretor Manuel Real com o objetivo de divulgar os recursos documentais do Arquivo Histórico Municipal do Porto (AHMP), aproximar os munícipes da instituição e destacar um tema da vida local.
Este baú pertence a Manuel Araújo, Técnico Superior do AHMP há 33 anos, que inicialmente trabalhou e apresentou temas ligados à sua área de intervenção dentro do Arquivo Histórico, a fotografia. Com o tempo, as apresentações foram-se estendendo a assuntos mais diversos que intervieram na transformação e desenvolvimento da cidade. Nos últimos anos, já sob a designação de «Resgate», as abordagens adquiriram uma tonalidade diferente, marcada pela presença da Igreja e dos seus ritos, dimensão que tanto marcou o quotidiano dos habitantes do Porto.
Dividido em duas partes, este é o seu último Resgate enquanto técnico da casa. Por isso, e como forma simples de agradecimento e de um «Até já!», propõe um olhar retrospetivo, um basculhar, sobre o seu próprio baú.
Ver maisPartindo da interpretação e análise de obras que rompem com a linearidade textual, convidam-se os participantes a criar texto-imagem com gramáticas visuais e espaciais próprias: anagramas, caligramas, tipogramas; diagramas; constelações. Nesta oficina, Estela Rodrigues pretende promover um momento de fruição e experimentação poética inspirada em autores de poesia visual e concreta, como Ana Hatherly e outros, com recurso a diferentes técnicas que expressam a dissolução das fronteiras entre escrita e imagem: nem o texto é legenda, nem a imagem é ilustração.
Ver maisDeambulações que partem do Banco de Materiais em direção ao espaço público. Os elementos da arquitetura tornam-se mote para a criação de narrativas vivas: azulejos que guardam memórias, batentes que anunciam histórias, claraboias que filtram a luz e ferros forjados que desenham sombras no chão. A cada passo, os elementos arquitetónicos emergem como uma linguagem própria — símbolos que traduzem tradições, técnicas e imaginários coletivos.
Ver maisDiversas fábricas prosperaram no vale de Massarelos, no seguimento do Cerco do Porto. Uma das indústrias que serviu de base ao desenvolvimento da arquitetura do ferro no Porto foi a da fundição. Destaca-se aqui a história da fundição de Massarelos, a mais importante indústria deste ramo de atividade no Porto. Os movimentos sociais são aqui aflorados através da explicitação das incidências relacionadas com a greve de 1909, que evidenciou a cumplicidade dos metalúrgicos com o movimento socialista. A fundição de Massarelos dedicava-se ao fabrico de material para máquinas agrícolas e industriais, pontes, coberturas metálicas, elevadores hidráulicos, máquinas a vapor, colunas e gradeamentos, entre outras aplicações.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisIniciativa de promoção da leitura, que visa estimular o gosto pela partilha de livros e a interação social. Os textos são criteriosamente selecionados e enviados aos interessados que, posteriormente, se encontram para ler, discutir pontos de vista e partilhar experiências e memórias.
Ver maisPartindo da interpretação e análise de obras que rompem com a linearidade textual, convidam-se os participantes a criar texto-imagem com gramáticas visuais e espaciais próprias: anagramas, caligramas, tipogramas; diagramas; constelações. Nesta oficina, Estela Rodrigues pretende promover um momento de fruição e experimentação poética inspirada em autores de poesia visual e concreta, como Ana Hatherly e outros, com recurso a diferentes técnicas que expressam a dissolução das fronteiras entre escrita e imagem: nem o texto é legenda, nem a imagem é ilustração.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisNesta oficina, cada participante é convidado a trazer um objeto pessoal e a descobrir a história íntima que ele guarda. A partir de exercícios de escrita sensível e de composição visual, constrói-se uma pequena caixa ou vitrina para guardar a peça. Entre memórias e detalhes, o objeto transforma-se num «pequeno tesouro» – um museu portátil onde se cruzam afetos, narrativa e imaginação. No final, cada pessoa leva consigo uma peça única, um espaço poético de significado e presença.
Ver maisNa rua escura as lojas de oiro e pano São pedras frias, frígidas mas quietas. Ó frios mercadores de oiro e pano Porto! Mercado frio e desumano... E no entanto ali é que há Poetas! Pedro Homem de Mello Palavra dita à pressa, com a rua na boca. No Porto, a palavra cola-se a uma cidade autónoma, de iniciativa e comércio, que aprendeu cedo a decidir por si e a negociar o seu lugar. Mas burguesia é também poder: quem entra, quem manda, quem fica de fora. Que cidade é esta que foi sendo feita? Que papel representa no país que queremos contruir?
Ver maisA série «Pontes Ibéricas», integrada na programação dedicada ao órgão ibérico no Centro Histórico do Porto, apresenta o seu segundo concerto, em mais um momento do programa de comemorações dos 30 anos da classificação da cidade como Património da Humanidade pela UNESCO. Neste concerto, dedicado à música ibérica setecentista para órgão e cravo, a sensibilidade estética do barroco tardio e do gosto rococó constitui o pano de fundo de uma nova música de tecla, progressivamente emancipada da escrita coral, que acompanha a assimilação das linguagens italianas da sonata e do estilo concertante. Este repertório traduz uma apropriação criativa desses modelos, reinterpretados à luz dos contextos ibéricos. A clareza formal do novo gosto clássico convive com práticas herdadas, dando origem a um classicismo de feição singular. Órgão e cravo surgem em diálogo histórico, partilhando repertórios e gestos idiomáticos, ainda que explorados em momentos distintos do concerto. Num período de transição, o piano afirma-se progressivamente, reconfigurando o panorama dos instrumentos de tecla e contribuindo para a perda gradual de centralidade dos instrumentos tradicionais. Esta dinâmica reflete a circulação entre espaços litúrgicos e cortesãos ao longo do século XVIII, onde, mesmo na escrita para tecla a solo, o contraste e o diálogo se afirmam como princípios estruturantes. O programa evidencia, assim, a Península Ibérica como espaço de convergência e reinvenção de estilos europeus.
Ver maisUm dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Álvaro de Campos Uma palavra que é prato e metáfora, história e temperamento. As tripas à moda do Porto contam-se como gesto antigo de generosidade e escassez – dar o melhor e ficar com o resto – e, desde então, a cidade aprendeu a reconhecer-se nesse binómio e a fazer das tripas coração.
Ver maisToda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha. Agustina Bessa-Luís A cidade escreve-se com uma linha de pedra: para guardar, para separar, para afirmar. A Fernandina apertou o Porto com portas e postigos, medindo o medo e a ambição, o dentro e o fora. Hoje sobra em fragmentos – uma escada, um pano de muro, um vão discreto para o Douro – e ainda assim cumpre o essencial: lembrar que o Porto cresceu a defender-se, e a marcar o seu lugar.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisAcordes da guitarra que forja o horizonte, que guia o sinuoso voo das gaivotas e acaricia a pele que rasga atalhose atalhos no interior dos sonhos. Estarei vivo enquanto assim me guardar teu coração. Egito Gonçalves O que nos liga a uma cidade? O que nos faz pertencer a um lugar? O que nos leva a identificarmo-nos com as ruas, com as pedras, com as gentes e as paisagens? Porque nos falta a chuva miudinha que continua a cair numa longínqua infância? O corpo vai para onde for preciso, mas o coração bate ao ritmo dos primeiros passos – das primeiras futeboladas, das primeiras saídas à noite – como se a cidade, mesmo longe, nos chamasse ainda pelo nome
Ver maisAli o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos. Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Sophia De Mello Breyner Duas ribeiras que namoram à distância de um mesmo Douro - a partir do Porto e de Gaia, dois autores com fortes ligações ao território e aos seus habitantes vão conversar sobre o que os aproxima e os separa, sobre o rio que passa e o rio que já passou, sobre duas cidades rasgadas pelas águas e unidas por muitas pontes.
Ver maisNão há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade. António José Seguro “Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua”, a cidade do Porto sempre a teve e sempre fez questão de lhe chamar sua. Contra os desmandos do poder, contra o absolutismo, contra o centralismo, contra qualquer ameaça que ponha em causa a sua independência e a sua identidade. O Porto é uma cidade de pensamento, de indústria, de resistência e de criatividade, mais do que um arranjo de pedras e gente, é um atravessar de vozes que gritam liberdade.
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