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Ruben A. (Ruben Alfredo Andresen Leitão, 1920—1975) é um dos mais singulares escritores portugueses da segunda metade do século XX. Tendo-se distinguido no domínio da ficção com diversas obras narrativas e dramáticas, com destaque para o seu romance de referência, «A Torre da Barbela» (1965). No sentido de manter vivo o interesse do público leitor pela obra de um autor cuja infância está intimamente ligada à cidade do Porto – o que está refletido na sua originalíssima escrita autobiográfica – pedimos emprestado o título do colóquio com que, no ano passado, a Fundação Calouste Gulbenkian homenageou o escritor, e convidamos dois estudiosos da sua obra, Dália Dias e Fernando Pinto do Amaral para, a duas vozes, orientarem este curso breve.
Ver maisAtualmente, quase toda a pesquisa necessária para se completar uma árvore genealógica pode ser feita a partir de casa. Mesmo para se elaborar um texto histórico sobre determinada família, na maioria dos casos a informação que precisamos já está disponível na Internet. Contudo, estas aparentes facilidades trazem também dificuldades: hoje em dia, um dos grandes problemas da pesquisa genealógica, para quem não tem formação histórica e não domina tudo o que se relacione com a internet, é precisamente o desconhecimento sobre onde pode estar a informação que interessa e quais os passos para chegar até ela. É comum que nos fiquemos pela informação mais óbvia, ou por aquela que é sugerida por ferramentas de Inteligência Artificial, desconhecendo que muito mais pode ser encontrado a partir do nosso computador. Esta formação prende-se, pois, com a necessidade de saber como pesquisar, onde pesquisar, como ultrapassar os obstáculos que surgem, que meios usar para facilitar a pesquisa e torná-la mais ampla e eficaz, e como organizar a informação recolhida.
Ver maisApós uma primeira exposição, em que se procurou mapear o inicio da carreira de António Carneiro, a sua passagem por Paris, as influências que recebeu e a elaboração de uma poética simbolista, de que se deram exemplos vários, desde a sua obra seminal, o tríptico «A vida – Esperança, Amor, Saudade», até às posteriores, em que essa estética se afirmou e consolidou, esta segunda parte procura perceber um outro eixo fundamental desta obra, encerrando o ciclo expositivo propiciado pela reabertura do Ateliê em 2024, numa iniciativa do Município do Porto e projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo.
Ver maisAo longo do mês de maio, o Museu do Porto assinala o encerramento da exposição “O Voo da Águia II — António Carneiro e a Literatura”, com curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, através de um programa público que reúne apresentações editoriais, uma visita orientada e um momento musical.
Entre 9 e 24 de maio, o Ateliê António Carneiro acolhe um conjunto de sessões que prolongam o universo crítico da exposição, convocando a paisagem, a literatura, a pintura e a criação contemporânea. Este programa acompanha a segunda parte de “O Voo da Águia”, que encerra um ciclo expositivo e aprofunda a relação entre a obra de António Carneiro e o campo literário.
Ver maisA origem do vinho do Porto surge de uma conjugação geográfica, social, histórica e económica invulgar e complexa, onde realidades urbanas e rurais se intercetaram, e da natureza rica e diversa do Douro, representada nesta exposição pela luz branca que, ao embater no prisma humano, é processada e interpretada, gerando um espectro de cores imenso. Tudo isto desaguou numa cultura de contrastes multifacetada e de infinitas possibilidades. Nesta viagem do Douro ao Porto descreve-se de forma simples os três momentos de feitura do vinho, sob perspetivas micro e macro, e a cultura que cada um deles originou: a Cultura da Terra, do Vinho e do Tempo.
Ver mais«Fragmentos da Cidade em Conta Corrente» é o título da exposição que recorre, de forma metafórica, a uma expressão do universo bancário para apresentar uma seleção de peças deste projeto pioneiro da Câmara Municipal do Porto, criado com o objetivo de salvaguardar o património arquitetónico e artístico integrado na arquitetura da cidade.
Ver mais«Call of the West» é uma história reencontrada. Esta exposição, a realizar-se na Casa do Infante, integra o programa da KISMIF Conference 2026. Trata uma narrativa longínqua de uma viagem, de uma amizade e de um momento irrepetível da cultura underground portuguesa. Estes registos fotográficos – feitos por Victor Torpedo em 1997 (com edição e tratamento de negativos de 35mm por Pedro Medeiros) – narram a primeira viagem dos Tédio Boys aos EUA. Era o augúrio de um mundo que se encontrava (e encontra) mergulhado numa série crescente de incertezas e riscos. Estes registos fotográficos são as provas de contacto de uma existência. Este trabalho é sobre um momento. Um eco coberto de poeira de Las Vegas, do isolamento das Badlands, do backstage do CBGB, Hollywood Boulevard e de Graceland. Além disso, é um trabalho artístico-criativo que retrata o tema da diáspora, o movimento e a necessidade de sair, indo em busca de algo diferente, tendo as culturas DIY e a imaginação crítica como um domínio crucial de resistência cultural e política.
Ver maisDeambulações que partem do Banco de Materiais em direção ao espaço público. Os elementos da arquitetura tornam-se mote para a criação de narrativas vivas: azulejos que guardam memórias, batentes que anunciam histórias, claraboias que filtram a luz e ferros forjados que desenham sombras no chão. A cada passo, os elementos arquitetónicos emergem como uma linguagem própria — símbolos que traduzem tradições, técnicas e imaginários coletivos.
Ver maisDiversas fábricas prosperaram no vale de Massarelos, no seguimento do Cerco do Porto. Uma das indústrias que serviu de base ao desenvolvimento da arquitetura do ferro no Porto foi a da fundição. Destaca-se aqui a história da fundição de Massarelos, a mais importante indústria deste ramo de atividade no Porto. Os movimentos sociais são aqui aflorados através da explicitação das incidências relacionadas com a greve de 1909, que evidenciou a cumplicidade dos metalúrgicos com o movimento socialista. A fundição de Massarelos dedicava-se ao fabrico de material para máquinas agrícolas e industriais, pontes, coberturas metálicas, elevadores hidráulicos, máquinas a vapor, colunas e gradeamentos, entre outras aplicações.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisO livro «Pascoaes – Uma Dramaturgia de Espectros» reúne a maioria dos desenhos e pinturas executados por Teixeira de Pascoaes ao longo de várias décadas. Porventura poucos mais existirão para além dos que foi agora possível reunir, graças ao apoio da Câmara Municipal de Amarante, que adquiriu o acervo à família do poeta, e de algumas coleções privadas, entre as quais, as da Fundação Cupertino de Miranda de Famalicão.
Este extraordinário acervo, de que uma parte estava espalhada pelas paredes do solar de Pascoaes em São João do Gatão, foi já parcialmente exposto e publicado anteriormente, mas jamais na extensão do que agora é feito.
Ele vem, desse modo, acrescentar uma dimensão visual, criativa e plástica à demais obra poética e ensaística do grande escritor amarantino. Através dos seus desenhos e pinturas, vemos perpassar não apenas paisagens do Marão, vistas das serranias em redor, ou da ponte de São Gonçalo de Amarante, como igualmente, inúmeros autorretratos e, sobretudo, figuras imaginárias arrancadas Às páginas dos seus livros. De São Paulo ao Pobre Tolo, aos arcanjos e anjos, fantasmas e seres de fantasia que atravessam a sua longa obra poética, podemos ver neles representações fantasiosas que não deixam de evocar, pelo seu caráter efabulatório, outras incursões plásticas de grandes poetas do passado, como William Blake ou Victor Hugo.
O livro integra um ensaio de Bernardo Pinto de Almeida sobre a importância desta obra e, bem sim, um texto anteriormente publicado, mas de pequena circulação, que recolhe o testemunho de Pascoes sobre o seu amigo e companheiro de A Águia, António Carneiro, escrito em 1950, portanto, já depois da morte deste, numa edição da documenta com o apoio da Câmara Municipal do Porto e da Câmara Municipal de Amarante.
Foram igualmente utilizados no livro um retrato do poeta por Pedro A H Paixão, uma obra de Nikias skapinakis - «O quarto de Teixeira de Pascoes» -, além de outros elementos biobliográficos, entre os quais, vários retratos do poeta por António Carneiro.
Coeditada pelo Município do Porto, pelo Município de Amarante e pela Documenta, a obra será apresentada por Bernardo Pinto de Almeida, Jorge Leandro Rosa, Hélder Gomes e Manuel Rosa, numa sessão que contará com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, e da Diretora do Museu de Arte Moderna Amadeo de Souza-Cardoso, Maria do Rosário Machado. Ver maisNeste novo projeto, em quinteto, o ponto de partida para a criação de Mário Franco consistiu em explorar e desenvolver duas ideias principais, que se complementam. A primeira, a de procura, a qual pode tomar várias formas, mas que, para este projeto, o contrabaixista imaginou ser aquilo que move a humanidade desde tempos imemoriais: a procura de mais conhecimento, de um sentido para a vida, de uma vida melhor, de novos caminhos e possibilidades. A segunda é a ideia de convergência, onde a linguagem musical se transforma em local de encontro, diálogo e partilha, num mundo que se mostra atualmente cada vez mais dividido e fragmentado. Todos os seus projetos têm como inspiração a sua experiência e a perceção do mundo, enquanto artista completo (contrabaixista, compositor, bailarino). À constante procura, que antecede as primeiras ideias musicais, acrescenta-se a convergência do diálogo musical estabelecido pelas inúmeras influências do jazz e da música improvisada dos dias de hoje.
Ver maisApós o êxito das três primeiras edições do Jazz no Reservatório, que contaram com a presença de nomes incontornáveis da cena jazz nacional e internacional – como Maria João, TGB, Mané Fernandes, SUL, Carlos Bica Quarteto, ENEMY, Troll’s Toy, João Paulo Esteves da Silva Trio, Liftoff, Carsten Dahl Trio, André Santos e Lokomotiv – o festival regressa para a sua 4.ª edição, abrindo novamente os jardins do Reservatório à celebração da música e da criatividade. De carácter assumidamente eclético, esta edição propõe um percurso sonoro que atravessa diferentes linguagens e gerações do jazz. Do Quinteto de Mário Franco, na apresentação do seu mais recente trabalho discográfico, ao trio do reconhecido saxofonista e compositor Andy Sheppard, passando pelo quarteto do premiado Eduardo Cardinho e culminando com o aclamado trio do pianista Mário Laginha, o programa oferece ao público uma experiência rica, diversa e envolvente. Reforçando a sua vocação internacional, o festival volta a integrar artistas de reconhecido mérito além-fronteiras, destacando-se a presença do trio liderado pelo brilhante saxofonista Andy Sheppard, contribuindo para o diálogo entre diferentes cenas e abordagens contemporâneas do jazz.
Ver maisAndy Sheppard Trio, conta com a icónica pianista italiana Rita Marcotulli e o conceituado contrabaixista francês Michel Benita. A música para este trio foi escrita e incubada durante um período que permitiu a Sheppard dedicar-se quase exclusivamente ao trabalho de composição. Oferece-nos uma visão compartilhada sobre o desenvolvimento de uma convergência de caminhos musicais, a partir de estruturas projetadas por Sheppard com base nas suas composições melódicas fluidas, convidando cada membro a aventurar-se em infinitas possibilidades de improvisação com uma estética aberta. O trio tem sido recebido com grande sucesso pelo público em toda a Europa e gravou recentemente para a ECM o seu primeiro disco, produzido por Manfred Eicher. A gravação teve lugar no Auditorio Stelio Molo – RSI, em Lugano, e o lançamento está previsto para 2026.
Ver maisVibrafonista, compositor e produtor residente no Porto, Cardinho tem-se vindo a destacar como um dos músicos mais criativos da sua geração, conhecido pela abordagem ao vibrafone, rítmica e de sonoridade especial. Vencedor da edição de 2025 para ‘Melhor Álbum Jazz’ dos Prémios PLAY, Cardinho desenvolveu ao longo dos anos a sua própria voz no vibrafone apresentando-se com um jazz original, moderno e vivo. Trabalha em simultâneo entre o jazz e a música improvisada, música erudita, pop e música eletrónica. O vibrafone de Cardinho tem a capacidade de nos surpreender sempre, quase parecendo ter a expressividade de um piano.
Ver maisCom uma carreira de mais de três décadas, Mário Laginha é habitualmente conotado com o mundo do jazz, mas o universo musical que foi construindo é mais vasto, passando pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, e pelas bases clássicas que presidiram à sua formação. Dono de uma forte personalidade musical, é na partilha com outros músicos que assenta igualmente a sua carreira. Um dos aspetos que ressalta em qualquer atuação do Mário Laginha Trio é uma invulgar cumplicidade entre o piano de Mário Laginha, o contrabaixo de António Quintino e a bateria de Alexandre Frazão, de que resulta uma evidente alegria de estarem juntos em palco e uma aparente facilidade que decorre de um grande domínio dos instrumentos e de uma forte identificação com a linguagem musical do pianista e líder do grupo.
Ver maisA proposta destas lições tenta uma síntese de iniciação à literatura brasileira, considerando, por um lado, os traços mais característicos da sua história, da sua relação com a língua e a literatura portuguesa; e, por outro, autores e obras que se afirmaram entre os que mais se distinguem pela lição de literatura que oferecem, pela forma, pela escrita, que os tornam legíveis e fascinantes em que qualquer tempo e lugar. O curso propõe uma leitura de obras centrais da literatura brasileira, baseando-se as lições — com exceção da primeira — mais nos próprios textos dos que em caracterizações gerais. Recomenda-se por isso a leitura prévia das obras indicadas.
Ver maisIniciativa de promoção da leitura, que visa estimular o gosto pela partilha de livros e a interação social. Os textos são criteriosamente selecionados e enviados aos interessados que, posteriormente, se encontram para ler, discutir pontos de vista e partilhar experiências e memórias.
Ver maisA tentação totalitária da uniformização social ou arquitetónica é quase uma antítese do Mundo Natural (ao qual o ser humano pertence), onde se manifestam uma infindável diversidade de espécies, subespécies e raças, num encantamento de formas, cores, cheiros e sons. Os espaços que construímos e habitamos são um reflexo das nossas características, constituindo um testemunho do processo histórico das profissões, dos artífices, da industrialização, da estética e da liberdade de sermos diferentes. Nestas digressões orienta-se a educação visual pelos materiais e formas das artes associadas à arquitetura.
Ver maisNesta oficina, cada participante é convidado a trazer um objeto pessoal e a descobrir a história íntima que ele guarda. A partir de exercícios de escrita sensível e de composição visual, constrói-se uma pequena caixa ou vitrina para guardar a peça. Entre memórias e detalhes, o objeto transforma-se num «pequeno tesouro» – um museu portátil onde se cruzam afetos, narrativa e imaginação. No final, cada pessoa leva consigo uma peça única, um espaço poético de significado e presença.
Ver maisA invisibilidade em que tem sido mantido um amplo domínio de criação artística potenciou a necessidade de se fazer ouvir obras de autoria musical no feminino. Em maio, o Museu e Bibliotecas do Porto dá palco à música de compositoras mais desconhecidas e menos interpretadas da viragem do século XX, na sua maioria de nacionalidade portuguesa (Berta Alves de Souza, Francine Benoît), mas também de outras origens que partilham a língua portuguesa ou estéticas afins (Maria de Lurdes Martins, Mariza Resende, Ângela da Ponte).
Ver maisNa rua escura as lojas de oiro e pano São pedras frias, frígidas mas quietas. Ó frios mercadores de oiro e pano Porto! Mercado frio e desumano... E no entanto ali é que há Poetas! Pedro Homem de Mello Palavra dita à pressa, com a rua na boca. No Porto, a palavra cola-se a uma cidade autónoma, de iniciativa e comércio, que aprendeu cedo a decidir por si e a negociar o seu lugar. Mas burguesia é também poder: quem entra, quem manda, quem fica de fora. Que cidade é esta que foi sendo feita? Que papel representa no país que queremos construir?
Ver maisA série «Pontes Ibéricas», integrada na programação dedicada ao órgão ibérico no Centro Histórico do Porto, apresenta o seu segundo concerto, em mais um momento do programa de comemorações dos 30 anos da classificação da cidade como Património da Humanidade pela UNESCO. Neste concerto, dedicado à música ibérica setecentista para órgão e cravo, a sensibilidade estética do barroco tardio e do gosto rococó constitui o pano de fundo de uma nova música de tecla, progressivamente emancipada da escrita coral, que acompanha a assimilação das linguagens italianas da sonata e do estilo concertante. Este repertório traduz uma apropriação criativa desses modelos, reinterpretados à luz dos contextos ibéricos. A clareza formal do novo gosto clássico convive com práticas herdadas, dando origem a um classicismo de feição singular. Órgão e cravo surgem em diálogo histórico, partilhando repertórios e gestos idiomáticos, ainda que explorados em momentos distintos do concerto. Num período de transição, o piano afirma-se progressivamente, reconfigurando o panorama dos instrumentos de tecla e contribuindo para a perda gradual de centralidade dos instrumentos tradicionais. Esta dinâmica reflete a circulação entre espaços litúrgicos e cortesãos ao longo do século XVIII, onde, mesmo na escrita para tecla a solo, o contraste e o diálogo se afirmam como princípios estruturantes. O programa evidencia, assim, a Península Ibérica como espaço de convergência e reinvenção de estilos europeus.
Ver mais«Porto de Letras» é um espaço para rever ou descobrir autores, num ambiente acolhedor para os participantes partilharem as suas experiências e perceções sobre a obra discutida. Em sessões mensais, às terças-feiras, às 18 horas, propomos viver os livros de forma mais completa, através da troca de ideias e do convívio com outros leitores. Esta primeira sessão debruça-se sobre a escritora Ana Luísa Amaral (1956—2022) com a leitura do ensaio «Se tudo fosse só Êxtase Súbito: Poesia e Mundo – Movimento 2» e o texto «10 Poemas».
Ver maisUm dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Álvaro de Campos Uma palavra que é prato e metáfora, história e temperamento. As tripas à moda do Porto contam-se como gesto antigo de generosidade e escassez – dar o melhor e ficar com o resto – e, desde então, a cidade aprendeu a reconhecer-se nesse binómio e a fazer das tripas coração.
Ver maisToda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha. Agustina Bessa-Luís A cidade escreve-se com uma linha de pedra: para guardar, para separar, para afirmar. A Fernandina apertou o Porto com portas e postigos, medindo o medo e a ambição, o dentro e o fora. Hoje sobra em fragmentos – uma escada, um pano de muro, um vão discreto para o Douro – e ainda assim cumpre o essencial: lembrar que o Porto cresceu a defender-se, e a marcar o seu lugar.
Ver maisREMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável.
Cada sessão deste ciclo, conduzido pelo curador Rui Torres, conta com a participação de um convidado especialista nas áreas abordadas que propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código. Ver maisNos Jardins do Palácio de Cristal, onde hoje se passeia entre árvores centenárias e vistas amplas sobre o Douro, existiu no século XIX, um jardim célebre pelos seus perfumes. Um viajante italiano que visitou a antiga Villa d’Entre-Quintas, em 1851, descreveu citrinos em flor que embalsamavam o ar, roseiras e jasmins perfumados, madressilvas que se enroscavam nos carvalhos e magnólias que cresciam ao lado de sobreiros gigantes. Inspirado por essas descrições históricas, este percurso convida a descobrir os aromas que ainda hoje habitam este jardim romântico. Ao longo do caminho, iremos identificar árvores, arbustos e plantas aromáticas que libertam fragrâncias na paisagem urbana, evocando a tradição dos jardins oitocentistas onde a botânica, a estética e o perfume se entrelaçavam. Entre tílias, magnólias, rosas e ervas aromáticas, exploraremos a forma como os jardins foram pensados para serem também experimentados através do olfato, revelando como certos aromas persistem no tempo e continuam a marcar a identidade deste lugar singular da cidade do Porto.
Ver maisAcordes da guitarra que forja o horizonte, que guia o sinuoso voo das gaivotas e acaricia a pele que rasga atalhose atalhos no interior dos sonhos. Estarei vivo enquanto assim me guardar teu coração. Egito Gonçalves O que nos liga a uma cidade? O que nos faz pertencer a um lugar? O que nos leva a identificarmo-nos com as ruas, com as pedras, com as gentes e as paisagens? Porque nos falta a chuva miudinha que continua a cair numa longínqua infância? O corpo vai para onde for preciso, mas o coração bate ao ritmo dos primeiros passos – das primeiras futeboladas, das primeiras saídas à noite – como se a cidade, mesmo longe, nos chamasse ainda pelo nome
Ver maisAli o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos. Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Sophia De Mello Breyner Duas ribeiras que namoram à distância de um mesmo Douro - a partir do Porto e de Gaia, dois autores com fortes ligações ao território e aos seus habitantes vão conversar sobre o que os aproxima e os separa, sobre o rio que passa e o rio que já passou, sobre duas cidades rasgadas pelas águas e unidas por muitas pontes.
Ver maisNão há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade. António José Seguro “Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua”, a cidade do Porto sempre a teve e sempre fez questão de lhe chamar sua. Contra os desmandos do poder, contra o absolutismo, contra o centralismo, contra qualquer ameaça que ponha em causa a sua independência e a sua identidade. O Porto é uma cidade de pensamento, de indústria, de resistência e de criatividade, mais do que um arranjo de pedras e gente, é um atravessar de vozes que gritam liberdade.
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