Return

Encontro com a memória coletiva faz-se entre as páginas de um coração que dá vida às bibliotecas da cidade

Biblioteca de Periodicos

Debruçado sobre um exemplar do Jornal de Notícias de 1940, Rui mergulha na descoberta da história de um trisavô, jornalista e homem do teatro portuense. Na mesa ao lado, Paulo investiga, para uma tese na área cultural, entre as páginas de títulos angolanos. As pesquisas do Rui e do Paulo são exemplos daquele que é o propósito de raiz da Biblioteca de Periódicos: ter a memória coletiva – da cidade e do mundo – aberta e acessível às necessidades de investigação, mas também aos interesses de índole pessoal, de todos os cidadãos.

 

É isso mesmo que garante o vereador da Cultura. “Esta biblioteca tem o propósito de manter disponível e aberta uma parte muito significativa do património da Biblioteca Pública. É uma Casa Forte da memória coletiva que não se encontra fechada, um interposto de memória para todos os portuenses, especialmente vocacionado para o trabalho de investigação”, explica Jorge Sobrado, numa visita à Biblioteca de Periódicos, na tarde desta quarta-feira.

Nascido como uma entre várias medidas de mitigação do encerramento temporário da Biblioteca Pública Municipal do Porto, o equipamento alberga 830 metros lineares, constituídos por 114 periódicos e 80 monografias, primordialmente os títulos identificados pela comunidade científica como necessários para os trabalhos – em curso e em perspetiva. Em breve, serão também disponibilizados os jornais do próprio dia para leitura.

Nem todo o acervo está digitalizado, mas o processo está em andamento e também disponível para responder a pedidos específicos. É também aqui que é feito o trabalho de conservação dos títulos para que nada se perca, assim como a catalogação do depósito legal dos títulos que vão preencher as bibliotecas da cidade.

Ao mesmo tempo, o Município está sempre a fazer aquisições, com o foco atualmente nos exemplares infantojuvenis e nos livros em língua estrangeira, “atendendo a uma cidade que é, cada vez mais, miscigenada e que deve incluir as suas comunidades”.

O trabalho assegurado na Biblioteca de Periódicos é, nas palavras de Jorge Sobrado, “uma espécie de coração que bombeia sangue para as bibliotecas municipais” para que estas sejam “um corpo cuja corrente sanguínea está, permanentemente, em renovação”.

Estendido por várias casas, o acervo da Biblioteca Pública do Porto, garante Jorge Sobrado, continua acessível a todos que o requisitem, seja de um polo para outro, seja para recolha a partir dos depósitos salvaguardados em custódia. “A biblioteca não ficou despossuída dos seus títulos, do seu património”, assegura o vereador.

Mais seguros, mais reservados, na Casa Forte, em São Lázaro, estão tesouros do século XIX e XX, entre o Fundo de Santa Cruz de Coimbra, a cópia do roteiro de Vasco da Gama à Índia, cartas e manuscritos de escritores como Eugénio de Andrade.

A ideia é transferir estas “preciosidades” para a Casa Forte a construir na Biblioteca Almeida Garrett, atualmente em fase de concurso, mas, explica o vereador da Cultura, “se os timings não baterem certo, a primeira resposta estará na Casa do Infante”.

Quando as obras da Biblioteca Pública terminarem, Jorge Sobrado acredita que o Porto terá “uma biblioteca para futuro, que resolverá os problemas por décadas e dará à cidade ainda mais do ponto de vista de serviço cultural”.

No entanto, o vereador não tem dúvidas de que “a Biblioteca Errante não vai voltar atrás, vai ganhar raízes na cidade, vai ganhar afetos e públicos, e vai crescer”, também com “programas de mediação para a leitura, com parceiros na vizinhança”. O próximo polo a abrir deverá ser o da Alfândega, onde a autarquia tem já instalado o núcleo do Museu do Porto.

“Uma cidade deve assumir esse propósito de uma biblioteca de proximidade, descentralizada, que toma a geografia completa do território”, defende Jorge Sobrado.

Mas, ainda antes do início da intervenção de expansão e reabilitação da Biblioteca Pública, da autoria de Eduardo Souto de Moura, o espaço será aberto à cidade numa “oportunidade única de ver o Convento de Santo António vazio”. O convite do programa artístico pensado é “um encontro com os bons fantasmas da biblioteca”.

“Vamos libertar as vozes dos nossos autores e das histórias – desconhecidas ou inconfessáveis – da biblioteca”, adianta o vereador.

Biblioteca de Periódicos está instalada na antiga Escola Ramalho Ortigão, em Campanhã, e funciona de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 18 horas.

 

Fonte: Porto.