Notice 200
Tesouros Numismatica
A exposição “Tesouros do Gabinete de Numismática do Museu do Porto” pode ser visitada, até 19 de outubro, no Núcleo da Alfândega do Museu do Porto. A mostra reúne mais de 300 peças raras – entre moedas, medalhas, condecorações e papel-moeda –, que oferecem um olhar singular sobre momentos marcantes da história portuguesa, as suas conexões internacionais e as transformações sociais, económicas e políticas ao longo de dois milénios.
A mostra reflete de que forma a numismática funciona como uma autêntica narrativa da história do país, documentando eventos e processos que moldaram Portugal. Ao longo de um percurso cronológico e temático, os visitantes são convidado a conhecer peças que vão desde a Antiguidade Clássica até à era Contemporânea, revelando a riqueza do património histórico refletida em cada moeda.
Entre as peças em destaque estão a bráctea grega, uma moeda de prata do século V a.C. encontrada perto de Bragança; a síliqua romana cunhada em Braga, que representa a presença imperial na Península Ibérica; o morabitino, a primeira moeda de ouro emitida em Portugal nos reinados de D. Sancho I e D. Sancho II; e o justo, cunhado no século XV por D. João II, símbolo do poder régio e da consolidação do reino.
A exposição também inclui o Tesouro da Arrábida, conjunto emblemático que testemunha os tempos conturbados da Guerra Peninsular, bem como medalhas comemorativas das invasões napoleónicas e da luta pela independência e soberania do país.
Do ouro do Brasil ao nascimento da moeda moderna
A prosperidade do século XVIII, impulsionada pelo ouro e diamantes do Brasil e pelo comércio ultramarino, deu lugar a um século XIX marcado por instabilidade. A Guerra Peninsular e as invasões francesas estão representadas por medalhas que evocam tanto os tempos conturbados como a recuperação da soberania nacional, com destaque para o Tesouro da Arrábida.
A exposição acompanha ainda os impactos da Revolução Liberal e da elaboração da Constituição de 1822, através de medalhas como a da Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro IV.
O período da Guerra Civil (1828–1834) entre liberais e absolutistas é ilustrado por moedas como a “Degolada”, de D. Maria II, e pela série dos Lóios, cunhada durante o Cerco do Porto.
Com a consolidação do Regime Liberal, o país entra na modernidade financeira. A criação de bancos como o de Lisboa (1821) e o Comercial do Porto (1835) marca o início da emissão de papel-moeda. Notas, chapas de impressão e emissões de outras instituições ilustram a evolução do sistema bancário e o crescimento económico da região.
Programa paralelo
A abertura foi antecedida por uma visita guiada pelo curador Rui Centeno, à qual se seguirá um programa paralelo até 19 de outubro de 2025. Em agosto, haverá visitas guiadas orientadas pelo curador e investigadores, que explicarão em detalhe os temas e peças da exposição, em horários alternados para maior conveniência do público.
Nos meses seguintes, o programa prevê visitas temáticas dedicadas a expositores específicos, além de palestras aprofundadas sobre peças e temas selecionados, como a bráctea, a síliqua, o morabitino, o justo, a “Degolada” e a série dos Lóios, destinadas a todos os interessados em numismática e história de Portugal.