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Exposição inédita revela fotógrafas amadoras portuguesas na Casa Marta Ortigão Sampaio

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Ao todo são mais de 120 as fotografias que integram a próxima exposição temporária da Casa Marta Ortigão Sampaio (CMOS). “O que elas viram, o que nós vemos. Fotógrafas amadoras em Portugal, 1860–1920” apresenta, pela primeira vez, no Porto, o trabalho de três destacadas fotógrafas amadoras. A inauguração está marcada para o dia 30 de maio.

 

O projeto resulta de uma parceria entre o Museu e Bibliotecas do Porto/Município do Porto e o Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

 

Dar a conhecer e divulgar a obra de Margarida Relvas, Mariana Relvas e Maria da Conceição de Lemos Magalhães, retirando-as das sombras do arquivo e inscrevendo o seu percurso na história da fotografia, é o objetivo do projeto, com curadoria de Susana Lourenço Marques e Emília Tavares.

 

A exposição, que apresenta ao todo 134 provas originais do trabalho das fotógrafas, assim como alguns álbuns e periódicos provenientes das coleções do Museu Nacional de Arte Contemporânea, da Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça e de coleções particulares, constitui ainda uma oportunidade de diálogo com a coleção de pintura de Aurélia de Sousa e da sua irmã Sofia de Sousa, que volta a integrar as salas de ambiente da CMOS, após o fim da exposição temporária “Para Aurélia: Desenhos de Fuga”.

 

Mostradas, pela primeira vez, de forma individual e em diálogo, as fotografias de Margarida Relvas, Mariana Relvas e Maria da Conceição de Lemos Magalhães oferecem uma leitura sobre a estética fotográfica de inspiração romântica caraterística do final do século XIX e a sua evolução para uma abordagem pictorialista no início do século XX.

 

Margarida Relvas (1867–1930) e Mariana Relvas (1862–1952), respetivamente filha e segunda mulher do reconhecido fotógrafo Carlos Relvas (1838–1894), e Maria da Conceição de Lemos de Magalhães (1863–1949), materializam essa viragem, ao desenvolverem neste período uma obra fotográfica de exceção.

 

“O que elas viram, o que nós vemos. Fotógrafas Amadoras em Portugal, 1860–1920” resulta da investigação iniciada por Susana Lourenço Marques, no âmbito do projeto WomenPhotPT, dedicado ao mapeamento e à divulgação do conhecimento sobre a atividade de mulheres fotógrafas em Portugal. A exposição na Casa Marta Ortigão Sampaio antecede a mostra no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, de 25 de setembro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026.

Margarida Relvas, Mariana Relvas, Maria da Conceição de Lemos Magalhães

 

Margarida Relvas e Mariana Relvas produziram, sob orientação técnica e estética de Carlos Relvas (1838–1894), um conjunto de imagens cuja autoria lhes é reconhecida pelas fontes da época. Este reconhecimento permite integrá-las, de forma plena e sem reservas, no panorama autoral mais amplo de outras fotógrafas amadoras — e também profissionais — que, na sua maioria, permanecem desconhecidas ou ignoradas pela História da Fotografia.

 

O retrato de estúdio, a paisagem e as naturezas-mortas são os géneros que Margarida Relvas mais cultivou, revelando um domínio técnico apurado e um olhar marcadamente romântico. Já Mariana Relvas afirma-se como um caso singular no panorama fotográfico do século XIX português, ao surgir em coautoria com o seu marido, Carlos Relvas, sobretudo na produção de retratos de estúdio. As suas fotografias de paisagem, porém, revelam-na como uma autora mais autónoma, ainda que uma das obras mais emblemáticas desta colaboração a dois seja o álbum fotográfico Hespanha França e Suissa (1889).

 

Maria da Conceição de Lemos Magalhães é, à luz da investigação atual, a fotógrafa amadora mais prolífica e consistente do início do século XX em Portugal. Com uma obra extensa, integrou o restrito círculo de entusiastas que procurou afirmar um movimento pictorialista nacional, em diálogo com iniciativas congéneres internacionais. A paisagem, o trabalho rural e a representação feminina em ambientes naturais são os seus temas de eleição, explorando com mestria as possibilidades estéticas da natureza, denotando um conhecimento atento dos desenvolvimentos artísticos da fotografia internacional da sua época.

 

“O que elas viram, o que nós vemos. Fotógrafas Amadoras em Portugal, 1860–1920” pode ser vista de terça a domingo, das 10 às 17h30, na Casa Marta Ortigão Sampaio.

 

Toda a informação na página do Museu do Porto.