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Na Casa Marta Ortigão Sampaio, chega ao fim a exposição que abriu os dois cadernos de desenho de Aurélia de Sousa, ligando memória e futuro, pelas mãos das artistas Ana Allen e Jiôn Kiim. “Para Aurélia: Desenhos de Fuga” encerra ao público no próximo domingo, 27 de abril, com uma programação intensa. No final, a música, em forma de live act, promete evocar a natureza, fundindo elementos etéreos, vozes, texturas e sonoridades orgânicas e eletrónicas.
No último dia da exposição, quando forem 10h30, Maria Miguel Von Hafe vai desafiar os participantes a olhar, interpretar e imaginar o que cada um vê naquilo que o outro faz, numa conversa infinita que permitirá encontrar novos lugares dentro de cada um.
“O que é que tu vês” procura estimular o poder da imaginação através da livre associação, a partir de uma imersão no ambiente da Casa Marta Ortigão Sampaio, entre objetos variados e plantas magistrais.
Às 14h30, partindo dos cadernos de desenho de Aurélia de Sousa, Walter Almeida convida os participantes a criarem as suas próprias encadernações. Munidos de agulhas, linhas e papéis variados, “Os Encantos da Encadernação Manual” convidam a uma viagem até ao tempo em que os livros eram encadernados manualmente.
Visitas e uma conversa
A exposição “Para Aurélia: Desenhos de Fuga” não só presta um tributo a Aurélia de Sousa, como também perpetua um testemunho de relações artísticas.
Às 11 horas, as curadoras Cristina Regadas e Rita Roque e as artistas Ana Allen e Jiôn Kiim partem à descoberta da coleção da Casa Marta Ortigão Sampaio como esteio para a produção artística, funcionando como inspiração e matéria de estudo e trabalho para outros artistas.
Caberá a Jiôn Kiim, a partir das 15 horas, conduzir os participantes numa viagem pela coleção privada doada por Marta Ortigão Sampaio, explorando as diferentes perspetivas refletidas nas peças, que revelam visões orientais e ocidentais e intercâmbios culturais, ao mesmo tempo que mostram o seu processo de pesquisa e preparação da exposição. Esta visita será orientada em inglês.
“Uma Biblioteca não é só uma Biblioteca” é o mote para uma conversa, às 16 horas, conduzido por Rui Manuel Amaral, num momento dedicado a ouvintes curiosos.
Ao percorrer a biblioteca de Marta Ortigão Sampaio, será possível descobrir um mundo muito particular, onde convivem dicionários e tratados de culinária, Gógol e Raul Brandão, livros de orações e publicações jocosas de Bordallo Pinheiro. Com a leitura de pequenos excertos de alguns livros inesperados, oferece-se uma chave possível para esse mundo pessoal, instigante e diverso.
Desenho e música
“Desenhos no Jardim” vai olhar a variedade de árvores e plantas que habitam o jardim da Casa Marta Ortigão Sampaio. O objetivo será encontrar formas de representar diversas espécies de vegetação. Uma aula conduzida por Ana Allen, marcada para as 15 horas.
O desenho marca ainda lugar na Casa Marta Ortigão Sampaio ao longo de todo o dia, com os Urban Sketchers Portugal Norte, com base no Porto. Com uma abordagem que valoriza a livre expressão e a cultura local, este coletivo de atores promove a prática do desenho in situ como uma forma de preservar a identidade de um lugar e o seu tempo.
Neste dia de encerramento da exposição temporária o desenho torna-se uma ferramenta de descoberta, permitindo observar detalhes que normalmente passam despercebidos.
No live act na Casa Marta Ortigão Sampaio, serão reproduzidas e misturadas composições que evocam a natureza num estado de conexão e tensão. A abordagem deste soundscape, por Patrícia Brito, a partir das 17h30, irá fundir elementos etéreos, vozes, texturas e sonoridades orgânicas e eletrónicas.