Notice 208
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O mais recente núcleo da Biblioteca Errante abre ao público no próximo dia 20 de setembro, com um ciclo de conversas, leituras e reflexões em torno da poesia portuguesa. A ocupar o emblemático edifício da Rua do Passeio Alegre, onde o próprio Eugénio de Andrade viveu e que foi também sede da entretanto extinta fundação a que o “poeta da luz” deu nome, o novo espaço pretende ser ponto de encontro regular para autores e leitores de poesia.
A abertura da primeira biblioteca no Porto exclusivamente dedicada à poesia representa mais do que a extensão da rede da Biblioteca Errante. É uma casa para a poesia, para os seus autores, leitores e entusiastas, um espaço de salas luminosas com vista para a Foz do Douro e para o mar, que convidam a inspiradas travessias pelas obras de poetas do passado e do presente.
Trata-se de um novo destino cultural de referência, onde a memória de Eugénio de Andrade se perpetua não só através dos livros, mas também do próprio espaço que foi o seu lar.
Nas estantes da Biblioteca Poética Eugénio de Andrade encontram-se obras que marcaram a escrita do poeta, desde a poesia da Antiguidade Grega e Latina e a tradição trovadoresca medieval, especialmente os Cancioneiros galaico-portugueses, até aos grandes poetas renascentistas portugueses, como Gil Vicente, Garcia de Resende, Sá de Miranda e Bernardim Ribeiro.
O espaço integra, ainda, obras de autores da escola romântica, simbolista, decadentista e saudosista, entre os quais Almeida Garrett, Cesário Verde, António Nobre e Antero de Quental.
A riqueza da coleção é ampliada pela presença de poetas franceses, alemães, ingleses e norte-americanos — Verlaine, Rimbaud, Baudelaire, Rilke, Whitman ou Melville — em diálogo com figuras incontornáveis da literatura portuguesa do século XX, como Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cesariny ou Ruy Belo.
Destaca-se também uma amostra considerável de poesia portuguesa do século XXI, que reflete o pulsar da atual criação poética em Portugal.
Além da consulta local, a biblioteca disponibiliza o empréstimo domiciliário de múltiplos títulos.
Ciclo de conversas inaugura programação cultural regular
O arranque da programação da Biblioteca Poética Eugénio de Andrade assinala-se com um ciclo, desenhado para os últimos meses pelo jornalista e homem de letras Luís Miguel Queirós, que reunirá especialistas, poetas e amantes da literatura.
Sob o mote de um verso de Eugénio – “Era um dia que dava para o mar — Conversas na Calçada de Serrúbia” –, decorrem, entre setembro e dezembro, quatro sessões, repartidas por um sábado de cada mês, com conversas, leituras e reflexões em torno da poesia portuguesa, a de ontem, a de agora e a que está por vir.
A primeira sessão acontece já no próximo dia 20 de setembro, às 18 horas, com uma conversa entre o poeta, dramaturgo e tradutor Daniel Jonas e o ensaísta e crítico literário António Guerreiro.
No final da sessão realiza-se uma visita aos diferentes espaços da biblioteca. Seguem-se sessões com António M. Feijó, no dia 18 de outubro, e Álvaro Domingues e Rui Lage, a 8 de novembro.
A encerrar o ciclo, no dia 20 de dezembro, Andreia C. Faria, Elisabete Marques, Hugo Miguel Santos e Marcos Foz apresentam o projeto de construção coletiva de uma antologia da nova geração de poetas portugueses do século XXI. Idealizado por Luís Miguel Queirós, este projeto terá na Biblioteca Poética Eugénio de Andrade o seu “quartel-general”, a sua âncora.
Todas as sessões são de entrada livre, mas os lugares são limitados à lotação do espaço. O programa completo pode ser consultado na página das Bibliotecas do Porto.
Um projeto em crescimento
A abertura da Biblioteca Poética Eugénio de Andrade representa mais um marco na evolução da Biblioteca Errante, projeto das Bibliotecas Municipais do Porto que tem vindo a implantar pela cidade uma rede de bibliotecas temáticas, permanentes ou móveis, aproximando o livro e a leitura da comunidade e valorizando espaços da cidade com funções de consulta, leitura e requisição.
Com este núcleo dedicado à poesia, o nono do projeto, consolida-se esta rede de microbibliotecas, parte das quais instaladas nos espaços do Museu do Porto. Cinema, Arqueologia, História da Arte, Autores Portuenses, Infantojuvenil e Assuntos Portuenses são algumas das temáticas já representadas.