Notice 220
1-Reservatorio © Antonio Alves
Depois da edição de verão, o Reservatório promove o curso de outono “LiDAR em Arqueologia e Património: Fundamentos, Aplicações e Prática em Portugal”, orientado por João Fonte, arqueólogo da ERA Arqueologia e especialista em deteção remota. As sessões decorrem às sextas-feiras, nos dias 7, 14, 21 e 28, entre as 17h30 e as 19h30, com bilhetes disponíveis online (BOL) e nas bilheteiras do Museu e das Bibliotecas do Porto.
O curso propõe uma experiência de aprendizagem que permite compreender de forma concreta como a tecnologia LiDAR (Light Detection And Ranging) auxilia na investigação e preservação do património arqueológico. Ancora-se em exemplos nacionais e exercícios práticos, nos quais os participantes observam a relação entre os dados digitais e a paisagem real, revelando detalhes que, de outra forma, permaneceriam ocultos.
Quatro sessões para ver a paisagem com outros olhos
As quatro sessões seguem um percurso progressivo, da compreensão à experimentação. A primeira, dia 7, estabelece os fundamentos do método e apresenta as principais plataformas de recolha e produtos derivados. No dia 14, o foco recai sobre as aplicações práticas do LiDAR em arqueologia e património, com destaque para casos de estudo nacionais que ilustram o seu impacto na investigação e na preservação.
As sessões seguintes, a 21 e 28, assumem caráter prático, centrando-se no processamento e na visualização de dados, desde a criação de Modelos Digitais de Terreno e de Superfície até à aplicação de técnicas avançadas de realce topográfico.
O olhar científico por detrás do curso
Licenciado, mestre e doutorado em Arqueologia, João Fonte é arqueólogo da ERA Arqueologia e especialista em deteção remota e sistemas de informação geográfica aplicados ao património. Desenvolve trabalho em projetos nacionais e internacionais e é autor de várias publicações científicas sobre Arqueologia da Paisagem, com especial enfoque na utilização de tecnologias digitais no estudo do território.
Tomando como exemplo o modelo LiDAR das Minas Romanas de França, em Bragança, o curso evidencia o potencial desta tecnologia para iluminar o que permanece invisível e renovar a leitura das paisagens arqueológicas.
Sobre o Reservatório — Uma leitura em camadas
O Reservatório, antigo depósito de água com renovação arquitetónica de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez e projeto museográfico de João Mendes Ribeiro, funciona como uma estação arqueológica que combina funções de museu, espaço de trabalho e reserva viva de vestígios arqueológicos.
Organizado segundo eixos topográficos e estratigráficos, permite percorrer o território e o tempo simultaneamente, estabelecendo relações entre vestígios materiais e evolução urbana. Neste contexto, o espaço reflete de forma simbólica a lógica do LiDAR, revelando camadas invisíveis e oferecendo múltiplas formas de leitura e interpretação do património.