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E se uma máquina embrulhasse poemas, versos, cantigas e lengalengas? E se das máquinas brotassem poesia, gritos, canções? Nesta sessão, cada poema é uma paragem, uma história e uma viagem, um enredo onde se embrulham poemas e coisas que rebentam da terra, que saltam das nuvens e dos locais mais inesperados. Afinal, a poesia é isso mesmo, a beleza desenfreada do inesperado.
Ver maisA ilustração científica, na componente visual e na faceta de divulgação das Ciências, estará também nestas oficinas, aliada às coleções de arqueologia e de literatura da biblioteca e espaço museológico e patrimonial. «As plantas na obra poética de Camões» são o mote para, sessão a sessão, inspirar a riqueza e a precisão visual dos trabalhos orientados pela ilustradora científica Luísa Jorge.
Ver mais«Camilo desorganiza-me», escreveu Óscar Lopes para sintetizar a experiência desconcertante que, para si, enquanto leitor e crítico, representava ler Camilo. Este Curso Breve destina-se a explorar esse desconcerto junto dos mais variados leitores: dos viciados em Camilo aos anticamilianos, dos leitores casuais aos não-leitores. Após um preâmbulo sobre os vestígios que fazem de Camilo Castelo Branco um escritor maldito, deambularemos pela ficção camiliana a observar a rebeldia romanesca que tanto a carateriza.
Ver maisNestas oficinas de iniciação à caligrafia, propomos uma viagem prática e acessível ao universo da escrita manual artística, despertando o olhar para a beleza da letra feita à mão, com aparo e tinta, como manda a tradição.
Ver maisA mostra itinerante e de exterior Livro Aberto – Camillo: Rotas do Escritor convida o público a descobrir a vida e a obra de Camilo Castelo Branco integrada nos espaços do quotidiano, promovendo um contacto direto e acessível com o seu legado literário. Instalada no terreiro da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, a exposição assume um caráter aberto e inclusivo, aproximando a literatura da comunidade e dos territórios que marcaram o percurso do escritor. Através de painéis ilustrados, excertos literários selecionados e referências às rotas camilianas, o visitante é conduzido por uma viagem cultural que cruza, história, geografia, biografia e criação artística, evidenciando a profunda relação entre a obra de Camilo e os lugares que inspiraram a sua escrita. A mostra articula conteúdos literários, patrimoniais e turísticos, reforçando a leitura dos territórios como espaços de memória e criação.
Ver maisA primeira exposição do Museu das Convergências propõe uma reflexão sobre a relação entre objetos, pessoas e lugares, entendendo o fluxo como movimento contínuo que atravessa tempos e geografias distintos. Com mais de 120 objetos provenientes, maioritariamente, da Coleção Távora Sequeira Pinto – em depósito no Museu das Convergências – complementada por empréstimos de várias instituições e de cinco comunidades religiosas da cidade do Porto, a mostra evidencia como os objetos circulam entre contextos, adquirem novos significados e testemunham encontros culturais, revelando trajetórias individuais e coletivas que ligam mobilidades humanas, trocas materiais e relações simbólicas. Utensílios domésticos, fragmentos arqueológicos e obras de arte, organizam-se em seis núcleos temáticos que rompem a linearidade do tempo. «Objetos de passagem» reúne peças associadas a rituais funerários de várias épocas e geografias. «Lugares consagrados» apresenta objetos concebidos para delimitar ou transformar o espaço. N’ «O sagrado, o espiritual e o religioso», revelam-se objetos centrais nos rituais e na construção de universos simbólicos de diversas comunidades religiosas. «Objetos de poder e esplendor» aborda a utilização de objetos e obras de arte na afirmação de poder secular e religioso e na construção de estatuto social. Já «Imaginários do lugar» explora a presença da viagem, do território e da distância na formação de discursos e identidades. O percurso expositivo encerra com «Olhares cruzados», que reúne obras e documentação gráfica sobre diferentes formas de representar o “outro”, da mobilidade e dos encontros ente culturas.
Ver maisSob o mote de Eugénio de Andrade, A Poesia Adora Andar Descalça, inicia-se o Clube de Poesia da Biblioteca Poética Eugénio de Andrade. O clube pretende ser um espaço colaborativo para explorar, discutir e partilhar o universo da palavra, seja através da leitura e análise de poemas de autores reconhecidos, da criação de textos originais ou da reflexão sobre temas universais.
Ver maisApós uma primeira exposição, em que se procurou mapear o inicio da carreira de António Carneiro, a sua passagem por Paris, as influências que recebeu e a elaboração de uma poética simbolista, de que se deram exemplos vários, desde a sua obra seminal, o tríptico «A vida – Esperança, Amor, Saudade», até às posteriores, em que essa estética se afirmou e consolidou, esta segunda parte procura perceber um outro eixo fundamental desta obra, encerrando o ciclo expositivo propiciado pela reabertura do Ateliê em 2024, numa iniciativa do Município do Porto e projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo.
Ver maisA origem do vinho do Porto surge de uma conjugação geográfica, social, histórica e económica invulgar e complexa, onde realidades urbanas e rurais se intercetaram, e da natureza rica e diversa do Douro, representada nesta exposição pela luz branca que, ao embater no prisma humano, é processada e interpretada, gerando um espectro de cores imenso. Tudo isto desaguou numa cultura de contrastes multifacetada e de infinitas possibilidades. Nesta viagem do Douro ao Porto descreve-se de forma simples os três momentos de feitura do vinho, sob perspetivas micro e macro, e a cultura que cada um deles originou: a Cultura da Terra, do Vinho e do Tempo.
Ver maisO Dia Mundial da Poesia tem vocação de desarmar o quotidiano. Convocamos os intérpretes, aos pares e em turnos para brindar os passageiros do Carro Elétrico e do Metro do Porto com poemas lidos em recato ou em exuberância.
Ver maisO Som do Algodão apresenta uma revolução feita de palavras. Uma performance poética e sonora em que a liberdade dos homens encontra o voo dos pássaros. O pássaro que voa em liberdade, o pássaro que insistimos em inventar sempre que temos as asas cortadas. A liberdade para experimentar no palco, nos corpos. Entre famílias, crianças e na comunidade. Entre todos. Focada no encontro intergeracional, esta sessão reúne poetas portugueses, como Manuel António Pina, Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos ou Sophia de Mello Breyner Andresen, e músicas de intervenção que contam a história da revolução.
Ver mais«A Língua Descalça» é um novo podcast que vai ser transmitido quinzenalmente, a partir da Biblioteca Poética Eugénio de Andrade. À conversa, Gabriela Relvas e Renato Filipe Cardoso irão explorar assuntos atuais, intemporais e gotejantes da condição de estar vivo. Cada episódio dedicado a um tema predefinido, tendo sempre a poesia como resposta, como meio de diálogo. Este será o primeiro de muitos momentos divertidos e sentidos, com leituras de poemas que atam ou desatam os nós do que é dito.
Ver maisO Porto Oitocentista assistiu à partida de inúmeros rapazes para o Brasil. Muitos destes jovens deslocaram-se em busca da «árvore das patacas» e alguns regressaram à sua terra natal, onde construíram palacetes, edificaram hospitais e escolas ou abriram estradas. Brás Cubas, Silva Monteiro, o Conde de Ferreira, o Barão Nova Sintra, o Visconde Pereira Machado ou Gaspar Ferreira Baltar constituem exemplos de «brasileiros de torna-viagem», que utilizaram a sua fortuna no enriquecimento desta cidade, dotando-a de importantes infraestruturas como o Palácio de Cristal, o Hospital dos Alienados ou um jornal diário. Assim, o Porto modernizou-se e ampliou-se com a chegada destes «brasileiros de torna-viagem», imortalizados na obra de Camilo Castelo Branco.
Ver maisPartindo da interpretação e análise de obras que rompem com a linearidade textual, convidam-se os participantes a criar texto-imagem com gramáticas visuais e espaciais próprias: anagramas, caligramas, tipogramas, diagramas, constelações. Um momento de fruição e experimentação poética, inspirada em autores de poesia visual e concreta, como Ana Hatherly e outros, com recurso a diferentes técnicas que expressam a dissolução das fronteiras entre escrita e imagem: nem o texto é legenda, nem a imagem é ilustração.
Ver maisO Dia Mundial da Poesia tem vocação de desarmar o quotidiano. Convocamos os intérpretes, aos pares e em turnos para brindar os passageiros do Carro Elétrico e do Metro do Porto com poemas lidos em recato ou em exuberância.
Ver maisDe março a junho, durante os meses da estação primaveril, vamos celebrar o Sol com quatro palestras sobre o poeta Eugénio de Andrade moderadas pela investigadora Maria Bochicchio. Entre vários temas e convidados, esta sessão inaugural das Conversas ao Sol abre com a presença do distinto escritor portuense Mário Cláudio, autor de uma vasta e muito multifacetada obra que abarca, entre vários géneros, também a Poesia, celebrada de modo especial neste que é o seu dia.
Ver maisNo Dia Mundial da Poesia, Guilherme Cobretti desafia os leitores a porem à prova os seus conhecimentos sobre poetas e textos poéticos. Num ambiente descontraído, os participantes organizam-se em equipas espontâneas para responderem aos desafios deste jogo dinâmico e divertido, focado no universo da poesia. Um convite a todos os que gostam de ler poesia, com prémios para os vencedores.
Ver maisO Porto com suas palavras que sobem do coração, o Porto com sua pronúncia de quatro pedras na mão. João Pedro Mésseder O que dizemos e como o dizemos, o canto que levamos na voz de todos os dias, as palavras que trocamos, os silêncios que partilhamos. Não existe uma pronúncia do Norte, há muitas pronúncias e muitos Nortes, há milhares de cidades escondidas nas almas e nas vozes portuenses.
Ver maisO Dia do Vizinho é um convite à proximidade, ao encontro e à partilha. Três domingos por ano, o Museu e Bibliotecas do Porto abre as suas portas em ambiente de festa para celebrar com quem lhes está mais próximo: os vizinhos. Cada edição acontece num espaço diferente da cidade e é cocriada com a população local, artistas, coletivos, associações e instituições do mesmo território. Desde manhã cedo até ao fim da tarde, há propostas para todas as idades e interesses: oficinas, visitas guiadas, jogos, música, conversas, lanche, percursos, tempo para não fazer nada... e espaço para os vizinhos mostrarem os seus talentos e criações.
Mais do que um dia de festa, o Dia do Vizinho é uma prática de escuta e construção coletiva, refletindo relações, memórias e saberes entre quem ali vive e os espaços e equipas do Museu e Bibliotecas do Porto. Um gesto que fortalece laços, valoriza o território e faz dos museus e bibliotecas lugares verdadeiramente habitados. A decorrer na Biblioteca Poética Eugénio de Andrade e Museu do Carro Eléctrico, este será mais um dia de celebração e de descoberta do lugar como espaço de encontro e pertença. Juntos, entre palavras, gestos e afetos, vamos fiando os caminhos de uma cidade partilhada. Ver maisO Festival Internacional Santa Cecília regressa ao Museu do Porto numa sexta edição que reafirma a sua posição de referência no panorama musical. Ao longo de dez concertos, todos os domingos entre 1 de março e 10 de maio de 2026, às 16h00, o festival volta a celebrar o piano enquanto instrumento de convergência artística, reunindo tradição e contemporaneidade num programa de elevada exigência artística e singular elegância.
Ver maisNo âmbito das Comemorações do Dia Mundial da Poesia, O Pinguim Café associou-se à Divisão Municipal de Bibliotecas para uma noite de poesia especial. Entre Os Poetas da Cidade e Os Músicos da Cave, esta será uma sessão temática para, entre poemas e músicas, escutarmos Francisca Bartilotti, Francisca Camelo, Kendall, Sérgio Morais, Bernardo Guerra Machado, Filipa Leal, Pedro Lamares, Ismael Calliano, João Habitualmente, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Renato Filipe Cardoso, Eduardo Leal, Rui David, Blandino, Cauê Nardi, Óscar Ribeiro, Paulo Kanuko, Carlos Correia, Hugo Araújo...
Ver maisEste Dia Nacional dos Centros Históricos é um dos momentos altos do programa «MALHA. Porto, Património de Pessoas», uma celebração dos 30 anos do reconhecimento da UNESCO, da cidade e das pessoas que lhe dão vida, que reafirma o Centro Histórico do Porto como um legado partilhado e uma fonte de identidade para as gerações futuras, um património comum para cuidar e preservar.
Ver maisESGOTADO Nesta primeira sessão, proporcionamos uma introdução prática à tecelagem, convidando as famílias a explorar o tear e as suas possibilidades criativas. Durante a sessão e com recursos a verdadeiros teares de quadros, aprenderemos os princípios básicos da tecelagem e iremos criar as nossas próprias composições têxteis com fios de diversas cores e texturas. No final, os participantes poderão levar consigo os tecidos que criaram.
Ver maisO Museu do Vinho do Porto abre as suas portas e convida à exploração da sua nova exposição e da paisagem envolvente. Será o ambiente inspirador e desafiador para a prática do desenho à vista em família. O resto… deixemo-nos guiar pelas cores do vinho. Junta-te a nós nessa aventura!
Ver maisUma «aula aberta» com Gonçalo M. Tavares sobre poesia e prosa e sobre o conceito de epopeia, com referências à poesia clássica grega e à poesia americana contemporânea, como exemplos. Nesta sessão serão feitas leituras do último livro do autor, «O Fim dos Estados Unidos da América», a epopeia, procurando ilustrar esse ritmo de escrita que mistura diferentes tipos de linguagem – uma linguagem mais densa e o calão, por exemplo – e que cruza o percurso narrativo de uma peste nos Estados Unidos da América, que divide pobres e ricos, com o próprio ritmo da língua.
Ver maisNo âmbito da celebração do Dia Mundial da Poesia, desafiámos Inês Lourenço, a autora homenageada na Feira do Livro do Porto 2026, para fazer uma seleção de livros de poesia de sua eleição.
Esta 'escolha' ficará em destaque na Biblioteca Poética Eugénio de Andrade, como um cardápio de leitura. Inês e Eugénio, uma poeta na casa do poeta e amigo, num regresso ao local onde esteve tantas vezes em cavaqueiras e tertúlias. A puxar o fio à meada desta conversa estará Rui de Noronha Ozorio e a declamar Romi Soares. Ver maisConcebida pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni e um dos mais marcantes exemplares do barroco português, a Igreja dos Clérigos revela uma profunda ligação à tradição artística italiana, visível na sua arquitetura, na conceção do espaço e na forma como o som se projeta na nave. Este contexto torna o edifício particularmente adequado à música de matriz concertante. Este concerto assinala o primeiro de um ciclo de doze, dedicado aos órgãos ibéricos, numa iniciativa integrada no âmbito da candidatura dos órgãos ibéricos do Centro Histórico do Porto a Património Mundial da UNESCO, projeto da Direção Municipal de Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto de valorização artística, histórica e patrimonial da cidade.
Ver maisVisitas que exploram, a partir das representações de plantas presentes nas coleções, itinerários de relação entre imagem, ciência e cultura, revelando os modos como a natureza foi historicamente concebida, representada e apropriada em diferentes contextos e materializações.
Ver maisO Festival Internacional Santa Cecília regressa ao Museu do Porto numa sexta edição que reafirma a sua posição de referência no panorama musical. Ao longo de dez concertos, todos os domingos entre 1 de março e 10 de maio de 2026, às 16h00, o festival volta a celebrar o piano enquanto instrumento de convergência artística, reunindo tradição e contemporaneidade num programa de elevada exigência artística e singular elegância.
Ver maisDirigida a todas as pessoas interessadas, mas em especial educadores de infância, professores dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico, bibliotecários, auxiliares de ação educativa e animadores socioculturais, esta ação de formação trabalha a abordagem à poesia e às lengalengas em contexto escolar de forma integrada. O trabalho, eminentemente prático, permite articular poesia e música, trabalhando numa perspetiva unificadora. O encontro entre a palavra e a sua musicalidade natural e os jogos rítmicos irão permitir aos participantes abordar a poesia de um ponto de vista mais criativo e capaz de envolver os alunos num projeto coletivo.
Ver maisPorto – cidade de luz de granito. Tristeza de luz viril com punhos de grito. José Gomes Ferreira Dizem dela que é austera, sombria e escura. A pedra cinzenta que lhe cobre a ruas e com a qual se edificou a Sé, a Torre dos Clérigos, a estação de São Bento e os Paços do Concelho é antiga como o mundo e guarda nela séculos de história, muitos segredos e a determinação silenciosa de quem nasceu para resistir.
Ver maisNesta deriva, curta na geografia mas vasta na história, percorreremos a evolução de um espaço onde a Arte Pública ajudará a tecer pontes entre o lugar, as pessoas e as ideias, inscrevendo identidade e memória, despertando a reflexão e devolvendo sentido e vida a este espaço da cidade.
Ver maisCarlos Alberto, rei exilado da Sardenha, chega amanhã à cidade do Porto. Todos o sabem, mas ninguém o vê. A sua presença anuncia-se em murmúrios, atravessa ruas e jardins, instala-se na imaginação coletiva. Será a 19 de abril. E, no entanto, foi há 177 anos. Que ânimo o move? Quem o acompanha nesta travessia final? Onde deseja repousar e quem procura primeiro? Pelos caminhos que escolhe para chegar à sua morada derradeira, os vizinhos aguardam, suspensos entre a memória e o pressentimento. Esperam como se a chegada fosse iminente, mas com os olhos pousados num tempo que já passou e que, ainda assim, continua a interpelar o presente. Entre história e ficção, este percurso convoca ecos, silêncios e presenças. Não se trata apenas de revisitar um episódio do século XIX, mas de habitar o intervalo entre o que foi e o que permanece. Porque há chegadas que nunca cessam de acontecer.
Ver maisO Porto é só esta atenção empenhada em escutar os passos dos velhos, que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente, os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de S. Victor correndo nos sulcos da sua melancolia. Eugénio de Andrade Uma chávena de café, um jornal aberto e a cidade inteira a acordar. No Piolho, no Ceuta, no Guarany, na Brasileira, no Aviz ou no Majestic, pedia-se um cimbalino, sacudiam-se as páginas impressas e o mundo inteiro ia passando pelos dedos. As grandes manchetes e as notícias locais, o desporto, os negócios, o tempo para amanhã e até a necrologia. Um tempo que passou mas que resiste ainda nas mãos de quem o pratica.
Ver maisO Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. João Chagas Não apenas um ser mitológico, mas um símbolo em que os habitantes da cidade se reconhecem. No brasão, o azul sustém um castelo de ouro sobre um mar ondulado; ao centro, a Virgem de Vandoma com o Menino, por cima das pedras, o dragão – corpo de fogo, asas e garras – a memória do cerco e da coragem de quem resistiu. No estádio, nas ruas, nos Paços do Concelho, sempre a mesma promessa, a de não baixar a cabeça.
Ver maisNos entrepostos dos cais em armazéns, comerciantes trocam por esterlino o vinho que é o sangue dos seus corpos, moeda pobre que são os seus destinos. Joaquim Namorado A palavra não designa apenas uma bebida: é antes um rio antigo que ainda corre e o esforço inteiro de muitas gerações. Não é apenas vinho, mas tempo e sabedoria. O Vinho do Porto é o Douro a descer devagar, são pipas que mastigam os anos no escuro das caves e a doçura lenta em que se transforma a dureza da terra.
Ver maisNa rua escura as lojas de oiro e pano São pedras frias, frígidas mas quietas. Ó frios mercadores de oiro e pano Porto! Mercado frio e desumano... E no entanto ali é que há Poetas! Pedro Homem de Mello Palavra dita à pressa, com a rua na boca. No Porto, a palavra cola-se a uma cidade autónoma, de iniciativa e comércio, que aprendeu cedo a decidir por si e a negociar o seu lugar. Mas burguesia é também poder: quem entra, quem manda, quem fica de fora. Que cidade é esta que foi sendo feita? Que papel representa no país que queremos contruir?
Ver maisToda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha. Agustina Bessa-Luís A cidade escreve-se com uma linha de pedra: para guardar, para separar, para afirmar. A Fernandina apertou o Porto com portas e postigos, medindo o medo e a ambição, o dentro e o fora. Hoje sobra em fragmentos – uma escada, um pano de muro, um vão discreto para o Douro – e ainda assim cumpre o essencial: lembrar que o Porto cresceu a defender-se, e a marcar o seu lugar.
Ver maisToda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha. Agustina Bessa-Luís A cidade escreve-se com uma linha de pedra: para guardar, para separar, para afirmar. A Fernandina apertou o Porto com portas e postigos, medindo o medo e a ambição, o dentro e o fora. Hoje sobra em fragmentos – uma escada, um pano de muro, um vão discreto para o Douro – e ainda assim cumpre o essencial: lembrar que o Porto cresceu a defender-se, e a marcar o seu lugar.
Ver maisAcordes da guitarra que forja o horizonte, que guia o sinuoso voo das gaivotas e acaricia a pele que rasga atalhose atalhos no interior dos sonhos. Estarei vivo enquanto assim me guardar teu coração. Egito Gonçalves O que nos liga a uma cidade? O que nos faz pertencer a um lugar? O que nos leva a identificarmo-nos com as ruas, com as pedras, com as gentes e as paisagens? Porque nos falta a chuva miudinha que continua a cair numa longínqua infância? O corpo vai para onde for preciso, mas o coração bate ao ritmo dos primeiros passos – das primeiras futeboladas, das primeiras saídas à noite – como se a cidade, mesmo longe, nos chamasse ainda pelo nome
Ver maisAli o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos. Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Sophia De Mello Breyner Duas ribeiras que namoram à distância de um mesmo Douro - a partir do Porto e de Gaia, dois autores com fortes ligações ao território e aos seus habitantes vão conversar sobre o que os aproxima e os separa, sobre o rio que passa e o rio que já passou, sobre duas cidades rasgadas pelas águas e unidas por muitas pontes.
Ver maisNão há Portugal sem o Porto e não há Porto sem um permanente amor à liberdade. António José Seguro “Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua”, a cidade do Porto sempre a teve e sempre fez questão de lhe chamar sua. Contra os desmandos do poder, contra o absolutismo, contra o centralismo, contra qualquer ameaça que ponha em causa a sua independência e a sua identidade. O Porto é uma cidade de pensamento, de indústria, de resistência e de criatividade, mais do que um arranjo de pedras e gente, é um atravessar de vozes que gritam liberdade.
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