Notice 250
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O Museu do Porto, no Palacete Viscondes de Balsemão, abre, esta sexta-feira, 17 de abril, simultaneamente duas novas exposições de entrada livre. “Banco de Materiais – Fragmentos da Cidade em Conta Corrente”, dedicada à memória arquitetónica e artística da cidade, e “Exército, Guerra e Moeda na Hispania”, que apresenta um núcleo significativo do acervo do Gabinete de Numismática do Porto, podem ser visitadas a partir das 17h30.
Estas inaugurações refletem o compromisso do Município com a salvaguarda, valorização e promoção do património portuense, aproximando o público da história patrimonial e artística da cidade.
Para o vereador da Cultura e Património, “estas exposições configuram um reencontro com a memória cenográfica, simbólica e económica do Porto”. “É-nos reapresentada a pele já desaparecida da arquitetura e decoração da cidade, ao mesmo tempo que nos é proposto um olhar sobre moedas em tempos de guerra, aqui usadas, encontradas ou colecionadas”, explica Jorge Sobrado.
Banco de Materiais – Fragmentos da Cidade em Conta Corrente
A nova proposta expositiva do Banco de Materiais propõe uma leitura renovada da memória urbana do Porto a partir de azulejaria, cerâmica e outros elementos arquitetónicos que marcaram a identidade visual da cidade. Com curadoria de Maria Augusta Martins e Rita Roque, integra-se num projeto mais amplo de salvaguarda e valorização do património azulejar, financiado pelo Programa NORTE 2030, envolvendo intervenções de conservação em imóveis emblemáticos, como a Capela das Almas, a Igreja de Santo Ildefonso e a Igreja Paroquial de Santa Maria de Campanhã.
A nova exposição permite, também, uma leitura interdisciplinar, abordando a história da produção cerâmica e arquitetónica, o papel da indústria, a evolução das técnicas construtivas e decorativas, e a relação entre espaço urbano, identidade e memória coletiva.
O Banco de Materiais, aberto ao público em 2010, recolhe, preserva, conserva e reutiliza fragmentos de edifícios em risco, funcionando como elo entre conservação, reutilização e educação patrimonial. Paralelamente à exposição de longa duração, o espaço propõe percursos orientados, oficinas infantojuvenis, visitas com “estórias” e cursos breves.
Exército, Guerra e Moeda na Hispania
Já o Gabinete de Numismática inaugura uma exposição que revela a inter-relação entre moeda, poder militar e organização territorial na Península Ibérica, entre o século V a.C. e o século VIII d.C. Com curadoria de Rui Centeno, a mostra apresenta ao público um conjunto significativo de peças que permite compreender como a moeda foi utilizada não apenas como instrumento económico, mas como ferramenta de propaganda, afirmação política e regulação de territórios.
“Exército, Guerra e Moeda na Hispania” abrange períodos fundamentais da história da Península Ibérica, desde a presença grega e púnica até à conquista romana, passando pelas guerras civis do Império e a formação dos reinos suevo e visigótico.
Destacam-se moedas associadas à circulação comercial e militar, produções monetárias ligadas à presença de exércitos romanos e o uso da moeda como símbolo de poder e propaganda. Ao reunir estas peças pela primeira vez em exibição conjunta, a exposição permite uma leitura comparativa e transversal, evidenciando a importância da Península Ibérica no contexto mediterrânico e europeu da Antiguidade e Alta Idade Média.
A mostra inclui, também, um olhar aprofundado sobre a produção, circulação e simbolismo das moedas em contextos militares e políticos, revelando o papel das cidades, exércitos e governantes na construção do poder. “Exército, Guerra e Moeda na Hispania” promove uma experiência educativa e interativa para públicos de todas as idades.