Nova 241
Fotografia de Fábio Reis
“Desempacotando a Minha Biblioteca” – iniciativa que decorre nos dias 27 e 28 de março – convida o público a fazer uma leitura demorada das paredes agora vazias da Biblioteca Pública Municipal do Porto, uma vez que o edifício histórico será definitivamente encerrado para obras de reabilitação e expansão. O “até já coletivo”, como lhe chamou, esta quinta-feira, o vereador da Cultura e Património, é também uma “oportunidade única” para conhecer o antigo Convento de Santo António despido de livros – mas não de memórias.
“É uma oportunidade única em 200 anos. Nunca o Convento de Santo António pôde ser visto assim. Nunca se pôde percorrer um edifício com tanta liberdade”, reiterou o vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado, lembrando que, além do encontro com os “fantasmas” da Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP), o público é convidado a “conhecer as metamorfoses” do espaço, que, em breve, vai encerrar para obras.
Antes das portas se fecharem, a comunidade tem, pela última vez, a oportunidade de fazer uma leitura despida dos recantos do edifício histórico, através da atividade “Desempacotando a Minha Biblioteca”, que decorre nos dias 27 e 28 de março, entre as 10 e as 23 horas. Estão previstas sessões de 30 em 30 minutos, nas quais os grupos de participantes podem assistir a várias performances pelos espaços já vazios e fazer uma ligação entre o que é visível e o que tem lugar no imaginário.
“Pode ser um pouco contraditório, mas o momento em que a Biblioteca Pública fecha para obras é o momento em que também procura uma nova ligação com os portuenses”, expressou o autarca – numa visita em que esteve acompanhado pela poeta Minês Castanheira –, notando que a iniciativa propõe uma reflexão profunda sobre a vivência dos cidadãos na sua relação com o livro e literatura, construída sobre múltiplas camadas de história, das quais existem ainda vestígios por ler.
Estando o início das obras da BPMP previsto para o verão, o vereador da Cultura e Património garantiu que o espaço cultural e histórico da cidade não será esquecido durante o processo de reabilitação e expansão. Estão previstas atividades que vão manter viva a memória de uma biblioteca, que é “berço de cultura de uma ideia de cidade”, referiu Jorge Sobrado.
“Já este ano teremos uma nova exposição, que vai nascer na Casa do Infante, dedicada a toda esta mega operação histórica e única de desempacotamento deste imenso caixote que é a Biblioteca Pública”, detalhou o responsável político, revelando que, no período em que o espaço estiver fechado, irá ser publicado “um grande livro das histórias inconversáveis”.
Ficou ainda patente a promessa de, ao longo dos quatro anos do atual ciclo autárquico, se pensar numa nova exposição que revisite os “100 Tesouros da Biblioteca Pública Municipal do Porto”.
As obras de reabilitação e expansão da BPMP representam um investimento municipal na ordem dos 31,5 milhões de euros. O avanço da empreitada, que tem por base um projeto de Eduardo Souto Moura, aguarda o visto do Tribunal de Contas.
Fundada em 9 de julho de 1833, por ordem de D. Pedro IV, em plenas lutas liberais, a antiga Real Biblioteca Pública do Porto está instalada, desde 1842, no antigo Convento de Santo António da Cidade, edifício do século XVIII, classificado como imóvel de interesse público desde 1972.
Fonte: porto.pt