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Museu do Porto / Reservatório, 2021. Fotografia de António Alves
Após as oficinas orientadas por Luísa Jorge, o ciclo “A(R)RISCAR — Ilustração Científica” prossegue este sábado, 28 de fevereiro, na Biblioteca de Arqueologia (Reservatório no Parque da Pasteleira), com dois momentos articulados pelo mesmo mote “As plantas na obra poética de Camões”. Às 11 horas, acontece a palestra com o mesmo nome e, pelas 15h30, decorre a abertura da mostra “O Jardim de Camões”, patente até ao final de junho. A entrada é livre.
A iniciativa cruza ciência, arte e literatura, convidando o público a explorar a interseção entre botânica, poesia e desenho científico, transformando a ilustração numa ferramenta de conhecimento e reflexão sobre o território, a cultura e a memória visual.
Palestra — “As plantas na obra poética de Camões”
No sábado, às 11 horas, a Biblioteca de Arqueologia acolhe a palestra, para maiores de 16 anos, com Jorge Paiva, botânico e autor do livro “As plantas na obra poética de Camões”. Ao revisitar “Os Lusíadas” e outros textos camonianos, Jorge Paiva evidencia como a botânica e a poesia se cruzam, oferecendo o enquadramento científico e literário que sustenta o olhar sobre a flora camoniana que atravessa todo o ciclo.
Jorge Américo Rodrigues de Paiva (1933) é botânico e professor com carreira ligada à Universidade de Coimbra, com trabalho de referência em taxonomia vegetal, palinologia e ambiente, somando mais de 500 publicações. Mais recentemente, tem aprofundado o diálogo entre ciência e clássicos, tendo sido coautor de Teofrasto (2020) e de obras dedicadas a Camões (2024).
O seu percurso foi reconhecido com vários prémios, incluindo distinções da Universidade de Coimbra (em 2013 e 2014) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2021), sendo ainda homenageado na nomenclatura botânica em dez nomes de plantas.
“O Jardim de Camões” — Mostra com obras de Luísa Jorge
Às 15h30, Luísa Jorge conduz a abertura da mostra “O Jardim de Camões”, composta por ilustrações a tinta-da-china e aguarela inspiradas nas plantas referidas na obra poética de Luís Vaz de Camões. Os trabalhos dão forma ao universo vegetal do poeta, com particular destaque para espécies que poderiam encontrar-se entre Coimbra e Lisboa no século XVI, traduzindo em imagem as referências botânicas que estruturam o mote do ciclo. A exposição pode ser visitada até ao final de junho de 2026. A entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço.
Luísa Jorge formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, tendo orientado progressivamente o seu percurso para a Conservação da Natureza e a Ecologia, e realizou uma pós-graduação em Ilustração Científica, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Espaço intimista
Instalada num antigo reservatório de água, no Parque da Pasteleira, núcleo integrante do Museu do Porto, a Biblioteca de Arqueologia afirma-se como um espaço intimista, propício à leitura especializada e à investigação. Acolhe também reservas e destaca-se como área de estudo de materiais arqueológicos.
A biblioteca reúne um acervo de cerca de 800 títulos, entre obras de referência, monografias e ensaios de autores portugueses e estrangeiros, com especial enfoque no Porto e no Norte de Portugal. Este local integra, ainda, a rede das Bibliotecas Municipais, permitindo a requisição de obras de arqueologia e áreas afins.
Com o ciclo “A(R)RISCAR — Ciclo de Ilustração Científica, a Biblioteca de Arqueologia”, o espaço pretende afirmar-se como lugar de cruzamento entre ciência, património e criação contemporânea, convidando o público a observar, desenhar e pensar o conhecimento a partir da relação entre palavra, natureza e imagem.
Por motivo de pré-aviso de greve, o percurso museológico poderá estar condicionado, contudo, a palestra realiza-se na Biblioteca de Arqueologia, mantendo-se o acesso ao espaço.