Com Pedro M. Monteiro e Rui Soares
28 MAR 2026 18:30–20:00
IGREJA DOS CLÉRIGOS
Órgão da Igreja dos Clérigos. Fotografia de Patrícia Sequeira
Concebida pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni e um dos mais marcantes exemplares do barroco português, a Igreja dos Clérigos revela uma profunda ligação à tradição artística italiana, visível na sua arquitetura, na conceção do espaço e na forma como o som se projeta na nave. Este contexto torna o edifício particularmente adequado à música de matriz concertante.
Este concerto assinala o primeiro de um ciclo de doze, dedicado aos órgãos ibéricos, numa iniciativa integrada no âmbito da candidatura dos órgãos ibéricos do Centro Histórico do Porto a Património Mundial da UNESCO, projeto da Direção Municipal de Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto de valorização artística, histórica e patrimonial da cidade.
O programa estabelece uma ligação clara entre a tradição italiana do concerto, em particular o modelo do concerto grosso e do concerto solístico a dois instrumentos, e a prática musical ibérica do século XVIII. As obras de Antonio Soler e Pedro José Blanco, escritas originalmente para dois órgãos, exploram o diálogo, o contraste e a alternância de protagonismo entre os instrumentos, princípios estruturais herdados diretamente da tradição concertante italiana. Esta influência torna-se evidente na presença de Johann Sebastian Bach, quer através da «Sinfonia da Cantata BWV 29», inspirada no modelo do concerto italiano, quer na sua transcrição de um concerto de Antonio Vivaldi, onde o pensamento italiano é assimilado e transformado numa linguagem de grande rigor formal. A criação contemporânea surge representada por «Salamanca», de Guy Bovet, obra que revisita a tradição ibérica a partir de uma perspetiva atual, enquanto a «Sonata n.º 2», de Francisco Xavier Baptista, destaca a especificidade da escola portuguesa. A utilização de dois órgãos permite explorar plenamente a espacialidade da Igreja dos Clérigos, transformando o edifício num verdadeiro instrumento acústico, onde arquitetura, tradição concertante
e património organístico convergem numa experiência musical singular.
Entrada livre, sujeita à lotação do espaço
R. de São Filipe de Nery
4050-546 Porto