Nova 183
Nau de Estevão da Gama da Armada de Vasco da Gama na Primeira Viagem à Índia, Livro de Lisuarte de Abreu, c. 1565
A Biblioteca Municipal Almeida Garrett recebe, em maio, mais um curso breve, que, ao longo de quatro sessões, vai analisar o posicionamento da cidade do Porto nas redes comerciais do Atlântico, entre os séculos XV e XVII.
“O Porto e o Espaço Atlântico na Época Moderna”, orientado por Amândio J.M. Barros (CITCEM, FLUP), tem lugar sempre à segunda-feira, a partir das 18 horas.
Programa
Dia 5 de maio: O Porto e a Expansão Marítima Portuguesa — Antecedentes e inovação
Raízes do envolvimento do Porto, recuando à Idade Média para compreender o desenvolvimento das suas estruturas mercantis e navais. O papel da cidade em instituições como a Bolsa dos Mercadores e a Companhia das Naus, essenciais para a organização do comércio e da atividade naval. A importância do Porto como espaço de inovação na construção naval. Envolvimentos da cidade com a navegação atlântica e os serviços prestados à Coroa. O apoio logístico e financeiro da elite mercantil portuense à política marítima de João II e Manuel I.
Dia 12: O Porto e o Espaço Atlântico — Redes Mercantis e Economia Global
Durante a Baixa Idade Média, a cidade mantinha ligações comerciais sólidas com o Mediterrâneo e o Atlântico Norte, participando numa rede alargada de circuitos marítimos e mercantis, sendo um ponto de distribuição de diversas mercadorias. O alargamento dessas redes para o Atlântico Sul, no século XVI, consolidou a presença dos mercadores portuenses nos circuitos globais, com impactos significativos na cidade e nos territórios colonizados.
Dia 19: O Porto e o Tráfico Esclavagista (Parte I — Meios e Agentes)
O Porto no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, destacando-se os fatores que conduziram à sua participação nesse tráfico, dominado por Lisboa e Sevilha, e o perfil dos envolvidos, que pertenciam tanto à nova burguesia comercial, quanto a antigas famílias mercantis da cidade.
Dia 26: O Porto e o Tráfico Esclavagista (Parte II — Circuitos e Quotidianos)
Embora a maior parte das pessoas escravizadas, com origem nos entrepostos da costa africana, fosse desembarcada em Lisboa, o Porto também participou no tráfico esclavagista, especialmente como redistribuidor na Península Ibérica. A sua presença na cidade, as ligações do Porto a Lisboa e Sevilha, bem como os circuitos atlânticos que envolviam os territórios africanos, brasileiros e americanos serão temas desta última sessão.