Nova 227
Fotografia de Sérgio Rolando
O Museu e as Bibliotecas do Porto apresentam duas propostas de formação que convidam o público a explorar o património, a história e a cultura material de forma prática e envolvente durante o mês de janeiro. No Reservatório, inicia-se o curso de inverno “Cerâmicas na Arqueologia – Olhares Cruzados”, que se estende até fevereiro, enquanto a Biblioteca Municipal Almeida Garrett acolhe a oficina “Introdução à Genealogia”, permitindo experiências complementares de investigação e descoberta.
As iniciativas oferecem diferentes perspetivas sobre o passado, articulando investigação arqueológica, estudo de objetos e análise documental com a vivência pessoal da história.
O público é convidado a compreender não apenas a trajetória das sociedades ao longo dos séculos, através da cerâmica e das práticas de produção e consumo, mas também a descobrir as próprias raízes e a interpretar fontes históricas, estabelecendo uma ligação direta entre memória, cultura material e património.
Olhares cruzados sobre séculos de história
O ciclo “Cerâmicas na Arqueologia” reúne especialistas de referência em cinco sessões, sempre às sextas-feiras, às 17h30, de 16 de janeiro a 13 de fevereiro, sendo que as duas primeiras sessões de janeiro são de entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço, e as seguintes requerem a compra de bilhete.
O curso oferece uma viagem desde o comércio romano às produções medievais, passando pela primeira modernidade e pelas indústrias portuenses e gaienses, até às coleções dos séculos XIX e XX, explorando técnicas, contextos e circulação de peças e aproximando os participantes da investigação arqueológica contemporânea.
Rui Morais abre o ciclo a 16 de janeiro com a sessão “Comércio e Autarcia de Cerâmicas nos Alvores do Império Romano no NW Peninsular”, abordando as produções importadas e locais e as particularidades culturais das regiões periféricas do império.
No dia 23, Ricardo Teixeira apresenta a “Cerâmica Medieval no Norte de Portugal”, analisando aspetos técnicos e morfológicos das peças, bem como os contextos de produção, distribuição e consumo.
A 30 de janeiro, Paulo Dordio conduz a sessão “A Cerâmica na Primeira Modernidade (Séculos XVI a XVIII)”, destacando o aumento do consumo, a circulação global de faianças e porcelanas e a adaptação das oficinas às novas exigências sociais e culturais.
As duas últimas sessões, a 6 e 13 de fevereiro, aprofundam a cerâmica entre os séculos XVIII e XX, abordando, por um lado, a arqueologia da indústria cerâmica do Porto e de Gaia, com uma leitura atualizada do centro produtor Porto-Gaia, do seu potencial arqueológico e patrimonial e de estudos de caso que contribuem para o conhecimento da chamada cerâmica portuense, numa sessão conduzida por Laura Sousa.
Também vai ser abordada a constituição e o estado atual de importantes coleções oláricas do Norte de Portugal, organizadas entre finais do século XIX e a primeira metade do século XX por figuras como Joaquim de Vasconcelos, Rocha Peixoto, Emanuel Ribeiro e pelo Museu de Etnografia e História do Douro Litoral, numa apresentação de Isabel Maria Fernandes.
Explorar registos e fontes genealógicas
Nos dias 17 e 24 de janeiro, das 14h30 às 18 horas, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett acolhe a oficina “Introdução à Genealogia”, destinada a maiores de 16 anos. Conduzida por Francisco Queiroz, a oficina oferece uma abordagem prática à pesquisa genealógica, orientando os participantes na interpretação de registos paroquiais e na utilização de fontes alternativas, incluindo tradições orais, documentos históricos e publicações da imprensa.
A oficina propõe uma reflexão crítica sobre as fontes históricas, ensinando a identificar informações confiáveis, a contextualizar dados e a compreender os limites de cada tipo de registo. Os participantes são convidados a construir pontes entre passado e presente, reconhecendo como a investigação genealógica pode revelar histórias de vida, migrações, relações familiares e a dinâmica social de diferentes épocas.
Ambas as iniciativas permitem aos participantes aproximar-se do passado de formas complementares: enquanto o curso de cerâmica revela a história da sociedade através de objetos que atravessaram séculos, a oficina de genealogia propicia o conhecimento das raízes familiares e a leitura das fontes históricas, valorizando a memória e o património cultural na prática quotidiana.
Os bilhetes para ambas as iniciativas devem ser adquiridos online (BOL) ou nos espaços com bilheteira do Museu e das Bibliotecas do Porto.