Com Pedro M. Monteiro
1 MAR 2026 18:00–19:00
IGREJA DE SANTA CLARA
Órgão ibérico da Igreja de Santa Clara. Fotografia de Andreia Merca
Este concerto explora a transformação da dança no repertório organístico ibérico dos séculos XVI e XVII, num contexto em que a música sacra era eminentemente funcional. Após o Concílio de Trento, as normas emanadas de Roma estabeleceram princípios gerais, mas foi na prática local da Península Ibérica que essas orientações ganharam forma concreta, permitindo uma integração particularmente viva de linguagens seculares no espaço litúrgico.
Danças de origem popular, cortesã ou teatral entram na igreja não como exceções toleradas, mas como estruturas musicais eficazes. Ao serem absorvidas pelo rito, perdem o gesto corporal, estabilizam o andamento, abandonam o texto e tornam-se forma, repetição e variação. O órgão assume um papel central nesse processo, substituindo o canto, acompanhando ações rituais e sustentando a duração da celebração.
Os tons e modos filtram a energia da dança e permitem a sua adaptação ao tempo litúrgico. A permeabilidade ibérica entre o litúrgico, o paralitúrgico e o festivo – visível nas procissões e noutras celebrações coletivas – mostra que estas músicas pertencem tanto à história quanto ao presente. Tocadas hoje, continuam a agir sobre o tempo da escuta, ligando comunidade, espaço e memória.
PROGRAMA
Intérprete:
PEDRO M. MONTEIRO
Autores:
ANTONIO DE CABEZÓN (1510—1566)
LUYS MILÁN (c. 1500—1561)
JUAN BAUTISTA CABANILLES (1644—1712)
ANTONIO MARTÍN Y COLL (c. 1650—1734)
JOSÉ XIMÉNEZ (c. 1600—1672)
BERNARDO STORACE (1637—1707)
Entrada livre, sujeita à lotação do espaço
Largo Primeiro de Dezembro, n.º 155
4000-404 Porto