Nova 211
Fotografia de André Rolo
Chega ao público, esta segunda-feira, “João Queiroz – A Substância da Paisagem”, obra editada pela Documenta, na qual o crítico e ensaísta Bernardo Pinto de Almeida desenvolve uma reflexão profunda sobre o lugar da paisagem na arte contemporânea. O livro resulta da exposição que destacou a obra de João Queiroz (Lisboa, 1957), um dos mais significativos artistas portugueses da atualidade, em diálogo com a obra de António Carneiro (Amarante, 1987), apresentada no âmbito do ciclo O Voo da Águia, que marcou a reabertura do Ateliê António Carneiro.
Mais do que um catálogo, a publicação propõe uma leitura crítica da paisagem e da emergência da abstração na pintura contemporânea, valorizando o diálogo intemporal entre João Queiroz e António Carneiro.
Embora separados por contextos e tempos históricos distintos, os dois pintores são aqui aproximados por uma inquietação comum: a procura de uma paisagem que nasce do interior, modelada pela experiência, pelo gesto e pela perceção. Um território pictórico onde o olhar do espectador é convidado a participar, completando a obra com a sua própria presença.
Professor catedrático jubilado da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Bernardo Pinto de Almeida (Peso da Régua, 1954) publicou mais de uma dezena de títulos de ensaio e outros tantos de poesia. A sua obra foi objeto de análises críticas por ensaístas de referência e a sua atividade de investigador, historiador, crítico e curador de arte é reconhecida nacional e internacionalmente. Bernardo Pinto de Almeida é o curador do ciclo expositivo O Voo da Águia e a sua Última Lição, em abril deste ano, intitulou-se, justamente, “João Queiroz – A Substância da Paisagem”.
Arco histórico da representação da natureza
A publicação reúne obras de João Queiroz, António Carneiro e de vários mestres históricos da paisagem, como Claude Lorrain, Jacques D’Arthois, Charles-François Daubigny, Théodore Rousseau, Caspar David Friedrich, William Turner, Édouard Vuillard e Marià Fortuny, entre outros, traçando um amplo arco histórico da representação da natureza, do classicismo às suas derivações modernas.
O livro inclui a transcrição de uma conversa inédita entre o artista e o autor, realizada em março de 2025 no ateliê de João Queiroz, em Lisboa. A entrevista partilha a sua visão da criação como um exercício contínuo de atenção e descoberta, e é, por isso, um convite para conhecer João Queiroz não apenas pela sua obra, mas pela forma como interpreta e habita o espaço à sua volta.
“João Queiroz – A Substância da Paisagem” articula crítica, curadoria, ensino e amizade. É um tributo à pintura como linguagem filosófica, como experiência tátil e percetiva, e como espaço de liberdade. Uma obra para quem se interessa por arte contemporânea, pela história da paisagem enquanto problema filosófico e pictórico e pelos modos como vemos, pensamos e habitamos o mundo.
O livro está disponível para compra na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e na Biblioteca de Periódicos.