Nova 192
© APOM
Dois projetos culturais do Museu do Porto foram distinguidos pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), na cerimónia dos Prémios APOM 2025, realizada a 2 de junho no Cineteatro Louletano, em Loulé. Na categoria Edições, o livro “A Urgência da Cidade: o Porto e 100 anos de Fernando Távora” foi galardoado com o prémio, enquanto o projeto “Dia do Vizinho”, na sua edição de 2024, recebeu uma menção honrosa na categoria Projeto de Educação e Mediação Cultural.
A distinção surge no ano em que a APOM assinala o seu 60.º aniversário, reconhecendo o trabalho desenvolvido pelo Museu do Porto na valorização do património, na proximidade com a comunidade e na reflexão sobre a cidade.
Os Prémios APOM constituem uma das iniciativas mais emblemáticas da Associação Portuguesa de Museologia. Criados em 1994, têm como objetivo distinguir os museus e os seus profissionais em diversos domínios, representativos da complexidade que envolve uma instituição museológica.
Momento de encontro e partilha por excelência, a Cerimónia dos Prémios APOM constitui uma referência incontornável do panorama museológico nacional, mobilizando profissionais de todo o país que se reúnem, todos os anos, para celebrar os museus entre pares.
Na edição 2025 dos prémios APOM, que distingue projetos desenvolvidos ao longo do ano transato, o Museu do Porto congratula-se ainda com o prémio atribuído ao Museu Nacional de Soares dos Reis pela edição digital do “Catálogo Raisonné de Aurélia de Souza (1866-1922)”, no qual participou enquanto parceiro.
Além do Museu Nacional de Soares dos Reis, foram ainda premiados no universo do Município do Porto o Diretor do Museu das Convergências, Rui Lopes Oliveira, na categoria Conferências, a Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Museu do Conflito e o Museu de Serralves, que mantém na cidade o prémio “Museu do Ano 2024”, sucedendo ao Museu Nacional de Soares do Reis.
Sobre a “A Urgência da Cidade: o Porto e 100 anos de Fernando Távora”
Publicação inédita e de grande relevância cultural, “A Urgência da Cidade: O Porto e 100 anos de Fernando Távora” constitui uma homenagem à vida e obra de Fernando Távora, figura central da arquitetura e cultura portuguesas. Estruturado em seis capítulos, o livro integra testemunhos de familiares, amigos e especialistas, reunindo ainda vasta documentação relativa à exposição e ao programa comemorativo do centenário do arquiteto.
A obra inicia-se com o capítulo “Torre das Memórias”, que explora a história e o simbolismo do edifício enquanto sede do poder autárquico, desde a sua origem até à sua evolução arquitetónica. Segue-se “O Arquiteto: Formação, Circunstância e Pensamento”, onde nomes como Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, José Bernardo Távora e António Menéres traçam um retrato íntimo de Távora e da sua influência.
Um ensaio fotográfico destaca a extensão e diversidade da obra do arquiteto, em diálogo com o olhar de Luís Ferreira Alves, fotógrafo de referência na documentação da arquitetura contemporânea. Os capítulos seguintes abordam os primeiros mestres de Távora, a sua vida familiar, o seu espírito colecionador e o impacto da sua intervenção em projetos estruturantes da cidade do Porto, como a remodelação do Museu Nacional de Soares dos Reis e a recuperação do Palácio do Freixo, bem como planos não concretizados como o do Campo Alegre ou os Estudos de Renovação Urbana para o Barredo, Miragaia e Prelada.
A publicação encerra com a apresentação da proposta expositiva e do extenso programa de comemoração do centenário, que mobilizou mais de 30 iniciativas culturais e académicas, reforçando o legado de Fernando Távora na história urbana e arquitetónica da cidade.
Sobre o “Dia do Vizinho”
O Dia do Vizinho, promovido ciclicamente nos diferentes espaços do Museu do Porto, afirma-se como um ponto de encontro intergeracional e intercultural, construído em diálogo com associações, entidades locais, artistas, coletivos e cidadãos. Cada edição reflete o tecido social e as memórias da envolvente de cada museu, promovendo uma programação única e enraizada no território.
Mais do que um evento pontual, o Dia do Vizinho constitui uma prática contínua de confiança, participação e criação partilhada. Os meses de preparação abrem espaço a novas colaborações e formas de envolvimento, traduzindo-se em experiências educativas e culturais significativas.
Este projeto tem também impulsionado novas metodologias de trabalho nas equipas do Museu do Porto, mais abertas, colaborativas e sintonizadas com os ritmos e especificidades de cada lugar.
A programação, iniciada em 2022 através da colaboração entre a Ágora – Cultura e Desporto do Porto, através do Departamento de Dinamização de Museus e Coleções, e a Direção Municipal de Cultura e Património, foi consolidada no âmbito do Museu do Porto. A edição de 2024, submetida pelo Município aos Prémios APOM, foi distinguida com uma menção honrosa, reconhecendo o trabalho desenvolvido na valorização do património cultural.
Esta distinção reflete o alinhamento do projeto com os desafios contemporâneos dos museus, destacando a inclusão, a participação comunitária, a sustentabilidade, a ética e a partilha de saberes, promovendo experiências culturais diversificadas e transformadoras.