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Reservatório celebra quatro anos com programa dedicado à cidade, à arqueologia e à música conventual

© Rui Oliveira

No próximo dia 11 de julho, o Reservatório promove um programa no âmbito das (IR)REGULARIDADES, que cruza arqueologia, investigação histórica e práticas culturais, assinalando a data em que este espaço do Museu do Porto abriu ao público.

 

Instalado num antigo reservatório de água, o espaço foi transformado numa estação arqueológica viva, com projeto arquitetónico de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, curadoria de Nuno Faria e museografia de João Mendes Ribeiro.

Concebido como um labirinto do tempo, o Reservatório estrutura-se em torno de dois eixos de leitura: o topográfico, que percorre diferentes zonas do território escavadas ao longo dos séculos XX e XXI; e o estratigráfico, que revela sucessivas camadas temporais da ocupação humana, do Paleolítico à contemporaneidade. O Reservatório é um espaço em contínua ativação, onde os vestígios arqueológicos ganham novo significado como mediadores de conhecimento, objetos de investigação, contemplação e criação partilhada.

Situado junto ao Parque da Pasteleira, articula património arqueológico, natureza e cultura, criando um espaço onde a história da cidade se vive de várias formas. Além de ser um local de preservação e investigação, que acolhe a Biblioteca de Arqueologia, o Reservatório promove uma programação diversificada que inclui atividades artísticas, conferências, conversas, visitas, percursos, oficinas para públicos de todas as idades, concertos e outras expressões musicais. Desta forma, integra-se na vida cultural do Porto como um ponto de encontro dinâmico e multifacetado, que reúne passado, presente e comunidade.

O Reservatório apresenta-se como um espaço de escuta, de pensamento e de relação com os modos como o território foi vivido, habitado e transformado ao longo do tempo.

 

A cerâmica e os fragmentos da cidade

A programação inicia-se às 10h30 com o workshop “Cerâmicas Arqueológicas da Escavação à Reserva”, centrado no percurso dos fragmentos cerâmicos recolhidos em intervenções arqueológicas, da escavação à sua conservação. Com entrada gratuita, mediante inscrição, a atividade é dirigida a participantes a partir dos seis anos e oferece uma experiência prática do trabalho arqueológico, que sustenta a história do Porto.

 

Breves histórias de sítios sem história

Pelas 15 horas, decorre uma sessão de mediação com Carla Stockler e Isabel Osório, dedicada a lugares da cidade cuja presença física desapareceu, mas cuja memória permanece através dos objetos preservados no Reservatório. Esta atividade, com entrada sujeita a inscrição, propõe um olhar sobre modos de ocupação do território que deixaram marcas invisíveis, contribuindo para o conhecimento da evolução urbana.

 

A arte musical nos conventos femininos do Porto

O programa encerra às 17h30 com a conferência “Sons da Clausura: A Música nos Conventos Femininos do Porto no Final do Antigo Regime”, por Magna Ferreira, no âmbito do Curso de Primavera. A sessão explora a prática musical nos conventos de Santa Clara e São Bento de Avé Maria, abordando contextos de formação, espiritualidade e produção artística intramuros, a partir de fontes como os manuscritos de Marcos de Portugal.

Magna Ferreira é investigadora e docente ligada ao CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, e à ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, que integra o projeto MOISTER, especializado em estudos musicais. A participação é sujeita a aquisição de bilhete online ou nas bilheteiras físicas do Museu do Porto, com lotação limitada a 40 lugares.