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Transvariações: Quando o fado, o jazz e o tango se encontram

Fotografia de Guilherme Costa Oliveira

Entre maio e setembro, o Porto acolhe o Ciclo de Música Transvariações, com direção artística do pianista e compositor Francisco Monteiro. Reunindo quatro propostas musicais distintas, este ciclo percorre diferentes espaços museológicos da cidade, com concertos e ações performativas que atravessam estilos e épocas, do fado ao jazz, da improvisação ao tango argentino.

 

“Transvariações” nasce de um contexto académico e artístico internacional. Inspirado no projeto de investigação “Transvariations – Music beyond the limits of time and technology”, desenvolvido pela Universidade de Aveiro, Instituto Politécnico do Porto e Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, o ciclo pretende estender essa investigação ao espaço público, convocando a escuta crítica e sensível. Através da recriação, da improvisação e da fusão estilística, “Transvariações” desafia os limites entre o erudito e o popular, o passado e o presente, a criação e a interpretação.

 

Fados no Salão

O ciclo inicia-se a 18 de maio, no Museu Romântico, com “Fados no Salão”, um concerto intimista, de entrada livre, que recria, musicalmente, a atmosfera dos salões lisboetas do século XIX. A partir da “Collecção dos melhores fados para bandolim” (Casa Sueca, Lisboa, 1850), interpretada em articulação com o piano de mesa Collard & Collard da mesma época — presente no auditório do museu —, propõe-se uma escuta histórica e reinventada do fado.

O programa percorre composições tradicionais e contemporâneas, incluindo variações de João António Ribas, obras de Alain Oulman, Carlos Paião e Miguel Gameiro e estreias de Francisco Monteiro. O concerto conta com a interpretação de Matilde Monteiro (voz), António Vieira (bandolim), Paulo Ramos (guitarra portuguesa), João Carneiro (viola de fado) e Francisco Monteiro (piano).

 

“Isto não é um concerto”

Em junho, é a vez da Casa Marta Ortigão Sampaio acolher a segunda sessão do ciclo, com uma proposta de experimentação coletiva, em formato oficina-performativa. “Isto não é um concerto” reúne o público num espaço amplo, transformando-o em protagonista de uma experiência sonora e performativa.

Conduzido por Luís Castro, com o apoio de mediadores, o evento recorre a práticas de improvisação livre e técnicas de sound painting, incentivando a expressão vocal, rítmica e gestual de todos os participantes. Sem exigência de experiência musical prévia, esta ação inclusiva é aberta a todas as idades.

 

Jazz e Mais Além

Em julho, o ciclo propõe uma viagem pelas linguagens do jazz, no Reservatório, cruzando-as com sonoridades e repertórios da música portuguesa. Este concerto explora a improvisação como ferramenta de reinterpretação, misturando standards de jazz com elementos do fado e da música popular portuguesa.

Com direção e voz de Luís Castro, e um ensemble instrumental composto por guitarra elétrica, guitarra portuguesa, baixo e bateria (músicos a confirmar), este momento promove a fusão estilística como gesto artístico e comunicativo.

 

Tango Argentino – Da raiz a Piazzolla

O ciclo encerra, em setembro, no Museu Guerra Junqueiro, com um espetáculo que une música e dança para percorrer a evolução do tango, desde os seus primórdios até à modernidade de Astor Piazzolla. O concerto conta com dois intérpretes de renome internacional no bandoneon, Carla Algeri e Alejandro Szabo, acompanhados ao piano por Francisco Monteiro.

A performance é enriquecida com a presença dos bailarinos Gladys & Oscar, que traduzem, em movimento, a expressividade própria do tango argentino. Este será um momento de grande intensidade, onde tradição e inovação se encontram no mesmo palco.

Um ciclo que desafia a escuta tradicional e propõe o cruzamento de linguagens musicais como motor de criação, partilha e reflexão. Concebido por Francisco Monteiro, músico e investigador com vasta experiência na interpretação e criação de repertórios contemporâneos e tradicionais, o ciclo oferece ao público um espaço para questionar a música, a sua história e o seu papel enquanto linguagem viva e em constante transformação.

 

Mais informações no na página do Museu do Porto.