Com Manuel Carvalho e Sandra Tavares
Moderação: Tito Couto
16 MAI 2026 17:00–18:30
CASA DOS LIVROS
Ponto do Cachão da Baleira. Fonte: Forrester, 1848, constante no «Mappa do Douro portuguez e paiz adjacente contando do rio quanto se pode tornar navegável em Espanha»
Nos entrepostos dos cais em armazéns,
comerciantes trocam por esterlino
o vinho que é o sangue dos seus corpos,
moeda pobre que são os seus destinos.
Joaquim Namorado
A palavra não designa apenas uma bebida: é antes um rio antigo que ainda corre e o esforço inteiro de muitas gerações. Não é apenas vinho, mas tempo e sabedoria. O Vinho do Porto é o Douro a descer devagar, são pipas que mastigam os anos no escuro das caves e a doçura lenta em que se transforma a dureza da terra.
Manuel Carvalho, nascido em Alijó, Alto Douro, em 1965, é jornalista do Público desde o final de 1989, tendo integrado a primeira redação. Trabalhou durante vários anos na área da Economia, recebeu prémios de jornalismo e participou em programas de formação em Portugal e no estrangeiro. Foi grande repórter do Diário Económico em 1998 e regressou ao Público em 1999, onde foi grande repórter, cofundou a revista Fugas e integrou a direção do jornal. Licenciado em História e com estudos em Direito na Universidade do Porto, assina desde 2013 a coluna “Memória Futura”. Recebeu o Prémio Gazeta de Imprensa por reportagens sobre a I Guerra Mundial em Moçambique, que estiveram na origem do livro “A Guerra que Portugal Quis Esquecer” (2015). Foi diretor do Público entre 2018 e 2023 e é comentador de política e economia na RTP.
Sandra Tavares da Silva é enóloga e cofundadora da Wine & Soul, projeto que criou em 2001, no Douro, com o marido, Jorge Serôdio Borges. Formou-se em Agronomia e completou um mestrado em Enologia em Itália (Piemonte), antes de integrar o projeto familiar na Quinta de Chocapalha, conciliando depois esse percurso com a construção de uma casa vínica própria, nascida “do zero”, movida por uma ideia simples: fazer vinhos com identidade e alma. Na Wine & Soul trabalha sobretudo com vinhas velhas e com a diversidade de castas e terroirs do Douro, criando vinhos tintos, brancos e do Porto que procuram traduzir a paisagem dura e magnífica do vale — menos como estilo imposto e mais como leitura do lugar. Entre a exigência da vinha e o lado profundamente social do vinho, defende uma enologia de interpretação e partilha, feita de detalhe, tempo e emoção.
Entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço
Palacete Burmester
Rua do Campo Alegre, 1055, 4150-181, Porto