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COLHEITA DE VERÃO
CICLO BRAVIA — PRÁTICAS FEITICEIRAS PARA CORPOS DOMADOS

JARDINS DO PALÁCIO DE CRISTAL e ENTRE QUINTAS

BROTA div © Igor Boechat8.JPG

O Museu do Porto acolhe o segundo e o terceiro momentos do ciclo BRAVIA ∞ práticas feiticeiras para corpos domados, com a curadoria de Rita Xavier, uma programação de quatro encontros que convidam a um dia de preparação consciente para cada mudança de estação. O projeto reúne feiticeiras transatlânticas, entre Portugal e o Brasil, que partilham oficinas poéticas e políticas, trazendo o corpo como autoridade e a natureza como bússola.

Este sábado, preparamos a COLHEITA de Verão, convidando o corpo a expressar a estação mais quente do ano. Com a energia solar no auge, a natureza revela a sua abundância, mas também maturação. Colhemos porque é necessário guardar nas estações mais contidas. Nestas três oficinas celebramos a potência de um corpo aberto à luz, mas observamos também as suas sombras para que a confiança se vá reparando e a voz se expanda de peito aberto, com música, riso e alegria.

 

PROGRAMA

 

10H – 13H

AUTODEFESA FEMINISTA

∞ Exercícios de movimento e reflexivos Com Joana Rocha e Inês Pinheiro Torres / Malditas

 

Ponto de Encontro: Portão principal dos Jardins do Palácio de Cristal

 

Uma oficina prática que, através de uma abordagem não-física, física e de alter-defesa, aponta as diferentes formas de agressão e fala sobre consentimento e limites. Pretende-se discutir e desconstruir estereótipos sociais e narrativas internalizadas e potencializar ferramentas reais de defesa e resistência física, mental, emocional e coletiva. Criada em 2025 em resposta à crescente violência machista a partir de uma abordagem feminista interseccional, é uma chamada à questionação, à sororidade e à reInvidicação das coisas que nos foram malditas.

Conceitos

· O mito da fraqueza feminina

· Consentimento

· 4 F’s: fight, flight, freeze, fawn

· Interromper ciclos de violência

· Tipos de violência + reação

 

* Não há requerimentos de experiência prévia ou condição física. M/16 anos, trazer roupa confortável e uma garrafa de água e um pequeno snack.

*Atividade vedada a homens cis.

 

 

Joana Rocha é fundadora e formadora das Malditas, ativista de direitos humanos, mestranda e investigadora em ação humanitária e questões de género, formada em Sexologia Clínica e Fertility Awareness and Medical Management. É professora há mais de uma década, autora de livros infantis e socorrista voluntária. O projeto Malditas quer trazer conversas e oficinas que potencializem ferramentas reais de resistência física, mental, emocional e coletiva.

 

Inês Pinheiro Torres é licenciada em Ciências do Desporto (2012) e mestrada em Ensino da Educação Física (2014), iniciou o seu doutoramento com foco na Literacia Física (2016). De 2014-2022 trabalhou como docente de várias UCs na UMAIA, sendo Desportos de Combate a sua especialidade através da prática de Karate-Do desde 2002. Desde 2016 também colabora em algumas curtas-metragens, como atriz, produção, argumentista e consultora de Luta. Desde 2018, após integrar o TUP, foi intérprete e produtora de vários espetáculos e performances. Atualmente, após mais de 20 anos de prática de Karate-Do e outros desportos de combate, continua a desenvolver trabalho de formação na área da defesa pessoal e trabalho de produção/criação/interpretação no teatro, dança e cinema.

 

 

 

15H — 17H

APOTECA COMUNITÁRIA

∞ Prática botânica e criadora

Com Luísa Martelo e Karla Ruas

 

Ponto de Encontro: Portão principal dos Jardins do Palácio de Cristal

 

Nesta oficina aprendemos sobre e com o carvalho através da feitura de uma essência e de uma tinta a partir do seu fruto; as bolotas. O carvalho é uma árvore que cresce lentamente, e em codependência de uma trama visível e invisível de relações que conectam solo, água, fungos, plantas e animais, alimentando a ecosofia que acontece na floresta. Também nós somos resultado dessas confluências, carregando os vestígios dos encontros, das trocas e das transformações ao longo dos ciclos da vida. Por fim, cada participante é convidado dar imagem ao seu ciclo, manifestar o que amadureceu desde o Outono.

 

*A Apoteca Comunitária, iniciativa de Luísa Martelo, nasceu do desejo de conhecer mais profundamente a natureza em redor, no regresso à cidade natal, o Porto. Uma planta ocupa o centro da mesa que se transforma num altar de curiosidades, composto por oferendas naturais, científicas e poéticas. Entre conversas e gestos, respigamos da natureza urbana e das memórias íntimas e coletivas manifestando uma farmácia natural. Para o ciclo Bravia, Luísa dialogará com a artista Karla Ruas.

 

Karla Ruas movimenta o seu trabalho entre corpo, matéria e território, campos híbridos e imaginários. Através de processos de mistura, sobreposição e experimentação com materiais naturais e outros suportes, sua pesquisa procura criar encontros e relações entre corpos humanos, não humanos, mais que humanos. A pintura e o desenho configuram-se como espaços de transformação e encontro, onde diferentes formas de vida insistem, se deslocam e se expandem. É licenciada em Artes Visuais, pós-graduada em História da Arte (USP) e em Ilustração e Animação Digital (ESAD), e mestre em Pintura (FBAUP).

 

Luísa Martelo é uma designer multidisciplinar ativamente à procura de formas de orientar o design para o benefício da Terra e para a justiça social. Especializou-se em design editorial na Central Saint Martins, em Londres (2014). O seu trabalho parte de um princípio simples: a forma emerge organicamente de um contexto único. Começa com investigação curiosa, intuição e relação próxima com temas, lugares e instituições, em busca de pistas visuais, detalhes e histórias que possam ser entretecidas em narrativas visuais honestas e duradouras refletem uma visão crítica e social do design. O amor pelo mundo natural orienta a sua prática investigativa, aliando o design à sua paixão por árvores e plantas professoras. Entre práticas paralelas destaca-se o herbalismo na Apoteca Comunitário (2024-presente). O seu trabalho está ao serviço da Terra.

 

17H — 19H30

CANTORIA DE COLHEITA: a expansão do corpo solar

∞ Oficina de voz e composição musical

Com Catarina Miranda aka emmy Curl

 

Encerramos o dia aprendendo a usar a voz, no poder enquanto caixa de ressonância interna e manifestação de impacto externo. Celebramos compondo uma música coletiva, mais um vestígio que dá corpo às estações do ciclo bravia.

 

emmy Curl é o heterónimo de Catarina Miranda Trindade, uma das primeiras produtoras musicais femininas em Portugal. Multi-instrumentista, compositora, produtora e artista visual, desenvolve um trabalho que cruza música, artes plásticas e imagem. Começa a sua carreira muito cedo, lançando aos 15 anos o álbum “Ether”, produzido e gravado por si. Aos 18 anos já atuava em grandes palcos como o Festival Sudoeste e abria concertos para os Eels no Coliseu de Lisboa, editando também o EP “Origins” pela Optimus Discos. Em 2015 lança “Navia”, onde passa a compor em português, com temas como “Eurídice”, e em 2018 participa no Festival da Canção. Em 2020 lança “ØPorto” e em 2024 o álbum “Pastoral”, pela Cuca Monga Discos, aclamado pela crítica, destacando-se pela fusão entre música tradicional portuguesa, jazz moderno e dream pop.

 

 

CURADORIA

 

Rita Xavier é doutoranda em Estudos Culturais pela Universidade do Minho, com projeto financiado pela FCT, em articulação com o Teatro Municipal do Porto. Trabalha como consultora em projetos culturais, escreve crítica de artes performativas para o jornal Público e é bruxa. Desde 2010 que se dedica à reflexão e inscrição do corpo na arte e das artes do corpo enquanto indisciplinas culturais e políticas, numa peregrinação cíclica que vai mudando de pele. Licenciada em Filosofia (FLUP, 2008) e Mestre em Estudos Artísticos (FBAUP, 2011), cura programas de leitura e atividades com práticas e escrita, corporais e ritualísticas. Trabalhou em curadoria e comunicação para diversas estruturas artísticas nacionais, com destaque para o Teatro Municipal, DDD – Dias da Dança, Museu, Feira do Livro. Foi docente convidada na ESE e ESMAE e bolseira da FCT em projetos de investigação pelo Instituto de História de Arte (UNL), Fundação de Serralves e Fundação Calouste Gulbenkian. De natureza intensa, inquieta e curiosa, encontra pertença sensível, ora em lugares-casulo, ora em lugares-teia. Escreve para torcer palavras, desaprisionar horizontes e tomar corpo às tempestades que movem e transformam.

 

INSCRIÇÕES

Bilhetes na BOL online ou nos espaços com bilheteira do Museu e das Bibliotecas do Porto:

ENDEREÇO

Rua de Entre-Quintas, 220 4050-240 Porto
GPS: 41.147524, -8.627930
Localização

AUTOCARRO

1M, 200, 201, 207, 208, 302, 303, 501, 507, 601, ZM, 12M, 13M
Circular Massarelos – Carmo

ESTACIONAMENTO

Palácio de Cristal

Jardins

QUINTA DA MACIEIRINHA