Com Pedro M. Monteiro e Eva Braga Simões
20 SET 2026 16:00–17:30
IGREJA DOS CONGREGADOS
Pieter Tanjé. «Santa Cecília», 1737. Pormenor de gravura. Coleção Rijksmuseum
O quarto e último concerto do ciclo «Conjunções Ibéricas» encerra um percurso construído a partir do diálogo musical do órgão ibérico com outros instrumentos. Depois dos encontros com outro órgão, com o cravo e com a percussão, a última conjunção conduz-nos à mais antiga e primordial dessas relações: o órgão ibérico e a voz humana.
Partindo da prática do alternatim, em que canto e instrumento se sucedem e respondem mutuamente, o programa percorre diferentes formas de encontro entre voz e órgão na tradição musical ibérica. Do cantochão à crescente expressividade dos séculos XVII e XVIII, Portugal e Espanha cruzam-se num percurso marcado pelo contraste entre devoção e teatralidade, contraponto e melodia, tradição e modernidade.
Obras de Manuel Rodrigues Coelho, Sebastián Durón, Carlos Seixas e Joan Baptista Cabanilles, entre outros, revelam diferentes maneiras de construir este diálogo. A voz parte da simplicidade do canto litúrgico para assumir progressivamente uma dimensão mais expressiva e teatral. O órgão ibérico responde-lhe, acompanha-a ou assume sozinho o discurso, explorando a singularidade dos seus registos, cores e possibilidades sonoras.
Neste último encontro, voz e órgão aproximam-se, afastam-se e reencontram-se, fazendo da alternância entre ambos um dos fios condutores do concerto. É uma relação que atravessa épocas e geografias e que encontra no espaço da igreja uma dimensão particularmente sugestiva.
«Conjunções Ibéricas IV» encerra, assim, quatro encontros entre o órgão ibérico e diferentes interlocutores, com aquela que é, historicamente, uma das relações mais íntimas do instrumento.
Entrada livre, sujeita à lotação do espaço
R. de Sá da Bandeira 11
4000-433 Porto