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O Museu do Porto inaugura, a 9 de outubro, às 18 horas, “Homem Raiz”, exposição de Agostinho Santos com curadoria de Rita Roque. Patente até 10 de janeiro de 2027, no núcleo instalado no edifício da Alfândega, a exposição atravessa quatro décadas de trabalho do artista, reunindo diferentes momentos, séries, materiais e inquietações do seu percurso. A inauguração contará com a presença do artista, da curadora e do vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado.
Artista e jornalista, Agostinho Santos construiu um percurso em que criação e experiência permanecem estreitamente ligadas. Depois da formação na Escola Artística Soares dos Reis, conciliou durante anos a prática artística com o jornalismo, tendo passado pelo “Primeiro de Janeiro” e pelo “Jornal de Notícias”. O contacto direto com histórias de violência, exclusão e fragilidade humana acabaria por atravessar também a sua pintura, numa prática artística atenta à realidade social e àquilo que o mundo muitas vezes prefere não ver.
Quarenta anos entre o “Bicho” e a “Raiz”
Em 1987, Agostinho Santos apresentava a sua primeira exposição individual, “Bicho Homem”. “Homem Raiz” retoma simbolicamente esse ponto de partida e projeta-o à luz de quatro décadas de criação. Entre os dois títulos desenha-se um percurso feito de metamorfoses, onde memória, experiência e pensamento se cruzam com a matéria, o gesto e o instinto.
Ao longo dessas quatro décadas, experiências, encontros, leituras e inquietações foram-se sedimentando no trabalho de Agostinho Santos e dando origem a diferentes séries. Em “Homem Raiz”, esses caminhos aproximam-se, revelando as ligações de uma obra marcada pela atenção ao humano e às questões do seu tempo, da violência e da guerra às desigualdades, aos refugiados, à exclusão social, à condição das pessoas sem-abrigo e à fragilidade humana.
É também nesse movimento entre origem e transformação que se encontra o sentido do título: “E talvez seja isso que significa ter raízes: não ficar parado, mas permanecer ligado àquilo de onde viemos enquanto continuamos a procurar outras formas de crescer”, como escreve a curadora Rita Roque.
Quando o processo criativo entra na exposição
Na Alfândega, o próprio processo de criação passa a fazer parte da experiência expositiva. Um atelier provisório desloca para a exposição o lugar do fazer e da experimentação, enquanto uma instalação de oito camas de rede, pintadas pelo artista durante a montagem, transforma a relação entre obra, espaço e corpo e prolonga as inquietações sociais que atravessam o seu trabalho. Pedra, bronze, barro, plástico, papel, tinta e objetos diversos integram um universo plástico sem hierarquias entre materiais, no qual a mão, o gesto e a transformação ocupam um lugar central.
A exposição pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10 horas às 17h30.