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Sé do Porto recebe concerto em homenagem à padroeira da cidade

Fotografia de João Pedro Rocha

A Sé do Porto acolhe no próximo domingo, 11 de outubro, dia de Nossa Senhora de Vandoma, às 21h30, um concerto que cruza património, memória e música contemporânea. Sob direção musical de Pedro M. Monteiro, Fernando Costa, acompanhado pela Orquestra do Norte, interpreta, no violoncelo Montagnana, que pertenceu à histórica violoncelista portuense Guilhermina Suggia, obras de John Tavener e Arvo Pärt. A entrada é gratuita.

Nascido da colaboração entre o Cabido Portucalense, a Câmara do Porto e a Orquestra do Norte, o concerto assinala o dia dedicado a Nossa Senhora de Vandoma, padroeira da cidade, com um programa que aproxima duas das vozes mais singulares da música contemporânea de inspiração espiritual: Arvo Pärt e John Tavener.

Com direção musical de Pedro M. Monteiro, o violoncelista Fernando Costa e a Orquestra do Norte dão corpo ao cruzamento entre criação contemporânea, memória e espiritualidade, num dos lugares mais emblemáticos da história da cidade.

 

Entre a memória de Suggia e a espiritualidade de Pärt e Tavener

O programa abre com “Cantus in Memory of Benjamin Britten”, de Arvo Pärt, uma obra para orquestra de cordas e sino, escrita em 1977 e revista em 1980. Num exercício de grande depuração, Pärt constrói um lento movimento de descida das cordas, acompanhado pela presença recorrente do sino, criando uma atmosfera de suspensão e ressonância que conduz progressivamente ao silêncio.

Segue-se “The Protecting Veil”, de John Tavener, composta em 1988 e inspirada na tradição cristã ortodoxa da Proteção da Mãe de Deus. A obra, para violoncelo solo e orquestra de cordas, desenvolve-se em oito secções contínuas, evocando diferentes episódios associados à vida da Mãe de Deus e de Cristo, da Natividade à Anunciação, da Cruz à Ressurreição e à Dormição.

No centro da composição de Tavener está o violoncelo, a que o compositor atribui a voz da Mãe de Deus. Neste concerto, essa dimensão ganha uma particular força simbólica, através do instrumento utilizado por Fernando Costa: o violoncelo Montagnana que pertenceu a Guilhermina Suggia, figura maior da história musical do Porto e uma das mais reconhecidas violoncelistas portuguesas.

O encontro entre este instrumento e a obra de Tavener estabelece uma ligação entre diferentes tempos da memória musical da cidade. No espaço da Sé do Porto, a música contemporânea encontra-se assim com o património e a tradição, num concerto que evoca a dimensão espiritual associada à Padroeira e, simultaneamente, a permanência e transformação do legado cultural.