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Inauguração da exposição «O Voo da Água II: António Carneiro e a Literatura». Fotografia de André Rolo
O Museu do Porto assinala, ao longo de maio, o encerramento da exposição “O Voo da Águia II: António Carneiro e a Literatura”, com curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, patente no Ateliê António Carneiro, com um programa público que reúne apresentações editoriais, visita e música. Entre 9 e 24 de maio, o espaço acolhe sessões que prolongam o universo crítico da mostra, convocando a paisagem, a literatura, a pintura e a criação contemporânea.
A segunda parte de “O Voo da Águia” encerra um ciclo e reabre o olhar sobre António Carneiro, dando continuidade ao percurso iniciado com a reabertura do ateliê, em 2024, no âmbito de uma iniciativa do Município do Porto, contando com o projeto de reabilitação do arquiteto Camilo Rebelo. Após uma primeira exposição, centrada no início da carreira do artista, a sua passagem por Paris e na consolidação de uma poética simbolista, esta nova etapa aprofunda um outro eixo decisivo da sua obra: a relação com a literatura.
Quando a pintura encontra a literatura
A exposição evidencia a forma como António Carneiro foi, entre os pintores portugueses do seu tempo, um dos que mais cedo estabeleceu diálogos consistentes com a literatura. Essa ligação ajuda a compreender a sua proximidade com a Renascença Portuguesa, a revista “A Águia”, de que foi diretor artístico, e as amizades que manteve com poetas e escritores.
Através da reunião de estudos e obras em torno de “Camões lendo Os Lusíadas aos Frades de São Domingos”, de retratos de escritores e de diálogos com Teixeira de Pascoaes e João Queiroz, a mostra propõe um itinerário visual e crítico que reafirma a importância e a atualidade de António Carneiro.
João Queiroz e a paisagem como experiência interior
Este sábado, dia 9 de maio, às 15 horas, realiza-se a apresentação do livro “João Queiroz – A Substância da Paisagem”, pelo investigador e crítico literário João Oliveira Duarte. A sessão contará com a presença do autor Bernardo Pinto de Almeida e do vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado.
Editado pela Documenta, o livro desenvolve uma reflexão sobre o lugar da paisagem na arte contemporânea, a partir da obra de João Queiroz, colocada em diálogo com a de António Carneiro. A publicação ultrapassa o formato de catálogo e propõe uma leitura crítica da paisagem e da abstração, aproximando dois artistas separados por contextos históricos distintos, mas ligados por uma inquietação comum: a construção de uma paisagem interior, moldada pela experiência, pelo gesto e pela perceção.
Teixeira de Pascoaes entre imagem, imaginação e espectro
No dia 23 de maio, às 16 horas, o Ateliê António Carneiro acolhe a apresentação do livro “Pascoaes – Uma Dramaturgia de Espectros”, numa sessão com Bernardo Pinto de Almeida, Jorge Leandro Rosa, Hélder Gomes e Manuel Rosa.
Coeditada pelo Município do Porto, Município de Amarante e Documenta, a obra reúne um conjunto alargado de desenhos e pinturas de Teixeira de Pascoaes, muitos deles até agora pouco divulgados. Entre paisagens do Marão, vistas de Amarante, autorretratos e figuras imaginárias, o livro revela uma dimensão visual menos conhecida do autor e amplia a leitura da sua obra poética e ensaística. A sessão contará ainda com a presença de Jorge Sobrado, do presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, e da diretora do Museu de Arte Moderna Amadeo de Souza-Cardoso, Maria do Rosário Machado.
Encerramento entre visita, escuta e contemplação
O encerramento da exposição terá lugar no dia 24 de maio, com duas propostas complementares. Às 16 horas, realiza-se uma visita orientada, com participação de Laura Castro, sujeita a inscrição no site do Museu do Porto, e, às 17h30, terá lugar um momento musical de entrada livre, com Tiago Sousa, pianista e compositor que desenvolve um percurso no campo do minimalismo contemporâneo, explorando piano e órgão elétrico como instrumentos de criação de paisagens sonoras.
O seu trabalho assenta na repetição, na variação e numa escuta prolongada, convocando uma experiência musical de natureza orgânica e contemplativa. A sua presença fecha o programa com uma proposta de escuta que prolonga, por via do som, a dimensão contemplativa e interior da exposição.