Voltar

Coração sagrado da Biblioteca Pública revela-se no novo núcleo do Museu do Porto

Fotografia de Andreia Merca

A última vez que foram vistos pelo público foi há 25 anos, na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP). Esta sexta-feira “revelaram-se” de novo, na exposição de inauguração do novo núcleo do Museu do Porto, no edifício da Alfândega. “Revelação – Manuscritos Sagrados de Santa Cruz de Coimbra” mostra 27 códices medievais que faziam parte da Livraria de Mão do antigo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, numa exposição intimista e singular. Até abril.

 

“Revelação” insere-se num programa mais vasto de iniciativas que visam minimizar o impacto do encerramento da Biblioteca Pública Municipal, motivado pela obra de requalificação e ampliação do edifício, projetada pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura, reforçando a oferta através da descentralização do acesso ao património bibliográfico, a partir da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e da rede de Bibliotecas Errantes.

“O encerramento de uma biblioteca, mesmo que temporariamente e por bons motivos, é sempre uma sombra que se abate sobre a vida cultural de uma cidade. A comunidade vê-se privada do convívio com os livros e do acesso a um património bibliográfico, documental e museológico que lhe pertence”, reconheceu o presidente da Câmara, durante a inauguração.

 

Para mitigar a ausência, Rui Moreira deixou a garantia que, durante os anos de obras, os fundos históricos e as valiosas coleções da biblioteca pública vão ser expostos para descoberta e valorização pública, tal como já tinha acontecido, em 2016, com a mostra dos “100 Tesouros da Biblioteca Pública do Porto”, na Galeria Municipal. “Esperamos assim preservar os laços dos portuenses à sua principal biblioteca, ao mesmo tempo que é divulgada a riqueza patrimonial do seu acervo”, frisou.

 

“Revelação” é a primeira exposição do novo núcleo do Museu do Porto, no edifício da Alfândega, “um lugar de memória”, tal como definiu o autarca. Nesse sentido, “o Museu do Porto também se serve do passado para intervir no presente e apontar ao futuro. Neste sentido, o novo núcleo encaixa perfeitamente no cruzamento do património histórico com a cultura contemporânea que a Alfândega Nova consubstancia”, sublinhou Rui Moreira.

 

Com curadoria de Rita Roque e Jorge Sobrado e consultoria científica de José Meirinhos, “Revelação – Manuscritos Sagrados de Santa Cruz de Coimbra” traz a público 27 códices medievais que faziam parte da Livraria de Mão do antigo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. É representativo de um universo de 97 manuscritos, que proporcionam um mergulho na espiritualidade medieval e monástica, refletindo as práticas de leitura, escrita e transmissão de conhecimento, que perduraram durante séculos.

 

“Uma exposição díptica, entre a revelação e a meditação, a contemplação e o exercício de cópia, entre a escala e a escrita, entre o Latim e o Português, mas também o hebraico, entre o azul e o vermelho, entre as vibrações e os reflexos, o divino e o profano, a cidade e o rio”, conforme definiu Rita Roque.

 

“Este é um património relevantíssimo no país. Estamos no coração mais sagrado do acervo do património da Biblioteca Pública Municipal do Porto”, definiu Jorge Sobrado, acrescentando: “Ele é revelado 25 anos depois da última exposição que a cidade pode conhecer. Serve também de elevador para conhecermos outras camadas da nossa história e do nosso património”.

 

Tudo revelado em cinco núcleos expositivos – Bíblia, Doutrina Sagrada, Leituras do Ofício Divino, Saltérios, Costumeiro e História do Mosteiro -, a que se junta uma paisagem sonora inédita, criada pela harpista Angélica Salvi para os cerca de mil metros quadrados de exposição, e uma oficina de escrita que recria o Scriptorium medieval, orientada pelo artista/copista Tiago Rodrigues. O momento de inauguração da exposição foi precedido, precisamente, por uma performance musical de Angélica Salvi.

 

“Revelação” tem entrada livre, de terça a domingo, das 10 às 17h30, no Núcleo do Museu do Porto, no edifício da Alfândega, até dia 25 de abril.

 

 

Fonte: Porto.pt