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Instalado num edifício modernista de 1958, desenhado pelo arquiteto José Carlos Loureiro, o Museu Aurélia e Sofia de Souza corresponde à nova designação da antes nomeada Casa Marta Ortigão Sampaio. A mudança de nome, apresentada à cidade a 13 de junho de 2026, assinala uma nova etapa na vida deste espaço museológico, colocando no centro da sua missão a valorização da obra e do legado de Aurélia de Souza e Sofia de Souza, duas figuras fundamentais da arte portuguesa da viragem do século XIX para o século XX.
Esta nova identidade não apaga o papel de Marta Ortigão Sampaio, antes o reafirma. Foi por sua vontade que a casa e as coleções foram legadas à Câmara Municipal do Porto, em 1978, permitindo a preservação e a fruição pública de um importante património artístico e familiar. O museu abriu ao público em 1996, dando continuidade a esse gesto de transmissão à cidade.
Marta Ortigão Sampaio (1897–1978), filha de Estela de Souza e de Vasco Ortigão Sampaio, sobrinho de Ramalho Ortigão e reconhecido colecionador e mecenas portuense, nasceu num contexto familiar marcado pela cultura e pela prática artística. Era sobrinha materna das pintoras Aurélia de Souza e Sofia de Souza, cuja obra ocupa hoje um lugar central na vocação do museu.
O espaço evoca o ambiente desta família da burguesia portuense, reunindo coleções de pintura, joalharia, mobiliário, livros de arte e artes decorativas. O acervo resulta, em grande medida, da transferência do recheio, ou de parte dele, da moradia que Marta Ortigão Sampaio e o marido ocuparam em São Mamede de Infesta, Matosinhos. A casa da Rua de Nossa Senhora de Fátima nunca chegou a ser efetivamente habitada, circunstância que sugere a intenção de a destinar, desde cedo, a um futuro uso público.
A coleção de pintura integra obras do naturalismo português, com autores como Silva Porto, Carlos Reis, José Malhoa e Roque Gameiro, entre outros. Destaca-se, porém, o importante conjunto de pinturas, desenhos e fotografias de Aurélia de Souza, uma das mais singulares artistas portuguesas do seu tempo, bem como a presença da obra de Sofia de Souza, cuja redescoberta contribui para uma leitura mais ampla da produção artística feminina em Portugal.
A coleção de joalharia, uma das mais relevantes de uso pessoal, reúne perto de três centenas de peças, datadas entre o final do século XVII e o século XX. A biblioteca especializada em livros de arte, o mobiliário de influência francesa, inglesa e indo-portuguesa e as restantes peças de artes decorativas completam o retrato de um universo doméstico, artístico e cultural ligado à história do Porto.
Ladeando o edifício, o jardim integra pedras trabalhadas provenientes do antigo convento de São Bento de Avé-Maria, um pequeno lago e espécies vegetais de interesse, como magnólias (Magnolia grandiflora) e um cedro-do-atlas (Cedrus atlantica).
Ao assumir a designação de Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto reforça o compromisso de estudar, preservar e divulgar a obra das duas pintoras, afirmando igualmente uma missão mais ampla de valorização do contributo das mulheres para a arte, a cultura e a sociedade. Nesse sentido, como sublinha o Vereador da Cultura, Jorge Sobrado, «ao nomear esta casa e coleções como Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto assume a missão programática de conferir uma centralidade à promoção do legado artístico e ético das irmãs Souza. Ao mesmo tempo, estabelece um compromisso com a revelação de outras mulheres artistas, especialmente do Porto, sobre cuja criação seja justo o mesmo olhar contra a distração ou o esquecimento».
Imagens—Atlas: António Alves (Museu do Porto).
Terça a Domingo
10H—17H30
Encerra às segundas, dias feriados e 24 e 31 de dezembro.
Rua de Nossa Senhora de Fátima, 299
4050-428 Porto
GPS: 41.159457, -8.625454
Localização
203, 302, 203, 302, 508
Carolina Michaëlis
Casa da Música