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Museu do Porto lança Museu Aurélia e Sofia de Souza com duas exposições inéditas

Museu Aurélia e Sofia de Souza - casa Marta Ortigão Sampaio. Fotografia de David Oliveira

O Museu do Porto apresenta à cidade, este sábado, dia 13 de junho, às 18 horas, o Museu Aurélia e Sofia de Souza, nova designação da Casa Marta Ortigão Sampaio, que o acolhe, com duas exposições inéditas: “Diálogo Duplo” e “Seabranano e Seabrina”.

O momento contará com a presença do vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado, autor da proposta de renomeação aquando das suas anteriores funções de diretor do Museu do Porto.

Mais do que uma mudança de nome, esta nova etapa reforça a identidade do museu e a valorização do legado de Aurélia e Sofia de Souza, mantendo o reconhecimento do papel de Marta Ortigão Sampaio na preservação deste património.

 

“O museu feminista do Museu do Porto”

Ao assumir o nome de Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto reforça o compromisso de colocar no centro da sua programação o percurso artístico e humano de duas das mais importantes pintoras portuguesas da viragem do século XIX para o século XX.

Como sublinha o vereador, “ao nomear esta casa e coleções como Museu Aurélia e Sofia de Souza, o Museu do Porto assume a missão programática de conferir uma centralidade à promoção do legado artístico e ético das irmãs Souza. Ao mesmo tempo, estabelece um compromisso com a revelação de outras mulheres artistas, especialmente do Porto, sobre cuja criação seja justo o mesmo olhar contra a distração ou o esquecimento”.

Esta visão traduz-se na afirmação daquele que Jorge Sobrado define como o “museu feminista do Museu do Porto”, um espaço dedicado à valorização da obra de Aurélia e Sofia de Souza e à construção de novas leituras sobre o papel das mulheres na arte, na cultura e na sociedade.

 

Diálogo Duplo: Aurélia e Sofia em conversa com o presente

Com curadoria de Rita Roque, a exposição “Diálogo Duplo” inaugura um percurso expositivo que coloca a obra de Aurélia e Sofia de Souza em diálogo com práticas artísticas contemporâneas. Distribuída pelos diferentes espaços do museu, a exposição reúne obras das duas pintoras e trabalhos de Ana Rocha, Catarina Vasconcelos, Isabel Carvalho, Luísa Mota e Sofia Leitão, convidadas a ativar o acervo e a propor novas interpretações sobre os seus temas, linguagens e universos visuais.

Partindo da intensidade expressiva de Aurélia de Souza e da luminosidade característica da pintura de Sofia de Souza, a exposição propõe um encontro entre diferentes tempos e sensibilidades, transformando o museu num espaço vivo de diálogo, experimentação e descoberta.

 

Seabranano e Seabrina: memória, herança e imaginação

A segunda exposição inaugurada neste dia é “Seabranano e Seabrina”, projeto artístico de Constança Meira centrado nos temas da memória, da herança familiar e dos objetos como veículos de narrativa. Através de uma instalação construída a partir de fotografias, cartas, documentos, elementos naturais e objetos recolhidos e reinterpretados, a artista desenvolve uma reflexão sobre os vínculos entre passado e presente, convocando sobretudo presenças femininas e afetivas para a construção de um universo poético onde se cruzam memória, imaginação e conhecimento.

A apresentação deste projeto, no Museu Aurélia e Sofia de Souza, estabelece uma relação particularmente significativa com o contexto da casa, das suas coleções e das histórias familiares que lhes deram origem.

 

Uma casa de artistas, um programa para o futuro

A inauguração marca, igualmente, o arranque do ciclo de conversas “Uma Casa de Artistas”, que decorrerá ao longo de 2026 e reunirá investigadores, artistas, historiadores e especialistas, em torno de algumas das principais temáticas presentes na obra de Aurélia e Sofia de Souza. Entre os temas em destaque encontram-se a condição da mulher artista, o autorretrato, a fotografia, a paisagem e os espaços domésticos, prolongando para além das exposições a reflexão sobre o legado das duas pintoras e o seu significado contemporâneo.

 

Um novo capítulo para a Casa Marta Ortigão Sampaio

Instalado num edifício modernista que integra um dos mais relevantes conjuntos patrimoniais ligados à história artística da cidade, o Museu Aurélia e Sofia de Souza inicia agora uma nova etapa da sua trajetória. Através da reinterpretação do acervo, da abertura ao diálogo com a criação contemporânea e da valorização do contributo das mulheres para a história da arte, o Museu do Porto afirma este espaço como lugar de memória, investigação, criação e pensamento crítico, projetando para o futuro o legado de Aurélia e Sofia de Souza.

Mais informação na página do Museu do Porto.